
Por: Adalberto Luque –
Um homem foi preso, na manhã desta quarta-feira (11) no âmbito da Operação Línea Rubra. A ação foi realizada pela Polícia Civil de Rio Claro e o alvo em Ribeirão Preto foi preso por integrantes do Grupo de Operações Especiais da Divisão Especializada de Investigações Criminais (GOE/DEIC).
Segundo o delegado Paulo Haddich, o detido em Ribeirão Preto tem ligação direta com o grupo que operava o tráfico de drogas a partir de Rio Claro, mas oriundo da fracção criminosa. Victor Luís Gomes de Albuquerque, de 29 anos, foi preso em sua residência, no Jardim Piratininga, zona Oeste de Ribeirão Preto.

Ele foi levado à Central de Polícia Judiciária (CPJ) e, de lá, encaminhado para uma unidade prisional. A reportagem do Tribuna não conseguiu contato com sua defesa. Haddich disse que o homem seguirá preso em Ribeirão Preto.
A operação
A Operação Línea Rubra é resultado de uma investigação realizada pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Rio Claro. Foi deflagrada em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Piracicaba e mobilizou 120 policiais civis e três promotores de Justiça para o cumprimento de 26 mandados de busca e apreensão e 19 de prisão preventiva.
A ação também contou com apoio do helicóptero Pelicano, da Polícia Civil, e da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo. As medidas judiciais incluem ainda o sequestro de 12 imóveis, bloqueio de R$ 33,6 milhões em contas bancárias e apreensão de 39 veículos, além de outros bens que ainda estão em fase de bloqueio.
Segundo as investigações, a organização criminosa é suspeita de atuar no tráfico de drogas e armas, lavagem de dinheiro e homicídios, com presença predominante em Rio Claro e região.
A investigação apurou que o aumento da violência na cidade ocorreu após disputa territorial envolvendo o grupo liderado por Anderson Ricardo de Menezes, conhecido como “Magrelo”, e integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). Em maio de 2023, outra operação da Polícia Civil desarticulou a estrutura comandada por Magrelo, criando um espaço que passou a ser ocupado por Leonardo Felipe Panono Scupin Calixto, conhecido como “Bode”.
As apurações indicam que, diferentemente do grupo anterior, Calixto teria ligação com o Comando Vermelho (CV), atuando como uma das lideranças da facção no interior paulista. Ele e um de seus principais colaboradores, Luan Barbosa de Almeida Félix, são considerados foragidos e há indícios de que estejam escondidos em comunidades do Rio de Janeiro controladas pela facção.

De acordo com Haddich, a organização possui estrutura hierarquizada e divisão de tarefas. O grupo utilizaria veículos adaptados com compartimentos ocultos para transporte de drogas e dinheiro, além de empresas e pessoas interpostas para ocultar patrimônio. A movimentação financeira identificada pelos investigadores ultrapassou R$ 1,19 milhão em menos de um mês, valor associado ao tráfico de drogas e à comercialização ilegal de armas.
As apurações também apontam a existência de um núcleo responsável pela lavagem de dinheiro, formado por familiares, pessoas de confiança e empresários. Os recursos seriam inseridos no sistema financeiro por meio de transferências via PIX, TED e depósitos em dinheiro, direcionados a contas bancárias abertas em nome de terceiros e utilizadas como intermediárias para dificultar o rastreamento dos valores.
As investigações permitiram identificar os integrantes da organização, suas funções e parte do patrimônio ligado às atividades investigadas. A operação busca desarticular a estrutura logística, financeira e operacional do grupo na região.
Além do preso em Ribeirão Preto, outras quatro pessoas foram detidas em Indaiatuba, São Carlos e dois em Rio Claro, um deles empresário dono de concessionária de veículos. Os suspeitos procurados por mandado de prisão que não foram encontrados são considerados foragidos e seguem sendo procurados. As investigações prosseguem.

