Há um ano, o interior paulista enfrentava um período de grandes incêndios, com recorde de focos e muitos prejuízos ambientais. A região de Ribeirão Preto foi altamente afetada pelas chamas.
Segundo o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), entre os dias 22 e 23 de agosto de 2024 foram registrados 2.316 focos de incêndio em São Paulo. O cenário foi tão grave que dois funcionários de uma usina em Urupês morreram tentando combater um incêndio.
O dia virou noite e assustou moradores de Ribeirão Preto e região. A fumaça também reduziu a visibilidade nas rodovias, provocando acidentes, engavetamentos e paralisações.
Além disso, escolas suspenderam aulas, atividades ao ar livre foram canceladas e diversos municípios decretaram situação de emergência. Na época, o Governo de São Paulo chegou a criar um gabinete de crise para auxiliar no combate aos focos de incêndio.
Redução nos focos de incêndio
Segundo dados da Defesa Civil, o estado de São Paulo registrou redução nos focos de incêndio na primeira quinzena de agosto. Entre os dias 1º e 15, o órgão contabilizou 148 ocorrências em 2025 – no mesmo período de 2024 esse número era de 2024, uma queda de aproximadamente 75%.
Apesar da redução, a Defesa Civil reforça que o tempo seco e as altas temperaturas típicas do inverno paulista ainda oferecem riscos.
Na última sexta-feira (22), data exata do primeiro registro de foco de incêndio, um canavial as margens da vicinal Osvaldo Gilberto, entre Igarapava e Rifaina, pegou fogo e chegou a interditar a pista.

Investimentos
Procurada pela reportagem, a Semil (Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo ) informu que destinou R$ 11 milhões à Operação SP Sem Fogo neste ano, por meio da Fundação Florestal, devido ao avanço da estiagem e o aumento do risco de queimadas.
Outra medida anunciada foi a proibição da queima da palha da cana-de-açúcar no estado de São Paulo, entre 6h e 20h, até 30 de novembro. A resolução publicada pela Semil vale para todo o setor sucroenergético, inclusive para empresas que já tenham autorização vigente.
Além disso, sempre que a umidade relativa do ar estiver abaixo de 20%, a queima será suspensa pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) em qualquer horário do dia. As medidas foram adotadas para reduzir os impactos da atividade durante o período de estiagem
A Defesa Civil do estado informou que neste ano R$ 46 milhões foram investidos em inovações tecnológicas voltadas ao monitoramento e resposta às queimadas.
Segundo as informações, foram entregues 108 veículos equipados para o combate a incêndio e kits compostos por equipamentos de proteção individual e combate ao fogo distribuídos para 200 municípios prioritários.
Também haverá cerca de R$ 14 milhões para contratação de aeronaves que além do emprego no combate ao fogo serão utilizadas de forma inédita para o monitoramento de áreas com maior risco a queimadas
Além disso, equipamentos de maior porte foram adquiridos pela Defesa Civil pela primeira vez , como por exemplo, caminhões pipa, fundamentais para incêndios maiores e, também, para o abastecimento das aeronaves com água.
O sistema cell broadcast, utilizado para envio de alertas severos ou extremos, também será aplicado para o período de estiagem, com disparo de alertas à população sempre que houver baixa umidade do ar ou risco de incêndio, com orientações voltadas à prevenção e saúde das pessoas.

Medidas de prevenção em Ribeirão Preto
A Prefeitura de Ribeirão Preto informou que iniciou um novo cronograma de monitoramento em áreas de risco de incêndios da cidade.
Segundo a Secretaria de Meio Ambiente, 17 áreas verdes classificadas como de alto risco estão recebendo fiscalização intensificada.
As ações fazem parte do Plano de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais (PPCIF) que,segundo a Prefeitura, teve cerca de 70% de sua execução concluída.
“Estamos na fase vermelha, tanto do plano municipal quanto do estadual. Já avançamos com a capacitação de brigadistas e guardas civis, aquisição e melhoria de equipamentos, ações de educação ambiental e, agora, intensificação das fiscalizações. O objetivo é ampliar a capacidade do município para combater de forma mais rigorosa os crimes ambientais”, ressalta o secretário de Meio Ambiente, Claudio Almeida.
Vale lembrar que o decreto municipal nº 160/2025 proíbe qualquer tipo de queima, incêndio ou uso do fogo em áreas urbanas, rurais, públicas ou privadas durante o período de estiagem, independentemente da finalidade. Infratores estão sujeitos a multa, reparação de danos ambientais e responsabilização civil e criminal.
Responsabilidade
Na época em que a região de Ribeirão Preto e outras cidades do interior paulista foram duramente afetadas pelos incêndios, a SSP (Secretaria de Segurança Pública) informou que 107 inquéritos policiais foram abertos e 39 pessoas foram indiciadas.
A reportagem entrou em contato com o órgão solicitando informações atualizadas sobre a situação das pessoas indiciadas (principalmente na região de Ribeirão), contudo, a SSP não retornou até a publicação deste material.
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