
Após audiência de custódia, juiz determinou que seja mantida a prisão preventiva até julgamento; defesa recorreu
Por: Adalberto Luque
Michele Cristina Feliciano vai a júri popular pela morte de sua mãe, Márcia Cristina Feliciano Costa, de 59 anos. A decisão foi proferida pelo juiz José Roberto Bernardi Liberal da 2ª Vara do Júri e das Execuções Criminais de Ribeirão Preto nesta quinta-feira (19).
Durante a audiência de custódia, foram ouvidas oito testemunhas e a ré prestou um longo depoimento. Segundo apurado pela reportagem, uma das testemunhas ouvidas foi o pai da ré, marido da vítima fatal. Michele foi ouvida remotamente da unidade onde está presa preventivamente.
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) achou a pena justa. Segundo o promotor Marcus Tulio Nicolino, responsável pela acusação, o resultado foi totalmente satisfatório.
“Nós pedimos que ela fosse levada a júri popular por feminicídio, em razão de meio cruel, recurso que impossibilitou a defesa da vítima e motivo fútil. As três qualificadoras foram atendidas. Ela vai por feminicídio triplamente qualificado”, Observa Nicollino.

O juiz, além de se pronunciar pela realização de júri popular, também manteve a prisão preventiva de Michele, que está presa desde 19 de setembro do ano passado, quando confessou o crime. A defesa informou que vai recorrer tanto em relação à realização do júri popular, quanto pela revogação da prisão preventiva.
Mas o MP acredita que a decisão seja mantida. “A defesa manifestou interesse em recorrer contra essa sentença. Com certeza esse caso será submetido ao Tribunal. Nós entendemos que não vá haver modificação alguma, vá a júri popular. Quando o processo voltar do Tribunal é que o juiz vai marcar a data do júri”, disse o promotor.
Entenda o caso
A ex-diretora de escola, Márcia Cristina Feliciano Costa, de 59 anos, morreu no dia 11 de setembro em uma área de lazer no Planalto Verde. A filha dela, Michele Cristina Feliciano, foi quem acionou a Polícia Militar.
Ela disse que estava enchendo balões para uma festa de aniversário e não viu o que aconteceu. A mãe estava caída ao lado do banheiro. O box de vidro estava estilhaçado e, sobre o corpo, havia uma barra de ferro, possivelmente da estrutura do box.

Michele apresentava ferimentos nas mãos e na perna. Alegou ter se machucado ao fazer massagem cardíaca na mãe, que estava com estilhaços do box sobre o corpo.
A médica responsável pela apuração do óbito ligou para o delegado e disse que havia ferimentos feitos com uma faca. A Delegacia de Homicídios convocou Michele para prestar novo depoimento. Ela foi acompanhada de um advogado.
Na noite de 19 de setembro ela foi presa temporariamente após confessar o crime. Alegou que teve uma briga com a mãe por causa de um aniversário de 15 anos e que só lembra de alguns flashes do que teria ocorrido.
Michele foi com a polícia até a área de lazer e indicou o local onde estava escondida a faca de cozinha usada no crime. A arma ainda tinha vestígios de sangue. Ela também disse que voltou a encher balões depois da morte da mãe. Márcia foi morta com 20 facadas.

