‘Parecia um lorde inglês’, diz vítima de assessor financeiro suspeito de desviar R$ 11 milhões

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Uma espécie de lorde inglês, sempre muito educado e habilidoso.” É assim que uma das vítimas descreve o assessor financeiro Frederico Goz Biagi, preso nesta quinta-feira (4) pela Polícia Federal de Ribeirão Preto, suspeito de desviar cerca de R$ 11 milhões.

Segundo a vítima, que preferiu não ser identificada, a postura carismática e o jeito convincente ajudavam Biagi a ganhar confiança enquanto se apresentava como especialista em operações de Mini-Dólar na B3.

 Ele se apresentava como trader especialista e uma vez nos convidou para colocar dinheiro lá. Isso começou entre as pessoas físicas e como o negócio foi ganhando proporção, foi aberta uma empresa em maio de 2023. Para que deixasse tudo certinho, Nós abrimos uma empresa de investimento com capital próprio

Conforme o relato, a empresa reunia profissionais de diferentes áreas, que aportavam recursos próprios para que os valores fossem operados por Biagi por meio de uma conta vinculada a uma empresa de investimentos.

“Eram três administradores dessa empresa e para qualquer operação financeira, era necessário duas assinaturas […] ele fraudou uma conta em um banco em nome da empresa”. Segundo o depoimento, a instituição abriu a conta sem observar as exigências do contrato social, permitindo que os valores enviados pelos sócios fossem desviados.

Frederico Goz Biagi se apresentava como assessor financeiro - Foto: reprodução/ EPTV.
Frederico Goz Biagi se apresentava como assessor financeiro – Foto: reprodução/ EPTV.

Espécie de lorde inglês

Ainda de acordo com a vítima, Frederico teria tirado vantagem de diversas pessoas, inclusive parentes e namoradas. A informação foi confirmada pela Polícia Federal – clique aqui para saber mais.

É um bandido profissional. Se você o conhecer, eu até brinco que vai querer que ele case com a sua filha. Parece um lorde inglês, educadíssimo, calmo, bem vestido. É um bandido profissional

Durante coletiva na manhã desta quinta, o delegado Marcelus Henrique de Araújo afirmou que o investigado se aproveitava da função de assessor para se aproximar de pessoas com alto poder aquisitivo na cidade.

A partir dessa aproximação, criava uma “estratégia de engenharia social” que incluía não apenas a oferta de investimentos, mas também a construção de vínculos pessoais. “Ele se tornava próximo dessas pessoas, inclusive, mantendo relacionamento com algumas mulheres. A partir disso, desse ambiente de confiança criado, as pessoas começavam a entregar os recursos para ele, que prometia rendimentos ao longo do prazo”, disse o delegado.

Vídeos que circulam nas redes sociais mostram como Frederico se aproximava das vítimas para conquistar confiança e acessar o dinheiro delas – veja logo abaixo.

Como era o golpe do assessor?

A PF afirma que Frederico Goz Biagi captava recursos de terceiros com promessas de altos rendimentos e expectativa de aplicação no mercado financeiro, mas utilizava os valores em proveito próprio, realizando operações de day trade que resultaram na perda dos recursos investidos. A apuração inicial apontou um desvio de R$ 11 milhões.

A fraude chegou ao ponto de o investigado divulgar informações falsas de rendimento, utilizadas em declarações à Receita Federal, o que gerou recolhimento indevido de tributos pelas vítimas. “A partir desse ambiente de confiança, as pessoas entregavam os recursos para ele”, afirma o delegado.

A prisão preventiva de Frederico aconteceu no âmbito da Operação Stop Loss, deflagrada na manhã de hoje. Segundo Araújo, o investigado deve responder pelos seguintes crimes:

  • Gestão fraudulenta;
  • Apropriação de recursos de investidor;
  • Manutenção de investidor em erro mediante omissão ou falsidade;
  • Fraude à fiscalização com inserção de informações falsas em documentos;
  • Inserção de elementos falsos em demonstrativos contábeis;
  • Contabilidade paralela.
Delegado Marcelus Henrique de Araújo - Foto: Vítor Neves/acidade on
Delegado Marcelus Henrique de Araújo – Foto: Vítor Neves/acidade on

Todos os crimes estão previstos na Lei nº 7.492/86 (Crimes contra o Sistema Financeiro Nacional), cujas penas somadas podem variar de 10 a 37 anos de reclusão. As investigações continuam para a verificação da eventual participação de outros envolvidos nas práticas criminosas, bem como para identificação de todas as vítimas.

O outro lado

A reportagem do acidade on Ribeirão procurou a defesa de Frederico Goz Biagi, que informou que não iria se manifestar sobre o caso.


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