
Punição deve ter caráter administrativo, com a proibição de frequentar arenas esportivas por dois anos, bem como criminal, implicando na prestação de serviços à comunidade
Após receber notícia enviada pelo delegado César Saad, titular da Delegacia de Polícia de Repressão aos Delitos de Intolerância Esportiva, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) requisitou informações à Federação Paulista de Futebol (FPF) e ao Comercial Futebol Clube sobre a identidade dos torcedores que proferiram ofensas misóginas à médica do Nacional Atlético Clube, Bianca Francelino de Oliveira, durante partida da Série A4 do Campeonato Paulista, no último sábado, 7 de março, véspera do Dia Internacional da Mulher.
A Promotoria do Juizado Especial Criminal (JECRIM) pretende impor punições severas aos autores dos ataques, apontando os crimes de ato obsceno, ameaça e provocação de tumulto em evento esportivo. A sanção deve ter caráter administrativo, resultando na proibição de frequentar arenas esportivas por dois anos, bem como criminal, implicando a prestação de serviços à comunidade pelo período de um ano.
O promotor Paulo José Freire Teotônio, que formalizou o requerimento à FPF e ao clube de Ribeirão Preto nesta quarta-feira, 11 de março, enfatiza que não se pode admitir tamanho desrespeito a quem está trabalhando, justamente na véspera do Dia Internacional da Mulher. De acordo com ele, a punição servirá para evitar a disseminação da intolerância, misoginia e falta de empatia em eventos desportivos.
A FPF informou que o caso será analisado pelo Tribunal de Justiça Desportiva. s ministérios do Esporte e das Mulheres, em nota conjunta, repudiaram o caso de assédio no Estádio Palma Travassos. O Comercial venceu o NAC cor 2 a 0. Foi a primeira vitória do Leão do Norte em casa na Série A4, manchada por um episódio lamentável de misoginia.
Segundo relato da árbitra da partida, Ana Caroline D’Eleutério de Sousa Carvalho, a médica do Nacional fez uma denúncia ao final do primeiro tempo
entrando no gramado e relatando ter sido vítima de misoginia e ofensas vindas de torcedores que estavam no alambrado, atrás do banco de reservas do time da capital.
A confusão aconteceu no final do primeiro tempo, quando a médica entrou no gramado para fazer um atendimento a um jogador do time da capital. A doutora Bianca Francelino prestava serviço de freelancer para o Nacional e viu quando um torcedor a ofendeu e fez gestos obscenos, agitando as próprias partes íntimas para a médica.
O marido e outros familiares da profissional estavam no estádio e desceram da arquibancada para tirar satisfações com o torcedor, gerando confusão no intervalo. A árbitra acionou o protocolo de assédio e racismo, erguendo os braços cruzados (como determina a Fifa) e o jogo ficou paralisado. O episódio foi relatado na súmula pela árbitra.
No dia seguinte ao fato o Comercial divulgou uma nota, alegando ter identificado o torcedor. “O Comercial Futebol Clube repudia e lamenta o assédio sofrido pela médica Bianca Francelino, no jogo contra o Nacional, neste sábado (7)”, diz.
“A doutora Bianca, residente em Ribeirão Preto, prestava serviço freelancer para o clube da capital, quando sofreu atos misóginos vindos de um torcedor. O Comercial informa que esse torcedor já foi identificado pelas autoridades e funcionários da Federação Paulista de Futebol (FPF), que adotarão todas as medidas judiciais cabíveis”, emenda.
Os ministérios do Esporte e das Mulheres, em nota conjunta repudiaram o caso.
Veja nota conjunta das pastas
Os Ministérios do Esporte e das Mulheres repudiam e condenam veementemente o episódio de assédio cometido por torcedores do Comercial de Ribeirão Preto contra a médica Bianca Francelino, durante partida pela Série A4 do Campeonato Paulista, realizada no último sábado.
Mais uma vez, o futebol brasileiro foi palco de uma atitude absolutamente inadmissível. Nenhuma mulher deve ser constrangida ou desrespeitada enquanto trabalha, seja dentro ou fora dos estádios.
O caso causa ainda mais indignação por ocorrer justamente no mês dedicado à valorização e à luta pelos direitos das mulheres.
Os Ministérios manifestam solidariedade à Dra. Bianca Francelino e reforçam que assédio é violência e deve ser combatido com firmeza. O esporte precisa ser um ambiente de respeito e segurança para todas.
Também reconhecem a adoção do protocolo de enfrentamento ao assédio durante a partida e esperam a apuração rigorosa dos fatos pelas autoridades competentes.
No dia seguinte ao episódio o Comercial também se manifestou:
“O Comercial é plural e de todos. Machistas, racistas, homofóbicos e todos os tipos de preconceituosos não são bem-vindos no Estádio Palma Travassos.
O Leão do Norte volta a campo no próximo sábado (14), às 15h30, contra o Araçatuba, fora de casa.
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