| Por: Alfredo Risk e Adalberto Luque |
A Polícia Civil voltou tomar depoimentos de testemunhas no caso do copo de açaí envenenado por terbufós, princípio ativo do “chumbinho”, na manhã desta terça-feira (7). O inquérito que apura o suposto crime, foi concluído no final do mês de março, com o indiciamento de Larissa Batista de Sousa por tentativa de homicídio contra seu namorado Adenilson Ferreira parente, de 27 anos.
O Ministério Público de São Paulo (MPSP), todavia, não autorizou a prisão temporária da suspeita e remeteu o inquérito novamente para a Polícia Civil. Segundo o promotor Eliseu Berardo Gonçalves, ainda é preciso esclarecer alguns elementos.
Segundo o representante do MP, é preciso saber como foi feito o lacre, se é possível retirá-lo sem romper e reaplicá-lo, entre outras dúvidas. Berardo também quer saber a possível motivação do crime. Ele explicou que a própria Larissa disse, em depoimento, que o namorado estava com dinheiro em espécie, entre R$ 18 mil e R$ 20 mil no dia do envenenamento. O dinheiro seria usado para a compra de um carro.

O MP quer saber se Larissa teria, supostamente, envenenado o companheiro na esperança de deixá-lo sem capacidade de reação para que pudesse se apropriar desse dinheiro, o que seria um crime patrimonial. “Mas isso são ilações, são possibilidades que vamos examinar para chegarmos ao resultado definitivo”, disse.
A expectativa de Berardo é, através da oitiva da irmã da vítima, descobrir mais informações sobre o dinheiro que Larissa teria dito estar na casa no dia do envenenamento. Quanto a carta escrita pela vítima, declarando acreditar na inocência da namorada, Berardo disse que não há influência no caso.
O promotor informou que isso pode ser usado pela defesa no Tribunal do Júri, caso ele comprove que houve mesmo o crime. Mas se isso ocorrer, ele vai apresentar denúncia e cabe aos jurados acatarem ou não a tese ou o perdão do homem à namorada.
O lacre
No depoimento da funcionária da açaíteria, que teria preparado os copos comprados pelo casal, foi dito que seria uma fina fita adesiva e existe a possibilidade, segundo Berardo, de removê-la para, por exemplo, aplicar o veneno e, em seguida, reaplicá-la. Para Berardo, praticamente não resta mais dúvidas de que teria sido Larissa quem aplicou o veneno.
Com os depoimentos no período da tarde, o promotor espera encerrar o inquérito. “Dependendo do que for apurado, eu posso oferecer denúncia ou arquivar o caso. E no caso de oferecer denúncia, posso então solicitar ou não a prisão preventiva dela”, acrescentou.
A reportagem não conseguiu contato com a defesa de Larissa. Mas ela sempre negou que tivesse envenenado Adenilson.
Entenda o caso
Adenilson e Larissa decidiram comprar o açaí aproveitando oferta em um aplicativo de delivery de gêneros alimentícios. Eles optaram por retirar os dois copos no estabelecimento, que fica próximo à residência onde moram. Isso ocorreu no dia 5 de fevereiro.

O casal foi até o local de carro. Larissa desceu e apanhou os dois copos, voltando para o carro onde estava Adenilson. Chegaram em casa, onde uma câmera de segurança de um vizinho registrou tudo por imagens. Larissa entra com seu copo, mas Adenilson deixa o dele no chão e sai com o carro. Ela volta e apanha o copo.
Ele chega mais duas vezes e sai logo em seguida, até finalmente chegar e entrar em casa. Pouco depois, o casal sai e volta à açaiteria. Eles devolvem o produto e voltam para casa.
Pouco mais tarde, familiares de Adenilson chegam na casa. Em seguida, saem amparando o rapaz e o colocam no carro para levá-lo até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da avenida 13 de Maio, onde, diante de seu quadro, foi transferido para o HC-UE, sendo entubado e internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Adenilson, que recebeu alta no dia 15 de fevereiro. Ele prestou depoimento na delegacia e voltou a morar com a namorada. O laudo do IC constatou a presença de terbufós, princípio ativo do “chumbinho” no copo de açaí consumido por Adenilson.
O MP negou o pedido de prisão preventiva contra a jovem. O promotor Eliseu Berardo entendeu que faltam provas contra Larissa e devolveu o inquérito para a Polícia Civil, com questões a serem esclarecidas em relação ao lacre usado no copo e à motivação do crime.
