‘Comece cedo, porque envelhecer bem não é sorte, é uma construção’, alerta geriatra

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  • O geriatra Marcio Trajano afirma que a geriatria deve ser iniciada cedo, não apenas na velhice.
  • Ele destaca que a especialidade vai além de tratar doenças de idosos, buscando autonomia e qualidade de vida.
  • Segundo Trajano, o envelhecimento traz múltiplas doenças, uso de vários medicamentos e necessidade de coordenação entre especialistas.
  • O papel do geriatra é organizar esse cuidado e preservar a funcionalidade do paciente.

A ideia de que o médico geriatra é um profissional a ser procurado apenas na velhice ainda é comum. Porém, equivocada, segundo o Dr. Marcio Trajano, especialista na área.

O profissional explica que cada vez mais a geriatria vem sendo compreendida como uma área essencial para quem deseja viver mais e chegar à terceira idade com autonomia, independência e qualidade de vida.

“A geriatria não é só cuidar de doença de idoso, como muita gente pensa. É cuidar de gente que acumulou e ainda está acumulando tempo”, diz o médico. Segundo ele, o avanço da idade traz consigo uma série de complexidades, como múltiplas doenças, uso de vários medicamentos e acompanhamento com diferentes especialistas. Nesse cenário, o papel do geriatra é organizar esse conjunto e preservar o que realmente importa: a funcionalidade do paciente.

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O foco, de acordo com o médico, não é apenas aumentar a longevidade, mas garantir que os anos sejam vividos com lucidez, independência e bem-estar. E, para ele, esse trabalho deve começar antes do que muitas pessoas imaginam.

“O momento ideal é começar não lá na frente, mas aqui pelos 40, 50, 60 anos. Às vezes até antes, dependendo do contexto”, afirma.

O geriatra explica que, quando a fragilidade já está instalada, o tratamento se torna mais difícil. Por outro lado, a atuação precoce permite prevenir ou retardar problemas de forma mais eficaz.

Cuidados

O acompanhamento antecipado envolve uma série de cuidados que vão além do controle de doenças e inclui ajustes no sono, melhora da composição corporal, incentivo ao desempenho físico e atenção à saúde mental, humor e até libido. “Tanta coisa que muita gente acha que é normal começar a perder, mas não é”, ressalta.

Além disso, o acompanhamento geriátrico permite agir de forma estratégica sobre fatores de risco, como pressão alta, diabetes e colesterol elevado, evitando complicações futuras. Também contribui para reduzir o uso excessivo de medicamentos, corrigir deficiências nutricionais e preservar a massa muscular – fator considerado fundamental para manter a independência ao longo dos anos.

Na prática, de acordo com o profissional, esses cuidados ajudam a evitar um ciclo silencioso e progressivo de perda de autonomia, frequentemente percebido apenas em estágios mais avançados.

“Você consegue mudar a trajetória de várias condições, desde a demência, que é uma preocupação de muita gente, até queda, fratura, fragilidade física, perda da independência, que é muito importante também”, destaca o geriatra.

Apesar dos benefícios, ainda é comum que pacientes procurem esse tipo de acompanhamento apenas após eventos mais graves. “A maioria das pessoas acaba chegando um pouquinho mais tarde ao geriatra, geralmente depois de algum evento mais catastrófico ou ainda quando a família percebe que tem alguma coisa muito errado”, observa o médico. Embora esse cenário esteja mudando gradualmente, a ideia de que envelhecer mal é inevitável ainda persiste e precisa ser desconstruída, de acordo com o médico.

Para o especialista, alguns princípios são fundamentais nesse processo: manter o corpo em movimento, tratar problemas de sono com a devida atenção, estimular a mente e evitar o uso desnecessário de medicamentos.

“Comece cedo, porque envelhecer bem não é sorte, é uma construção. Movimento não é opcional, é tratamento. Sono ruim não é detalhe, é diagnóstico. Mente ativa não é passar tempo, é proteção cognitiva. E remédio é só o necessário”, destaca o médico.

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