
A normalização da coleta de lixo em nossa cidade traz um suspiro de alívio, mas também deixa um questionamento incômodo no ar: estávamos preparados? A crise recente não foi apenas um problema de logística urbana, foi um espelho que refletiu a fragilidade da gestão de resíduos dentro dos nossos condomínios.
Como colunista e observador da vida em comunidade, noto que muitos prédios ainda tratam lixo como algo que “simplesmente desaparece” ao cruzar a porta do apartamento. Quando o caminhão não passa, o caos se instala. Mas o condomínio pode— e deve — ser um aliado da saúde pública.
A calçada é o espelho (e a responsabilidade) do prédio
Muitos síndicos ignoram, mas, juridicamente, enquanto o lixo está na calçada, a responsabilidade pela higiene e organização é do condomínio. Se os sacos rasgarem e a sujeira se espalhar, a conta chega: o prédio pode ser notificado pela fiscalização de posturas. O síndico é o gestor do impacto que o edifício causa no seu entorno. Portanto, o lixo só deve “ver a rua” quando a coleta for iminente.
Estratégia de Guerra: O poder do descartes eco
A melhor forma de enfrentar atrasos na coleta não é comprando mais sacos pretos, mas sim educando para a coleta seletiva. O que causa mau cheiro, chorume e atrai pragas é o lixo orgânico.
Se o morador separa rigorosamente o reciclável (papel, plástico, vidro e metal), ele consegue estocar esse material seco por muito mais tempo sem riscos sanitários. Isso reduz o volume da lixeira principal em até 60%. Em tempos de crise, a reciclagem deixa de ser “consciência ambiental” para se tornar “estratégia de sobrevivência”.
Infraestrutura e Higiene
Para suportar imprevistos, o condomínio precisa de:
- Capacidade de armazenamento: Área interna para pelo menos 3 dias de produção.
- Containers com tampa: Pilhas de sacos no chão são um convite aberto a ratos e baratas.
- Higiene reforçada: Além da lavagem com cloro ou quaternário de amônia, uma “dica de ouro” é o uso de cal virgem no fundo dos containers. Ela ajuda a secar resíduos de chorume e neutraliza o odor.
Guia de Contingência: Quem faz o quê?
Para que o condomínio não sucumba ao acúmulo de resíduos, cada peça dessa engrenagem precisa agir:
- Moradores: Comprimam garrafas PET e caixas de papelão. Pratiquem o “descarte seco”. Se a lixeira do prédio estiver no limite, tenha a cortesia de manter o lixo em sua área de serviço por algumas horas extras até o próximo aviso.
- Funcionários: Jamais coloquem o lixo na rua sem a certeza da passagem do caminhão. É preferível o lixo “escondido” e controlado dentro do prédio do que espalhado na avenida.
- Síndicos: Comunicação é tudo. Use o WhatsApp ou o app do condomínio para dar atualizações em tempo real. A transparência acalma os ânimos e evita descartes errados.
Fica a dica:
“A crise do lixo não se resolve apenas com mais caminhões, mas com menos volume. O condomínio que não recicla é um condomínio que ainda não despertou para os desafios do Século XXI.”
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