O comerciante André Eduardo Iossi denunciou uma série de supostas irregularidades no atendimento prestado ao pai durante uma internação na Beneficência Portuguesa de Ribeirão Preto. O paciente, um idoso com histórico de câncer de próstata com metástase, morreu após cerca de três semanas hospitalizado, no início de dezembro do ano passado.
Em conversa com o acidade on, André contou que o pai deu entrada na unidade no dia 28 de novembro, em estado grave. O idoso apresentava dores intensas, extrema debilidade física, perda acentuada de peso — cerca de 35 quilos — e já não conseguia se alimentar ou se sentar sozinho.
Ele estava muito debilitado, com dor intensa, sem forças nem para sentar na cama. Meu pai estava com câncer em estágio terminal e, ao longo dos 18 dias que antecederam sua morte, pude observar, de forma contínua, inúmeras irregularidades dentro da ala onde ele estava internado.
relatou o acompanhante
Histórico médico e demora na internação
O pai de André havia sido operado de câncer de próstata cerca de nove anos antes e seguia em acompanhamento contínuo pela própria Beneficência Portuguesa.
Mesmo sendo paciente antigo, ele foi colocado inicialmente em um quarto coletivo com outros cinco homens, fora da ala de oncologia
disse André
Ele afirma que a transferência para o setor especializado só ocorreu após questionamentos feitos à equipe do hospital e relata que precisou insistir para que o pai fosse encaminhado à ala de oncologia, por entender que aquele era o procedimento adequado, já que o paciente se encontrava em estágio terminal do câncer.

Pressão por procedimentos cirúrgicos
O acompanhante denunciou ainda a insistência da equipe médica na realização de cirurgias consideradas, por ele, desnecessárias.
Queriam abrir o testículo dele, alegando que a testosterona aumentava o câncer. Eu falei: ‘Ele pesa 35 quilos, está morrendo, para quê essa cirurgia?’
relatou
Segundo André, a permanência do paciente no hospital teria sido condicionada à aceitação dos procedimentos.
“Disseram que, se não aceitássemos a cirurgia, teríamos alta e ele iria para casa em condições que não poderia ser cuidado.”
Após pressão da equipe médica, a família autorizou a realização de uma colostomia, mas, segundo André, o procedimento não trouxe melhora no quadro clínico e apenas aumentou o sofrimento do paciente, que teve a dor transferida de um foco para outro e permaneceu por mais cerca de uma semana em estado debilitado, até falecer.
Relatório do Coren
Durante os cerca de 18 dias de internação, André afirma ter permanecido ao lado do pai em tempo integral e relatou dificuldades relacionadas à acomodação do paciente e do acompanhante, além de superlotação em quartos coletivos. Essas observações dialogam com o Relatório nº 2134/22 do Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP), que já havia registrado a inexistência ou ausência de enfermeiros em determinados setores do hospital, bem como superlotação, com pacientes mantidos em macas nos corredores e permanência prolongada à espera de vagas.

O que diz a Beneficência Portuguesa?
Até o fechamento desta reportagem, a Beneficência Portuguesa de Ribeirão Preto informou que realizava o levantamento do prontuário médico do paciente e que encaminharia um posicionamento assim que a análise fosse concluída. O espaço segue aberto para manifestação.
Prefeitura diz que hospital não tinha noção da gravidade
Durante coletiva realizada nesta quinta-feira (29), o prefeito Ricardo Silva (PSD) comentou o caso e afirmou que a reunião com representantes da instituição marcou o início de um processo de acompanhamento mais próximo. Segundo ele, o município se surpreendeu com a falta de dimensão apresentada pela direção do hospital sobre a gravidade da situação.
Foi o primeiro passo de algo. Chamamos eles aqui para conversar e a gente se surpreende porque eles não tinham noção da gravidade do assunto. Eles estão ainda um pouco perdidos com isso tudo
declarou
Ainda de acordo com o prefeito, a Prefeitura de Ribeirão Preto colocou sua estrutura à disposição para auxiliar a instituição no cumprimento da decisão judicial que determinou a suspensão do recebimento de pacientes por 90 dias.
Já colocamos a estrutura da prefeitura municipal para auxiliá-los a cumprir a determinação judicial, porque a suspensão é por 90 dias e a juíza vai reavaliar esse prazo. A prefeitura está dando suporte à Beneficência Portuguesa, que é o Hospital Centenário
afirmou
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