Com a tecnologia de captura e armazenamento de carbono (CCS, na sigla em inglês), o setor sucroenergético pode ampliar seu papel na descarbonização. E, ao mesmo tempo, gerar novas receitas a partir de soluções sustentáveis. Essa foi a pauta do painel “CCS na produção de etanol”, realizado na última quinta-feira (14) na FenaBio, dentro da Fenasucro & Agrocana, em Sertãozinho.
O encontro foi mediado por Everton Oliveira, diretor-presidente da Hidroplan e do Instituto Água Sustentável, e reuniu Milas Evangelista de Sousa, sócio-proprietário da Renovar Sustentabilidade, Cristiane Moreno, head de Governança da CCS Brasil, Cláudia Shirozaki, gerente executiva de Sustentabilidade da FS Fueling Sustainability, e Vladimir Bellenzani Jr., geólogo especialista em Aquisição de Dados Geológicos para CCS da Petrobras.
Potencial e desafios
De acordo com Milas Evangelista, o setor de etanol tem um grande potencial para incorporar o CCS como serviço ambiental. Essa tecnologia é apontada internacionalmente como estratégica para ajudar a atingir a neutralidade de carbono até 2050.
“Temos um potencial enorme para fazer do CCS uma vantagem competitiva do setor de etanol brasileiro. As áreas geológicas mais promissoras estão próximas das usinas, o que facilita a integração. Mas precisamos avançar em estudos e regulamentações para transformar essa oportunidade em realidade”, afirmou.
Ainda segundo ele, as bacias sedimentares mais promissoras precisam de estudos geológicos detalhados para viabilizar o avanço da tecnologia.
BECCS e remoção de emissões
Já Cristiane Moreno mencionou o conceito de BECCS (Bioenergia com Captura e Armazenamento de Carbono). A técnica combina a geração de energia renovável com a remoção de CO₂ da atmosfera, criando um mercado de emissões negativas.
Para a especialista, o setor de etanol brasileiro pode se posicionar como protagonista global nesse modelo, contribuindo para metas climáticas e atraindo investimentos.
O painel reforçou que, além do impacto ambiental positivo, o CCS pode se tornar um novo vetor de competitividade para o Brasil. A discussão detalhou que a tecnologia deve permitir que o setor sucroenergético lidere a transição energética e se beneficie economicamente das soluções que entrega para o planeta.
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