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Polícia Federal abriu inquérito para investigar Grupo Fictor por tentativa de compra do Master
A Polícia Federal (PF) abriu inquérito para investigar o Grupo Fictor, que fez uma oferta para comprar o Banco Master, em novembro do ano passado, e entrou, no último domingo, 1º de fevereiro, com pedido de recuperação judicial noTribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). Em Ribeirão Preto, cerca de 90 pessoas e empresas têm aproximadamente R$ 53 milhões a receber da holding
Os crimes de que a empresa é suspeita são os de gestão fraudulenta, apropriação indébita, emissão de títulos falsos e operar instituição financeira sem autorização. No próprio pedido de recuperação judicial, o grupo menciona “eventuais ilícitos”.
O dono do Master Daniel Vorcaro afirmou à PF que tentou viabilizar a venda de seu banco à Fictor com a ajuda de investidores árabes. A operação, contudo, foi barrada pelo Banco Central (BC), que determinou a liquidação da instituição financeira devido a suspeitas de fraudes na emissão de R$ 12,2 bilhões em títulos falsos.
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O BC considerou que a tentativa de compra era uma forma de mascarar a crise pela qual passava o Master, sem recursos para honrar compromissos com credores. No pedido de recuperação judicial, a Fictor diz que busca viabilizar o pagamento de R$ 4 bilhões em dívidas de duas de suas empresas.
A companhia, por sua vez, diz que a medida que impediu a compra do Master afetou sua imagem. Os advogados do grupo justificaram o pedido de recuperação judicial como uma consequência de uma crise de liquidez que se iniciou após a empresa anunciar uma proposta de compra do Banco Master, em conjunto com fundos dos Emirados Árabes Unidos não identificados.
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No dia seguinte ao anúncio da oferta, 18 de novembro, o BC decretou a liquidação do Master, estendendo para a Fictor a crise de confiança na qual o banco já se encontrava. Com isso, desde essa data, os clientes do grupo pediram a retirada de 70% dos recursos que estavam investidos.
São quase R$ 2 bilhões, segundo o advogado da Fictor que coordena o processo de recuperação judicial, Carlos Deneszczuk, do escritório DASA Advogados. O grupo foi criado em 2007. É um conglomerado brasileiro de empresas com atuação em vários setores, principalmente agronegócio, energia e finanças.
No pedido de recuperação judicial enviado ao Tribunal de Justiça, o Fictor diz que acumula mais de R$ 4 bilhões em dívidas de duas de suas empresas e que pretende quitar os débitos sem desconto. Caso o TJ acate o pedido do banco, um administrador será nomeado.
Ele terá de elaborar um plano de recuperação judicial para apresentação aos credores, que precisam aprová-lo para que o Fictor possa renegociar contratos de acordo com sua capacidade de pagamento, respeitando o recolhimento de impostos e outras obrigações legais.
Dentre os 90 credores de Ribeirão Preto, um tem R$ 31 milhões a receber, cinco têm entre R$ 1 milhão e R$ 13 milhões, nove cobram entre R$ 400 mil e R$ 999 mil, dezoito esperam receber de R$ 200 mil a R$ 399 mil, dezessete têm entrR$ 100 mil e R$ 199 mil, 38 cobram de R$ 10 mil a R$ 99 mil, uma investiu R$ 720 e outro, R$ 200.
O Fictor afirma que a crise teve origem na forte repercussão midiática negativa envolvendo o grupo após a tentativa de aquisição do Banco Master. A liquidação extrajudicial da instituição financeira por parte do BC levou à suspensão do consórcio de investidores globais liderado pela holding, que previa um aporte imediato de R$ 3 bilhões.
Segundo a empresa, a exposição negativa provocou um descompasso temporário nos fluxos operacionais e resultou na rescisão de contratos com fornecedores de serviços. O impacto também se refletiu no mercado de capitais: as ações da Fictor Alimentos S.A., subsidiária do grupo listada na B3, registraram queda aproximada de 50% entre 17 de novembro e 1º de fevereiro, conforme informado ao Poder Judiciário.

