
Em comemoração ao Dia da Consciência Negra, os produtores de audiovisual Michelle Tavares, Matheus Vieira e Sheila Brandão destacam a importância da presença de pessoas negras no setor em Ribeirão Preto. No interior de São Paulo, estes profissionais têm construído caminhos próprios, muitas vezes a partir da periferia, registrando histórias que não costumam ocupar as telas.
Michelle Tavares, de 45 anos, construiu sua trajetória enfrentando o que chama de “abismos sociais” que afastam profissionais negros das oportunidades. Matheus Vieira, de 37 anos, formado em Produção Audiovisual e mestre em Imagem e Som, cresceu na zona Norte de Ribeirão e transformou experiências de vida e perdas pessoais em força para dirigir filmes sobre temas sociais, ambientais e raciais. Já Sheila Brandão, fotógrafa e videomaker, de 49 anos, atua registrando narrativas de seu território e observa como a cena audiovisual da cidade se movimenta.
Os desafios do audiovisual negro
Os desafios começam pela porta de entrada. Sheila afirma que “os espaços ainda são limitados”. “Um espaço bem difícil de ser inserido em Ribeirão Preto. Para homens é difícil, para mulher, então, ainda mais”.
Michelle reforça que essa falta de espaço não é resultado de falta de capacidade, mas da ausência de oportunidades. “Existem profissionais negros tão capacitados quanto aqueles que dominam o mercado, mas que não têm sequer a chance de mostrar seu potencial.” Para Matheus, além da desigualdade estrutural, pesa também a limitação a recursos.
Apesar disso, o impacto dos filmes feitos a partir dos territórios periféricos são claros. Michelle observa que o público se reconhece nas histórias. Para Matheus, a simples existência desses filmes já funciona como inspiração.
Quando alguém vê uma pessoa da periferia criando um filme, entende que existe um caminho possível. O filme em si gera identificação, mas a simples existência dele já transmite uma mensagem de possibilidade.
Matheus Vieira
O processo criativo
As memórias do processo criativo ajudam a entender por que essas produções importam. Michelle destaca as cenas em que os personagens se abrem diante da câmera.
Tenho a memória muito viva dos momentos em que a equipe e os personagens se emocionam, quando o ambiente se torna tão real que todo mundo sente a responsabilidade do que está sendo registrado. Esses instantes me lembram por que faço audiovisual: porque nossas histórias, quando contadas com respeito, revelam força, vulnerabilidade e potência.
Michelle Tavares
Sheila cita a experiência com o projeto fotográfico “Anastacia, Hoje Elas Falam“, obra em que retrata a história de uma mulher escravizada.
“Foi chocante para elas (modelos), mas também foi chocante para mim. Em alguns momentos, eu tive que me manter em silêncio para poder captar essa essência, que é a primeira foto. O primeiro clique dessa trilogia é com a mordaça. Eu acho que todas elas entenderam o propósito do projeto, que é o silenciamento das mulheres negras.
Sheila Brandão


A potência do audiovisual negro em Ribeirão Preto não se trata apenas de denunciar desigualdades, mas de ampliar o modo como a cidade é representada. Para Matheus, perspectivas negras atravessam todo o cinema brasileiro, mesmo quando não são explícitas. Michelle acredita que é preciso reconhecer criatividade, técnica e profissionalismo. Sheila reforça a potência de narrativas que partem de dentro da comunidade e devolvem a ela protagonismo.


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