
A Justiça determinou a prisão preventiva do empresário Elvis Vilhena Faleiros, de Franca, investigado por suposto envolvimento no desaparecimento de cerca de 20 mil sacas de café pertencente a cooperados. O caso envolve uma cooperativa agrícola com mais de 600 produtores ativos e apura prejuízos que podem chegar a R$ 50 milhões, segundo estimativas do processo.
De acordo com a ação judicial, o empresário teria autorizado operações que comprometeram o equilíbrio financeiro da cooperativa. As investigações indicam que café mantido em estoque, inclusive de produtores, pode ter sido utilizado sem autorização para cumprir obrigações financeiras, levantando suspeitas de gestão temerária e possível fraude.
Além de Faleiros, a apuração alcança outros dois diretores da cooperativa. A Justiça determinou o bloqueio de bens dos investigados como medida cautelar. Trechos do processo apontam que o valor dos bens supostamente apropriados de forma irregular pode chegar à casa dos R$ 50 milhões.
Produtores relatam perdas financeiras
Relatos reunidos no processo mostram que os prejuízos começaram a ser percebidos quando cooperados tentaram retirar o café depositado. Uma produtora afirma não ter conseguido reaver 342 sacas, avaliadas em cerca de R$ 803,7 mil, após ser informada de que o produto teria sido usado para cobrir operações financeiras malsucedidas.
Outro cooperado relata a perda de 35 sacas, estimadas em R$ 80,5 mil, e suspeita que o café tenha sido dado como garantia em operações financeiras. Juntos, esses casos somam aproximadamente R$ 884 mil, valor considerado parcial dentro do processo.

A investigação também aponta questionamentos sobre o volume real de café armazenado e possíveis movimentações internas. O total do prejuízo ainda não foi totalmente mensurado, mas os investigadores não descartam que o valor ultrapasse R$ 50 milhões.
O que diz a defesa?
A defesa sustenta que o passivo da cooperativa gira em torno de R$ 100 milhões e afirma que a situação se agravou com a valorização histórica do café. Segundo o advogado Márcio Cunha, contratos firmados quando a saca custava entre R$ 500 e R$ 700 se tornaram inviáveis após o preço superar R$ 2.500.
O advogado reconhece erros administrativos e afirma que a manutenção de contratos com preços fixos agravou o endividamento. Segundo ele, a prioridade agora seria quitar os valores devidos aos cooperados por meio da venda de ativos e renegociar dívidas com instituições financeiras.
Sobre a prisão preventiva, a defesa afirma que a medida é excessiva e desnecessária. Segundo Cunha, o empresário colaborou com as investigações, entregou o passaporte e aguarda análise de habeas corpus. A defesa sustenta ainda que a prisão interrompeu negociações para venda de bens que poderiam acelerar o ressarcimento dos produtores.
SAIBA MAIS
Cidade na região de Ribeirão Preto tem concurso com salários de R$ 13 mil
FIQUE ON
Fique ligado em tudo que acontece em Ribeirão Preto e região. Siga os perfis do acidade on no Instagram e no Facebook.
Receba notícias do acidade on no WhatsApp. Para entrar no grupo, basta clicar aqui. Ou, acesse o nosso Canal clicando aqui.
Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Ribeirão Preto e região pelo WhatsApp: 16 99117 7802.
VEJA TAMBÉM
Experiência e adaptação tornam viável o cultivo de abacaxi fora dos polos tradicionais

