Por: Adalberto Luque
Guilherme da Silva Maia, de 6 anos, foi sepultado na manhã desta segunda-feira (5), no Cemitério de Bonfim Paulista, zona Sul de Ribeirão Preto. Ele e a mãe, Eliene de Santana Maia, de 33 anos, foram atropelados na manhã de quinta-feira (1º de janeiro).
Guilherme e sua mãe seguiam pela rua Professor Felisberto Almada, ao lado da Rodovia José Fregonesi (SP-328), em Bonfim Paulista. Uma câmera de segurança registrou o atropelamento. O carro saiu da pista e atingiu mãe e filho.

Depois o motorista foi embora do local, sem parar para ver o que aconteceu. Os dois foram socorridos em estado grave. Eliene sofreu fraturas nas pernas, bacia, braço e rosto e precisou ser submetida a cirurgias. Ela segue internada no Hospital das Clínicas – Unidade de Emergência (HC-UE), no Centro de Ribeirão Preto.
Guilherme também seguiu para o Centro de Terapia Intensivo Pediátrico, em estado gravíssimo. Neste domingo (4), ele não resistiu e morreu em consequência dos ferimentos sofridos.

Central multimídia
Na tarde de sexta-feira (2), o condutor do Hyundai I30 preto, apontado como o veículo que atropelou mãe e filho, se apresentou à Polícia Civil. Ele esteve no prédio onde fica o 7º Distrito Policial, na avenida Independência, Jardim Sumaré, zona Sul de Ribeirão Preto.
O homem estava acompanhado de dois advogados e disse ao delegado Ariovaldo Torrieri que se distraiu ao mexer na central multimídia do veículo. Nesse momento, teria ocorrido o atropelamento.

“Ele informou que transitava por aquela via de rolamento, tendo à frente o veículo de um amigo que ele citou o nome e as características do veículo. Disse que se distraiu com a central multimídia do carro. E, nesse momento, sentiu um impacto na parte frontal do veículo. Olhou pelo espelho retrovisor e não viu nada. Acreditou que havia batido no ‘guard rail’ existente no local e por conta disso, continuou seu trajeto”, revelou o delegado.
Torrieri acrescentou que o motorista disse ter seguido com vida normal e, no dia 2, ao ver as imagens do acidente, se identificou como o atropelador e se apresentou à polícia. Ele disse que teria ido a duas festas antes do atropelamento e seguia para mais uma festa, mas garantiu que não consumiu bebida alcóolica.

Segundo o delegado, num primeiro momento não havia requisitos para pedir sua prisão, uma vez que ele se apresentou antes que a Polícia Civil o identificasse, disponibilizou o carro para perícia, tem residência fixa e não tem antecedentes, se comprometendo a comparecer sempre que for intimado para prestar depoimento.
Revolta e sepultamento
Na tarde deste domingo, dezenas de pessoas se reuniram no local onde ocorreu o atropelamento. Segundo o pai de Guilherme, foi uma manifestação pacífica para exigir Justiça para Guilherme, apuração da verdade, responsabilização dos culpados e proteção para outras crianças.
O corpo de Guilherme foi velado e sepultado na manhã desta segunda-feira (5), em Bonfim Paulista. Revoltado, o pai da criança, Albertino da Silva Filho, considera que o motorista foi covarde ao fugir do local. O filho e a mulher estavam indo para uma farmácia.

Ele disse acreditar ter havido imprudência do motorista. “Ele foi um covarde, atropelar uma família e sair correndo. Nem com um cachorro a gente faz dessa forma. Eu acredito que teve a imprudência do motorista, com certeza ele estava embriagado para fugir do local”, completa o pai.
Perícia
Segundo Torrieri, está sendo providenciada a perícia do veículo que se envolveu no atropelamento. “Estamos checando algumas informações que chegaram ao conhecimento da polícia e que também foram prestadas pelo condutor do veículo”, acrescentou.
O delegado também esclareceu que não foi feito teste para constatar embriaguez por conta do lapso de tempo entre o atropelamento e o momento em que o condutor de apresentou. Além dos depoimentos dos envolvidos, a Polícia Civil também deve ouvir testemunhas que estavam no posto de combustíveis em frente ao local onde tudo ocorreu.
