O recente caso da menina de 11 anos que morreu eletrocutada em um condomínio em Interlagos, na zona sul de São Paulo, acendeu um alerta crítico para gestores em todo o país. A criança foi encontrada em uma casa de máquinas, área que deveria estar isolada, após tocar em fios expostos enquanto brincava de esconde-esconde. O indiciamento do subsíndico por homicídio culposo levanta questões fundamentais sobre os limites da responsabilidade de quem administra um condomínio.
Abaixo, analisamos os principais pontos jurídicos que envolvem acidentes em áreas comuns e as implicações para síndicos e auxiliares.
A Primazia da Responsabilidade do Síndico
Embora o subsíndico tenha sido indiciado no caso citado, a legislação brasileira é clara. De acordo com o Código Civil (Art. 1.348, V), compete ao síndico diligenciar a conservação e a guarda das partes comuns. O subsíndico exerce um papel de auxílio, mas a representação legal e a obrigação primordial de garantir a segurança das infraestruturas, como o isolamento de casas de máquinas, recaem sobre o síndico.
Caracterização da Omissão e Negligência
A omissão do gestor se configura quando há o descumprimento do dever de manutenção preventiva ou corretiva. No episódio de Interlagos, relatórios e vídeos indicaram que a fiação estava exposta e não havia um portão de isolamento no momento do acidente. Deixar de agir diante de um perigo visível e previsível caracteriza negligência direta no dever de conservação da edificação.
Responsabilidade Criminal e o Dever de Vigilância
No Direito Penal, o síndico ocupa a posição de “garante”, ou seja, aquele que tem o dever jurídico de evitar o resultado danoso. Mesmo que tarefas de fiscalização sejam delegadas a funcionários ou ao subsíndico, o síndico pode responder por culpa in vigilando. Isso ocorre quando há falha no dever de supervisionar se as normas de segurança estão sendo efetivamente cumpridas.
O Mito da “Gestão Anterior”
Uma alegação comum em defesas jurídicas é a de que o problema foi herdado de administrações passadas. Contudo, essa justificativa raramente isenta o gestor atual. Ao assumir o cargo, o síndico deve realizar inspeções e auditorias nas áreas comuns. Se uma falha grave, como a ausência de barreiras físicas em áreas de risco, persiste durante sua gestão sem providências, a responsabilidade pela omissão é transferida ao gestor em exercício.
Provas e Consequências Financeiras
Laudos periciais, fotos de moradores e registros de manutenção são provas cruciais. No caso de Interlagos, fotos tiradas dois dias antes do acidente mostravam a desorganização e o perigo do local.
Em termos financeiros, o condomínio geralmente responde civilmente perante a vítima. No entanto, o condomínio possui o direito de regresso contra o síndico. Se ficar provado que o gestor agiu com culpa grave ou negligência deliberada, ele poderá ser compelido judicialmente a ressarcir o condomínio pelos valores pagos em indenizações.
Proteção Jurídica e Zelo na Gestão
Para se proteger de indiciamentos criminais e processos civis, a única via segura é o cumprimento rigoroso de cronogramas de manutenção e a interdição imediata de áreas de risco. A agilidade na correção — como a instalação de portões e sinalização adequada — é o que diferencia juridicamente uma fatalidade de um crime de omissão. A segurança dos moradores deve ser sempre o pilar inegociável de qualquer administração condominial.
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