
O câncer de pênis provocou quinze amputações do órgão nos hospitais de Ribeirão Preto entre 2021 e 2025. Os dados foram repassados ao Tribuna Ribeirão pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), a partir de levantamento junto ao Ministério da Saúde. De acordo com o levantamento, em 2021 foi realizada uma amputação; em 2022, quatro cirurgias; em 2023, três casos; em 2024, cinco amputações; e, em 2025, duas. No mesmo período, esse tipo de câncer levou à morte quatro pessoas na cidade.
Já em todo o país, o total de amputações do órgão genital masculino causadas por câncer, no mesmo período, totalizou 2.949 casos, segundo dados do Ministério da Saúde compilados pela Sociedade Brasileira de Urologia.
Os dados foram extraídos do Sistema de Informações Hospitalares (SIH/SUS) e do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde.
Além das amputações, os registros mostram que 2.359 pessoas morreram pela doença no Brasil. Atualmente, a SBU promove uma campanha nacional de conscientização para informar a população sobre os sinais precoces do câncer de pênis e reforçar a importância das medidas de prevenção.
“Apesar de ser uma doença amplamente prevenível, o câncer de pênis ainda provoca mutilações evitáveis todos os anos no Brasil, principalmente em decorrência do desconhecimento, do estigma e do diagnóstico tardio. Trata-se de um tumor raro nos países desenvolvidos, mas que ainda apresenta incidência significativa no Brasil, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, onde se concentram os maiores índices da doença”, afirma Roni de Carvalho Fernandes, presidente da Sociedade Brasileira de Urologia.
Segundo o urologista, a infecção pelo HPV é uma causa frequente entre os casos de câncer no pênis. Por isso, uma das principais medidas de prevenção é a vacinação contra o vírus, disponível no Programa Nacional de Imunizações (PNI) para meninos e meninas de nove a 14 anos e imunossuprimidos até os 45 anos.
Junto à proteção contra o HPV, outras medidas importantes de prevenção do câncer de pênis envolvem o uso de preservativo, as práticas de higiene íntima e a postectomia, também conhecida como circuncisão, para retirada da fimose, quando clinicamente indicada por um profissional de saúde.
Entre as medidas de cuidado com o pênis, a SBU reforça a higienização diária do órgão com água e sabão, puxando o prepúcio para remoção do esmegma (secreção esbranquiçada que se acumula sob o prepúcio), inclusive após as relações sexuais.
Detecção precoce
Além de ser fácil de evitar, quando detectada de forma precoce, no momento em que as células cancerígenas ainda estão localizadas na superfície do pênis, as chances de cura da doença são altas.

“O câncer de pênis tem comportamento previsível quando identificado precocemente. Lesões iniciais podem ser tratadas com procedimentos conservadores, preservando a função urinária e sexual. O grande problema é que muitos pacientes chegam após meses ou anos de evolução, quando a amputação parcial ou total passa a ser a única alternativa”, diz Rui Mascarenhas, supervisor da Disciplina de Câncer de Pênis da SBU.
Para a Sociedade Brasileira de Urologia, um entrave para diminuir os casos da doença ainda é a falta de informação, o preconceito e o tabu que envolvem o tema, o que faz com que muitos homens só procurem atendimento quando a doença já está em estágio avançado. De acordo com a SBU, o câncer de pênis é mais incidente em homens com 50 anos ou mais.
Os sintomas iniciais da doença incluem ferida que não cicatriza na glande ou no corpo do pênis, sangramento sob o prepúcio, secreção com forte odor, espessamento, irregularidade ou alteração na cor da pele da glande e o aparecimento de nódulos (ínguas) na região da virilha.
Segundo o médico Fernando Korkes, coordenador do Departamento de Uro-Oncologia da Sociedade Brasileira de Urologia, o tratamento pode incluir a realização de biópsias, remoção das lesões, uso de cremes ou cirurgias de maior porte, em alguns casos. Em situações em que a doença está mais avançada e acometendo os gânglios da virilha, podem ser necessárias cirurgias adicionais nessa região, quimioterapia ou imunoterapia. Em alguns casos, radioterapia também pode ser indicada.
Em relação aos óbitos pela doença, o levantamento da SBU mostra que eles ocorrem principalmente nas regiões Norte e Nordeste. Para o coordenador do Departamento de Uro-Oncologia da entidade, um dos principais fatores para isso é o menor acesso aos serviços de saúde.
Ribeirão Preto registrou um caso de câncer de próstata por dia
Dados da Secretaria Municipal de Saúde de Ribeirão Preto revelam que a cidade registrou, no ano passado, 402 novos casos de câncer de próstata — uma média de 1,1 caso por dia. Já o total de mortes em função da doença, no mesmo período, foi de 55 óbitos. Este tipo de câncer é o segundo mais comum em homens, atrás apenas do de pele não melanoma.

Segundo dados do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (HCRP), por ano são realizados 3.500 atendimentos ambulatoriais ligados a suspeitas de câncer de próstata. Também são feitas cerca de 160 cirurgias anuais e, atualmente, existem 42 pacientes já indicados para o procedimento cirúrgico. Desse total, oito já estão prontos para serem operados e 34 finalizando exames e avaliações pré-operatórias.
Em Ribeirão Preto, o atendimento inicial, em caso de suspeita, é feito pelas Unidades Básicas de Saúde (UBS), que, após triagem, encaminham o paciente para os serviços especializados do município.
Total de casos de câncer de próstata em Ribeirão Preto – 2025
Janeiro – 30
Fevereiro – 30
Março – 31
Abril – 38
Maio – 28
Junho – 40
Julho – 36
Agosto – 33
Setembro – 47
Outubro – 33
Novembro – 23
Dezembro – 33
Total – 402
Fonte – Secretaria Municipal de Saúde
Amputações de pênis em Ribeirão Preto
2021 – 1
2022 – 4
2023 – 3
2024 – 5
2025 – 2
Total – 15
Fonte – Sociedade Brasileira de Urologia

