Consumidora acusa concessionária de vender carro com problemas

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A autônoma Eliana Pereira dos Anjos Calixto planejou, juntou suas economias e parcelou o restante para comprar um veículo. O objetivo era poder trabalhar como motorista de aplicativo com o novo carro, um Ford Ka SE 1.0 2017/2018 cor prata.

Ela pagou R$ 48 mil pelo carro. Deu R$ 12 mil de entrada (parte financiado com a revenda em 24 parcelas de 140) e financiou o saldo em 60 parcelas de R$ 1.350. A compra foi feita junto à Rossi Veículos, em Ribeirão Preto.

Ela planejava pagar as parcelas com a renda obtida através das corridas feitas como motorista por aplicativo. Mas, segundo ela, a alegria durou pouco.

“Fiz a compra no dia 29 de abril. Dois dias depois, já apresentou problemas. Procurei o mecânico da Rossi. Ele aconselhou trocar a bateria. Troquei e o problema continuava. Levei novamente e trocaram algumas peças. Retornei e continuou com o mesmo problema. Expliquei que a água e o óleo estavam baixando. Trocaram peças e não resolveu. Até que pararam de me atender”, explica Eliana.

A consumidora reproduziu diálogos por aplicativo, onde indicava o problema (Foto: Reprodução)

Ela conta que foi orientada a procurar a Gestauto, uma empresa que oferece uma espécie de seguro para serviços mecânicos, estendendo a garantia, dos três meses da concessionária, para um ano no total, desde que os reparos sejam realizados nas oficinas credenciadas e que o consumidor realize as trocas de óleo periódicas, apresentando nota fiscal comprovando o procedimento e constando o quilômetro em que a troca foi efetuada. Eliana garante que fez a troca da forma orientada e apresentou a nota fiscal para a empresa.

“Tentei de todo jeito marcar com a Gestauto, mas não consegui. Não conseguia agendar. Eles pararam de me atender e eu estava sem poder trabalhar”, observa Eliana. Depois de algum tempo, ela conta que a Rossi Veículos justificou que o atendimento está fora do prazo de garantia de três meses e que a concessionária oferece a Gestauto para a garantia complementar.

Sem conseguir atendimento, Eliana resolveu levar o carro em um mecânico particular, para avaliar a situação. Ele emitiu um laudo indicando que o carro tinha problemas de cabeçote.

Após entrada de R$ 12 mil, Eliana pretendia pagar as 60 parcelas do financiamento com o faturamento nas viagens por aplicativo mas disse não ter conseguido rodar com o veículo (Foto: Alfredo Risk)

“Foi constatado que já foi feito serviço de cabeçote do motor anteriormente. Diagnosticamos um risco no primeiro cilindro, que faz com que o veículo perca a taxa de compressão, vindo a gerar mal funcionamento (perda de potência), sendo necessário comprar um motor parcial, pois não é aconselhável fazer a retífica do mesmo, pois não ficará nas normas”, atesta o laudo.

Eliana afirma que não fez nenhum reparo no cabeçote e acusa a Rossi de já ter vendido o carro com problemas no motor. “Quem fez a retífica de cabeçote ou foi o antigo dono ou a Rossi”, diz.

Inconformada com a situação, a autônoma procurou o Procon e fez uma queixa da empresa. A reclamação foi protocolada com o número 0676953/2025, no dia 11 de setembro. Depois procurou uma advogada e está acionando a Rossi na justiça. “O custo de um motor novo é entre R$ 10 mil e R$ 15 mil. E não pude trabalhar nem para pagar as parcelas”, lamenta.

Outro lado

A Rossi Veículos encaminhou nota. Leia na íntegra.

“A Rossi Veículos informa que preza pela transparência e pela satisfação de seus clientes, sempre respeitando a legislação vigente e os prazos legais de garantia.

No caso mencionado, esclarecemos que o veículo adquirido contou com a garantia legal de 90 dias e, dentro desse período, todas as solicitações apresentadas pela cliente foram devidamente atendidas e solucionadas pela empresa. O problema atualmente relatado não é o mesmo que foi objeto de manutenção durante a vigência da garantia. Ressaltamos que, neste momento, a garantia legal já se encontra vencida.

Adicionalmente, a Rossi Veículos forneceu, sem custo, um seguro de garantia mecânica junto à empresa Gestauto, com validade de 1 ano. Conforme regulamento da seguradora, para que a cobertura permaneça válida, o consumidor deve realizar as manutenções preventivas a cada 6 meses ou 10 mil km, incluindo troca de óleo e filtro, apresentando nota fiscal com a placa e quilometragem do veículo. No entanto, a Sra. Eliana, disse que fez a troca do óleo e filtro mas no momento da troca não solicitou a nota para a empresa prestadora do serviço. Além disso, o veículo foi levado a uma oficina particular, sem autorização prévia da Gestauto, para fazer a desmontagem do motor, o que inviabiliza a cobertura contratual.

Portanto, não houve qualquer irregularidade por parte da Rossi Veículos, que cumpriu integralmente suas obrigações legais e contratuais. Reforçamos que permanecemos à disposição para esclarecimentos e para colaborar dentro dos termos previstos na garantia oferecida.

Por fim, ressaltamos que a Rossi Veículos confia no trabalho da imprensa e respeita a liberdade de informação. Contudo, enfatizamos que qualquer divulgação de fatos que não correspondam à realidade e que possam causar prejuízo à imagem da empresa será analisada juridicamente, sendo responsabilizados aqueles que derem causa ao eventual dano.”

A Gestauto foi procurada e também se manifestou por nota: “A Gestauto informa que está ciente do caso mencionado e já iniciou tratativas com a revenda envolvida para verificar a melhor forma de solucionar a demanda apresentada pela consumidora. Reforçamos que a Gestauto atua há 14 anos no mercado de gestão de certificação com garantia para veículos seminovos, prezando sempre pela transparência, responsabilidade e compromisso com seus parceiros e consumidores. Permanecemos à disposição para quaisquer esclarecimentos adicionais.”



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