Ribeirão poderá ter Samu Mental

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Projeto de lei em análise na Câmara de Vereadores de Ribeirão Preto quer instituir, na cidade, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para Saúde Mental. A proposta é destinada ao atendimento de pessoas em situação de crise psíquica e transtornos mentais agudos.

O projeto, de autoria do vereador Danilo Scochi (MDB) precisa ser aprovado na Câmara e depois sancionado pelo prefeito Ricardo Silva (PSD) para ser implantado.

Segundo a proposta, o Serviço terá como objetivos prestar atendimento imediato e humanizado a pessoas em situação de crise psicológica, psiquiátrica ou psicossocial; reduzir riscos de agravamento do quadro clínico; prevenir situações de violência ou autoagressão; e apoiar familiares e pessoas próximas no manejo de situações de crise.

O atendimento será realizado por equipes especializadas ou capacitadas em saúde mental, integradas ao atual Samu, e será composto preferencialmente por médico psiquiatra ou médico capacitado em saúde mental, psicólogo, enfermeiro, técnico ou auxiliar de enfermagem e condutor socorrista.

O serviço deverá atuar de forma integrada com a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), especialmente com Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), Unidades Básicas de Saúde (UBS), Unidades de Pronto Atendimento (UPA), hospitais da rede pública ou conveniada e serviços de assistência social.

Segundo o vereador Danilo Scochi, a saúde mental tornou-se um dos maiores desafios da saúde pública contemporânea. Situações como surtos psicóticos, crises de ansiedade extrema, episódios de agressividade, tentativas de suicídio e crises associadas ao Transtorno do Espectro Autista (TEA) demandam intervenção rápida, técnica e humanizada.

Em fevereiro, a Prefeitura de Ribeirão Preto inaugurou o Serviço de Transporte Inter-Hospitalar. O novo serviço é destinado exclusivamente à transferência de pacientes das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) para os hospitais da cidade. O serviço funciona na Rua João Nutti, 1.000, no Jardim Paulista, ao lado da UPA Leste da Avenida Treze de Maio.

Com o novo serviço, que conta com seis ambulâncias para o transporte de pacientes, as 17 ambulâncias de suporte básico e avançado do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) passaram a ser destinadas exclusivamente a atendimentos emergenciais, como acidentes de trânsito ou chamadas urgentes da população, como em casos de mal súbito.

As quatro UPAs da cidade são administradas pela Fundação Hospital Santa Lydia.

Estudos da Fundação Seade revelam que a Região de Ribeirão Preto apresenta taxa de mortalidade por suicídio superior a 7,5 óbitos por 100 mil habitantes, índice acima da média estadual, que é de 5,2 óbitos.

 

Saúde mental avança como desafio no Brasil e em São Paulo

A saúde mental tem se consolidado como um dos principais desafios da saúde pública no Brasil. Dados do Ministério da Saúde indicam que transtornos como depressão e ansiedade apresentam alta prevalência, com estimativa de que a depressão atinja cerca de 15,5% dos brasileiros ao longo da vida.

O cenário se agravou nos últimos anos, especialmente após a pandemia de covid-19. Levantamentos apontam aumento significativo nos casos de ansiedade e depressão, com impacto direto no sistema de saúde e no mercado de trabalho. Em 2024, mais de 140 mil afastamentos do trabalho foram motivados por transtornos de ansiedade, além de mais de 113 mil por episódios depressivos, segundo dados divulgados pela Agência Brasil com base em informações oficiais.

Saúde mental tem se consolidado como um dos principais desafios da saúde pública no Brasil | Reprodução

Em 2025, o país registrou mais de 546 mil afastamentos por problemas de saúde mental, consolidando essas condições entre as principais causas de incapacidade laboral. Outro indicador de alerta é o suicídio, com mais de 13 mil mortes por ano no Brasil, majoritariamente associadas a transtornos mentais.

No estado de São Paulo e em regiões como Ribeirão Preto, os indicadores seguem a tendência nacional, com alta demanda por atendimento psicossocial. A principal estrutura de atendimento é a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), que integra CAPS, unidades básicas, hospitais e serviços de urgência e emergência no Sistema Único de Saúde (SUS).

Diante desse cenário, o Ministério da Saúde iniciou em 2026 uma Pesquisa Nacional de Saúde Mental para mapear a prevalência dos transtornos e orientar políticas públicas em todo o país.

 

Samu Saúde Mental ganha espaço no país

A especialização do atendimento de urgência em saúde mental tem avançado no Brasil como resposta ao aumento das crises psíquicas. Embora o Samu 192 já atenda ocorrências como surtos, tentativas de suicídio e episódios de agressividade, esse atendimento ainda não é estruturado de forma específica na maioria das cidades.

Nos últimos anos, algumas capitais e estados passaram a implantar modelos voltados ao chamado Samu Saúde Mental, com equipes capacitadas e integração com a rede pública. Na cidade de São Paulo, o programa inclui ambulâncias e atendimento direcionado a crises psíquicas, articulado com a rede municipal.

Outras experiências também vêm sendo registradas. No Distrito Federal, o Samu realiza milhares de atendimentos relacionados à saúde mental por ano. Já em cidades como Porto Alegre e em iniciativas no Rio Grande do Sul, equipes especializadas passaram a atuar dentro da estrutura do serviço, ampliando a capacidade de resposta.

Essas iniciativas seguem diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS), que prevê atendimento integral por meio da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), com integração entre urgência, atenção básica e serviços especializados.

Especialistas apontam que a ampliação do Samu Saúde Mental pode reduzir riscos de agravamento dos quadros, evitar situações de violência e qualificar o encaminhamento dos pacientes dentro da rede pública de saúde.

Fontes: Ministério da Saúde; prefeituras de São Paulo e Porto Alegre; Governo do Distrito Federal; Secretaria da Saúde do Rio Grande do Sul.



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