
Entidade entrou com ação para romper com a S/A em julho
O presidente do Botafogo Futebol Clube, Eduardo Esteves, participou de uma entrevista coletiva organizada pela entidade nesta quarta-feira (13) e abordou temas relacionados à tentativa de rompimento da entidade com a Trexx Holding, detentora de 40% da empresa que administra, desde 2018, o futebol profissional, cujo responsável é Adalberto Baptista, presidente do Conselho Deliberativo da Sociedade Anônima (SA) do Pantera.
Esteves afirmou que o BFC possui uma medida judicial que pode bloquear a venda das ações da SA para Baptista, comentou sobre a dívida atual do clube e alegou que, num possível “divórcio” com a Trexx, o atual presidente do Conselho Deliberativo da SA seria o equivalente a um responsável “que não se importa com seus filhos e quer que eles mudem, pois estão ultrapassados”, em analogia a comentários de Adalberto Baptista sobre a torcida botafoguense.
“Conseguimos um Regime Centralizado de Execução. Foi aprovado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Foi deferido, também, pela Justiça de Ribeirão. O conselho deliberativo se reúne dia 18 para aprovar ou não essa iniciativa. Temos 60 dias para apresentar na Justiça um plano de pagamento das dívidas cíveis e teremos um prazo de muitos anos para pagar”, afirmou o presidente do BFC.
Atualmente, a dívida do clube está na casa dos R$ 80 milhões, a maior parcela vinda de antes da sociedade. Esteves planeja pagar essas pendências por meio da Lei da SAF, que permite a associação usar 20% da receita bruta.
No último mês de julho, o BFC entrou com uma ação para romper a sociedade com a Trexx Holding na Câmara de Comércio Brasil Canadá. Os principais argumentos da entidade são a suposta falta de repasses previstos na Lei da SAF e decisões tomadas de forma unilateral. Agora, a diretoria também acusa Adalberto Baptista de comprar as dívidas do BFC para obter cotas e aumentar sua participação na porcentagem da SA.
“Uma condição essencial para a constituição do negócio, já que o Botafogo iria abrir mão das receitas, era obrigação para início do negócio um repasse para associação que permitisse que arcasse com suas dívidas, que ficasse adimplente com os compromissos que já estavam mapeadas. Isso foi aprovado na época. O que aconteceu? Acordos assinados sem que fossem discutidos coletivamente, sem que respeitassem requisitos legais. Simplesmente repassaram valores muito inferiores às necessidades mapeadas para quitar os endividamentos (…) Temos mapeadas mais de 50 infringências legais e contratuais que a empresa não cumpre”, alegou Daniel Pitta Marques, presidente do Conselho Deliberativo do BFC.
“Nós vamos desfazer essa sociedade. Ponto. O Botafogo não quer, o torcedor hoje eu sinto que não quer, boa parte da cidade não quer”, acrescentou Esteves antes de afirmar não ter como cravar se o Tricolor voltará a seguir o modelo associativo caso o BFC vença a ação ou se venderá novamente parte da SA, agora para outro investidor.
“Vai ter interessado? Vai. Ou melhor. Tem. O Botafogo primeiro precisa olhar para dentro e decidir o que ele quer. Temos que olhar o modelo que queremos, se vai ser autossuficiente ou não vai.”