Avenida Nove de Julho é a ‘Paulista de Ribeirão’? Eventos e arte impulsionam retomada do espaço público

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A avenida Nove de Julho, um dos pontos mais tradicionais de Ribeirão Preto, tem ganhado um novo olhar e movimento através da realização de eventos culturais.

Para algumas pessoas, a comparação com a avenida Paulista, em São Paulo (que fecha para carros e abre para pedestres aos domingos e feriados), virou brincadeira, mas revela um movimento real de retomada do local como espaço de convivência.

Com eventos culturais, festivais gastronômicos e a chegada de uma nova unidade do Sesc à região, a tradicional avenida passa por um processo de reocupação que envolve produtores independentes, comerciantes e entidades empresariais.

Avenida Nove de Julho, em Ribeirão Preto
Avenida Nove de Julho, em Ribeirão Preto – Foto: Fernando Gonzaga/ CCS Ribeirão Preto

Ocupação coletiva

À frente de ações de bem-estar, qualidade de vida e desenvolvimento cultural há mais de 75 anos em Ribeirão Preto, o Sesc anunciou a aquisição do prédio da antiga sede da Recra, localizado na avenida Nove de Julho. A instituição vem apoiando diversos eventos realizados em frente a nova instalação e também inica neste domingo (22), o projeto “Música na Nove”, com apresentações gratuitas e estrutura para famílias.

Para Lucas Molina, gerente adjunto do Sesc Ribeirão Preto, as ações realizadas tem o objetivo de reconstruir o vínculo da cidade com o espaço.

A gente tem feito um movimento de reativar essa avenida com ações que a gente já faz em outros espaços da cidade, mas que dessa forma a gente tá canalizando ali pra frente da nova unidade

Lucas Molina

Ele também reforça que o processo não depende apenas da instituição e que esse trabalho de ocupação da Nove de Julho tem sido feito em diálogo com outros atores da cidade. “Então, você tem uma construção que vem sendo feita e que precisa também ter o aval e e o apoio da da da comunidade, não só de quem frequenta, mas aqui convive com aquele espaço.”

Para a produtora BlueBird, que realiza o projeto “Música na Nove” em parceria com o Sesc, a retomada da avenida Nove de Julho passa pela ocupação constante com arte, música e convivência.

Na avaliação de Gláucia Japur, sócia da produtora junto com Fred Sunwalk, que se apresenta no evento deste domingo, eventos gratuitos e ao ar livre ajudam a devolver o movimento a uma região que ficou esvaziada, principalmente durante as obras de restauração e revitalização.

É muito importante essa ocupação na avenida. Primeiro que é um lugar extremamente relevante para cidade, histórico. Quem é da cidade e viveu aqui nas décadas passadas, [sabe que] a vida circulou muito por ali e muito da vida cultural e o lazer das pessoas estava focada ali naquela região, na avenida e no seu entorno

Gláucia Japur

Ela também avalia que a movimentação cultural impacta diretamente o comércio e o cotidiano da região, além de tornar o espaço mais seguro e atrativo.

“A vinda desses eventos, trazendo as pessoas para circularem ali, a gente volta a movimentar o entorno, a movimentar o comércio, a levar as pessoas para lá […] eu acho que muito mais vulnerável às vezes a criminalidade sem eventos do que com eventos. Então a gente acaba é povoando mesmo ali, uma região que que está meio vazia, abandonada na cidade”, disse Gláucia.

Resgate histórico e pertencimento

Coletivos e produtoras independentes também têm intensificado a ocupação da Nove de Julho com festivais e eventos ao ar livre. Para Isabela Rodrigues, da produtora Coisa Boa, a escolha da avenida tem relação direta com sua história.

Eu acredito, acho que todos nós acreditamos, e até mesmo os produtores culturais que estão tentando trazer essa movimentação artística e cultural, escolhem a Nove de Julho, principalmente pelo passado e pela raiz que ela traz para a nossa cidade

Isabela Rodrigues

A produtora ainda destaca que esse movimento busca resgatar a potência do local. “O fomento da Nove de Julho é algo que que pode enriquecer cada vez mais e resgatar essa história da tradicional da avenida.”

Bruna Lapenta, também da Coisa Boa, afirma que esse processo de resgate da avenida é algo que deve ser pensado em coletivo e que no impacto direto da relação das pessoas com o espaço urbano.

A mudança nunca acontece por um lado só. Acontece na mão de muitos. É um fazer que acontece de forma coletiva, colaborativa, ativa […] então, tendo as produções, tendo os eventos, as pessoas começam a reconhecer que aquele lugar é um lugar possível para estar presente

Bruna Lapenta

Além do resgate histórico, os integrantes da produtora também enxergam na avenida Nove de Julho características urbanas que favorecem a consolidação do espaço como polo de convivência e cultura, como explica o produtor Felipe Marques.

Ela [a avenida] é um lugar plural, é um lugar onde pessoas de diversas classes sociais podem ocupar. Então, a gente não está num lugar que é elitizado, nem em um lugar que é mais distante, a gente está ali no meio da cidade, eu acho que é o coração pulsante, né? Uma artéria que liga vários pontos de Ribeirão

Felipe Marques

Cultura como motor de retomada

Do ponto de vista econômico, a retomada da avenida Nove de Julho passa diretamente pela ocupação cultural. A Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (Acirp) avalia que eventos, feiras e a chegada de equipamentos como o Sesc, têm papel estratégico na requalificação da área após o período de obras que impactou o comércio local.

Além de consumir nesses eventos, as pessoas que vêm em busca de um show ou produtos de uma feira também estão reinserindo a avenida em suas opções diárias. É um processo de retomada daquela região, que inclui a redescoberta de rotas e de empresas que atuam nessa área. A máxima ‘a gente precisa ver para lembrar’ é muito real

Sandra Brandani, presidente da Acirp

A associação ainda lembra que a avenida sofreu um forte esvaziamento durante as intervenções estruturais, o que afetou diretamente lojistas e empreendedores. Essa nova circulação de pessoas, no entanto, é vista como oportunidade de reposicionamento.

A avenida teve um esvaziamento muito grande durante as obras de infraestrutura. Essa nova circulação de pessoas pela regiã abre novas oportunidades para os empreendedores. Visão de negócio é isso, é identificar uma mudança e agir enquanto ela está em curso, observando o comportamento do consumo e da própria cidade.”

A retomada da avenida Nove de Julho também é defendida pela Prefeitura como estratégia de valorização histórica e fortalecimento do turismo. Segundo a secretária de Cultura e Turismo, Maria Eugênia Biffi, a ocupação do espaço é um movimento planejado de reconexão da cidade com um de seus principais cartões-postais.

“Ressignificar e reocupar a Nove é reconhecer e valorizar sua importância histórica para Ribeirão Preto. Após tantos anos de abandono, nossa gestão, em parceria com entidades e a sociedade civil, trabalha para fortalecer a cultura, o comércio e o turismo local por meio da ocupação da avenida com eventos e atividades que estimulem o sentimento de pertencimento e o reconhecimento desse importante patrimônio cultural do município”, disse.


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