Missão capta o ‘pôr da Terra’

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Um dia após o histórico sobrevoo lunar, a Nasa divulgou novas imagens impressionantes feitas pela tripulação americana-canadense

Depois de alcançar a maior distância já percorrida por humanos no espaço,e  após contornar o lado oculto da Lua na última segunda-feira, 6 de abril, a Artemis II iniciou a viagem de volta à Terra. A missão superou o recorde de distância anteriormente estabelecido pela Apollo 13 na década de 1970, atingindo 406.771 km e ultrapassando os 400.171 km do recorde anterior.

Durante o sobrevoo lunar, a tripulação teve uma visão inédita da Lua, incluindo regiões próximas aos polos. Um eclipse solar total saudou os tripulantes, enquanto o satélite bloqueava temporariamente o Sol. Victor Glover destacou o “terminador”, a linha que separa o dia da noite na Lua.

“Quem me dera ter mais tempo para sentar e descrever o que vejo”, comentou, antes de repassar as observações aos cientistas na Terra. Os astronautas também fotografaram e estudaram formações geológicas, como antigos fluxos de lava e crateras.

Eles propuseram nomes para duas crateras: uma em homenagem ao apelido da nave, Integrity, e outra em memória da falecida esposa do comandante, Carroll. “Crateras Integrity e Carroll, recebido alto e claro. Obrigado”, respondeu Jenni Gibbons, do controle da missão em Houston.

A Nasa informou que os nomes serão submetidos à União Astronômica Internacional, órgão responsável por oficializar a nomenclatura de corpos celestes e acidentes geográficos lunares. “Em nome de toda a humanidade, vocês estão indo além dessa fronteira”, disse também.

Jeremy Hansen acrescentou que o feito foi pensado “para desafiar esta geração e a seguinte, garantindo que o recorde não dure muito tempo”. A cápsula Orion segue agora em uma “trajetória de retorno livre” para a Terra, com acompanhamento contínuo da equipe de controle da missão.

Os astronautas da missão Artemis II estarão para sempre ligados à Apolo 8. Um dia após o histórico sobrevoo lunar, a Nasa divulgou novas imagens impressionantes feitas pela tripulação americana-canadense.

Os quatro astronautas recriaram a famosa foto Earthrise (“nascer da Terra”), registrada pela Apolo 8 em 1968 – e que se tornou um símbolo do movimento ambiental moderno, com a sua própria versão: Earthset (“pôr da Terra”), que mostra o planeta se pondo atrás da superfície da Lua.

Além do “pôr da Terra”, os astronautas também fizeram a captura de um eclipse solar total, que ocorreu quando a Lua bloqueou o Sol do ponto de vista da tripulação.

Durante os próximos quatro dias, os astronautas devem monitorar sistemas da nave e realizar experimentos científicos planejados antes da reentrada na Terra. Horas após a tripulação alcançar a maior distância já registrada por seres humanos e realizar um sobrevoo da Lua, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, conversou com os astronautas da Artemis II.

Durante a conversa, Trump elogiou o feito dos quatro tripulantes. “Os humanos realmente nunca viram nada como o que vocês estão fazendo. É realmente especial”, afirmou. O presidente também disse que os Estados Unidos seguirão liderando a exploração espacial.

A tripulação relatou detalhes da passagem pelo lado oculto da Lua, momento em que ficou temporariamente sem comunicação com a Terra. Questionado sobre a experiência, o piloto Victor Glover disse que aproveitou o período para realizar observações científicas.

O astronauta canadense Jeremy Hansen, o primeiro de seu país a participar de uma missão lunar, agradeceu o apoio americano e defendeu a continuidade da cooperação internacional na exploração espacial.

A Nasa, a agência espacial dos Estados Unidos, divulgou novas fotos da Lua feitas pela tripulação da missão Artemis II a partir da cápsula Orion, incluindo imagens de parte do lado oculto do satélite – o hemisfério que nunca é visível da Terra.

A imagem mostra parte do lado oculto da Lua. O lado visível aparece à direita, identificado pelas manchas escuras formadas por antigos fluxos de lava. À esquerda, surge o lado oculto, com terreno mais claro e craterado.

Um dos destaques é a Bacia de Orientale, uma cratera de quase mil quilômetros de diâmetro que fica na divisa entre os dois hemisférios. Da Terra, só é possível enxergar as bordas da estrutura. Nas imagens da Artemis II, ela aparece inteira pela primeira vez aos olhos humanos.

“A Lua que estamos vendo não é a Lua que você vê da Terra de jeito nenhum”, disse a astronauta Christina Koch durante transmissão ao vivo da missão.  A bordo estão os astronautas americanos Reid Wiseman (comandante), Victor Glover e Christina Koch, além do canadense Jeremy Hansen, a primeira missão tripulada a deixar a órbita terrestre desde o programa Apollo.

É a primeira vez que uma mulher, um homem negro e um cidadão não americano participam de uma missão à Lua. A Artemis II é o primeiro voo tripulado do programa homônimo da Nasa, que tem como objetivo retornar astronautas à superfície lunar até 2028, antes que a China o faça, e estabelecer uma presença americana permanente na Lua ao longo da próxima década.



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