Entenda esquema de roubo de joias em Ribeirão Preto que envolvia programa de TV

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Uma família de Ribeirão Preto que teve a casa roubada em maio deste ano reconheceu que parte das joias levadas pelos ladrões estavam sendo vendidas em um programa de TV. O homem acusado de ser o receptador das joias roubadas foi preso pela polícia na semana passada.

O suspeito é Diego de Freitas, que usa o apelido de Diego Ouro nas redes sociais. Ele foi detido em casa, também em Ribeirão Preto. A história foi revelada pelo Fantástico, da TV Globo/EPTV, no último domingo (7).

O caso

De acordo com a reportagem, as joias foram roubadas no dia 17 de maio, quando quatro homens invadiram e roubaram as peças em uma casa em Ribeirão Preto. Na noite do dia anterior, os suspeitos já tinham ido até o imóvel vizinho para observar o local.

“Eu estava no escritório de casa com o meu filho. Quando, de repente, entrou um cidadão com uma arma na mão, nos rendeu e entraram mais três [criminosos] dentro de casa”, disse a vítima.

Estavam no imóvel um casal de idosos, o filho deles e uma funcionária. Eles acreditam que os ladrões já sabiam o que tinha no cofre. “‘Onde é que estão as joias?’ Queriam joias. Foram especificamente em joias”, disse ao Fantástico.

As joias pertenciam à família há vários anos, sendo que algumas peças eram exclusivas. As vítimas calculam que os ladrões levaram 300 joias e oito relógios Rolex.

Vítimas de roubo de joias em Ribeirão Preto descobrem a venda dos produtos em programa de TV; dois suspeitos foram presos
Diego de Freitas foi preso em Ribeirão Preto na semana passada (Foto: reprodução/Fantástico/TV Globo)

Na TV

Entre as joias roubadas, estava um colar comprado pela família há 20 anos. Uma das vítimas viu a mesma peça em um programa de televisão, conhecido por vender joias.

“Eu acompanho esse programa há uns 10 anos. E, no dia 20 de junho, eu comecei a assistir de novo e identifiquei uma peça minha sendo vendida”, relata.

Depois disso, a família começou a acompanhar o canal de vendas e viu outras joias roubadas sendo vendidas no programa.

A própria vítima resolveu fazer um teste e comprou oito peças que acreditava que fosse dela. A família negociou as joias pelo telefone oficial do programa.

As vítimas receberam em casa as joias que compraram de volta, que foram entregues por um funcionário do programa.

O delegado Diógenes Santiago Netto conta que o entregador viu que a vítima já era cliente do programa. “Ela comprou do programa, foi roubada na casa dela e voltou para o programa”, disse.

As joias foram entregues com nota e certificado de garantia no nome da empresa 1001 Noites. “Por serem joias exclusivas, a gente conseguiu vincular o programa de televisão às possíveis joias das vítimas”, disse o delegado.

A empresa tem sede em Curitiba, onde a vítima e os investigadores encontraram mais joias roubadas. O delegado disse que em 2009 o programa já havia sido investigado pela venda de joias roubadas, mas o caso foi arquivado.

O programa

O dono do programa é Paulo César Calluf. Em depoimento à polícia, ele disse que as peças foram deixadas por um fornecedor, chamado Haig Hovsepian, que atua adquirindo joias de leilões. O empresário ainda disse que faz negócios com o fornecedor desde 2006.

Em nota ao Fantástico, a empresa 1001 Noites afirma que as joias vendidas no programa são consignadas de fornecedores previamente selecionados “de forma rigorosa e devidamente cadastrados”.

Porém, o delegado afirma que a empresa não tinha o contrato de consignação das joias, nem nota de entrada desses produtos na empresa.

O fornecedor

Em Uberaba, no interior de Minas Gerais, a polícia fez buscas em imóveis do fornecedor de joias, mas Haig não foi encontrado. Porém, ele foi à delegacia e disse que vendeu as joias para o programa 1001 Noites por R$ 190 mil.

A defesa de Haig alega que quando o fornecedor tomou conhecimento de que a origem das joias poderia ser ilícita, ele compareceu à polícia. No depoimento, Haig disse que comprou as joias por R$ 170 mil de Diego Freitas, de Ribeirão Preto. 

O que disse Diego?

Para polícia, Diego contou que dois homens foram até a loja dele no dia 18 de maio e que não desconfiou que as joias poderiam ser produto de crime. Ele afirma que pagou R$ 200 mil e depois ofereceu a Haig, por R$ 250 mil.

O advogado dele não foi encontrado. Além dele, a polícia prendeu Welker dos Santos Ferreira de Mattos, suspeito de participar do roubo em maio. Ele foi reconhecido pelas vítimas. A família afirma que recuperou 10% das joias.

A promotora de Justiça Ethel Cipele, que acompanha o caso, afirma que as investigações continuam para identificar outros receptadores (com informações Fantástico/TV Globo/EPTV).

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