Pesquisa realizada pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo (FGV EAESP) e o Talenses Group revelou que os brasileiros querem mais transparência salarial. De acordo com os entrevistados, a divulgação da remuneração dos profissionais ajuda a combater a desigualdade de salário entre gêneros.
De acordo com o levantamento, 61% das mulheres já sofreram discriminação salarial, enquanto a taxa entre homens é de 49%.
A pesquisa também revelou que 75% dos entrevistados não acreditam que as empresas sejam transparentes sobre a remuneração e defendem a obrigatoriedade da divulgação do salário oferecido para uma vaga de emprego.
O Projeto de Lei 1149/22, de autoria do ex-deputado federal Alexandre Frota, está entre as medidas apoiadas pelos entrevistados para uma maior igualdade salarial no país, com 95% das pessoas avaliando positivamente a proposta.
A maioria dos entrevistados também acredita que a lei pode beneficiar outros segmentos, como grupos minoritários ou jovens.
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Quem tem medo de divulgar o salário?
Apesar de 50% dos entrevistados concordarem que a transparência salarial é uma prática positiva e fundamental, eles também entendem que isso pode trazer alguns empecilhos.
Ao serem indagados se ficariam confortáveis para falar sobre salário com os colegas, apenas 30% dos entrevistados disseram que sim.
Os funcionários da base são os mais confortáveis: apenas 20% discordam da ideia, enquanto os gerentes demonstram maior nível de desconforto, com 32%.
Segundo a pesquisa, esse fenômeno reflete o receio dos gerentes de que a divulgação de salários possa afetar o ambiente de trabalho.
Já entre a alta liderança, o temor é menos presente, uma vez que não lida diretamente com os colaboradores.
Em relação a faixa salarial, aqueles que ganham acima de R$ 35 mil por mês e os que sobrevivem com um salário mínimo (R$ 1.320) são os que se sentem mais desconfortáveis em compartilhar.
O conforto para falar quanto ganha fica entre os profissionais que recebem salários de R$ 5 mil a R$ 10 mil mensais.
De acordo com o levantamento, aqueles mais perto do salário mínimo não gostam de se comparar aos colegas que ganham mais, assim como os que estão no topo da pirâmide têm receio do incômodo que podem gerar entre colegas e subordinados.
