RP é alvo de nova ação contra facção criminosa

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| Por: Adalberto Luque |

Uma operação conjunta do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), órgão do Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), e do 11º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (BAEP) resultou na prisão de oito integrantes apontados como lideranças e operadores do Primeiro Comando da Capital (PCC) em Ribeirão Preto.

A ação, denominada Operação Covo de Arenque, foi deflagrada na manhã desta quarta-feira (17) e cumpriu oito dos dez mandados de prisão preventiva expedidos pela Justiça. Outros dois investigados não foram localizados e são considerados foragidos.

Além das prisões, foram cumpridos 24 mandados de busca e apreensão em diferentes pontos da cidade e em Cravinhos. A investigação apura a atuação de uma estrutura ligada ao PCC envolvida com tráfico de drogas, comércio ilegal de armas e coordenação de atividades criminosas dentro e fora do sistema prisional.

De 10 mandados de prisão, oito investigados foram presos e dois são considerados foragidos (Foto: Alfredo Risk)

Segundo o Ministério Público, os investigados ocupavam posições intermediárias de comando dentro da facção, mas exerciam influência que ultrapassava os limites da região de Ribeirão Preto, alcançando outros estados do país. As apurações, iniciadas há cerca de sete meses, indicam que integrantes instalados na cidade atuavam como representantes da organização criminosa e participavam de decisões estratégicas relacionadas ao tráfico de drogas e à movimentação financeira do grupo.

O comandante do Comando de Policiamento do Interior (CPI-3), coronel Rodrigo Quintino, afirmou que a operação foi resultado de um trabalho conjunto desenvolvido ao longo dos últimos meses entre a Polícia Militar e o Ministério Público.

“São lideranças que tinham um papel importante dentro da estrutura da organização criminosa, de forma que hoje a gente deflagrou uma grande operação e conseguimos prender os alvos ligados ao PCC, que atuavam especialmente no tráfico de drogas, tráfico de armas e na liderança, na coordenação do crime organizado em Ribeirão Preto, região e até interestadual”, disse.

De acordo com as investigações, os presos atuavam em funções consideradas estratégicas dentro da estrutura da facção. Entre os detidos estão integrantes apontados como responsáveis pela coordenação de atividades no interior paulista, pela distribuição de drogas para outros estados e pelo chamado setor disciplina da organização.

Segundo o comandante do CPI-3, coronel Quintino, são lideranças que tinham papel importante dentro da estrutura do PCC (Foto: Alfredo Risk)

As apurações também identificaram movimentações relacionadas à negociação de armamentos, incluindo um fuzil, além da exibição e utilização de armas de fogo por integrantes do grupo.

A operação mobilizou dezenas de policiais e várias viaturas. Os mandados foram cumpridos em diversos bairros de Ribeirão Preto.

“São criminosos conhecidos, com diversas passagens criminais e foi feito esse trabalho em conjunto com o Gaeco, onde nós empregamos 25 viaturas, aproximadamente 100 policiais militares e cumprimos, pela manhã, vários mandados de prisão e mandados de busca e apreensão”, afirmou o major Pablo Flora, porta-voz do 11º BAEP.

Segundo o promotor de Justiça Frederico Francis Mellone de Camargo, do Gaeco de Ribeirão Preto, os mandados foram cumpridos nos bairros Vila Albertina, Jardim Eugênio Mendes Lopes, Jardim Jockey Clube, Jardim Aeroporto e Jardim Heitor Rigon, na zona Norte, além do Jardim João Rossi, na zona Sul, e Jardim Progresso, na zona Oeste. Também houve diligências em Cravinhos.

Major Flora explicou que foram utilizados cerca de 100 policiais militares do BAEP e 25 viaturas durante a operação (Foto: Alfredo Risk)

Durante as buscas, foram apreendidos celulares, notebooks, anotações de interesse para a investigação, dinheiro em espécie, joias, correntes e anéis de ouro. O balanço divulgado pelas autoridades aponta a apreensão de 14 celulares, uma pistola calibre .380 com 14 munições e cerca de R$ 5 mil em dinheiro.

As autoridades acreditam que os materiais recolhidos poderão auxiliar no aprofundamento das investigações, que continuam em andamento para identificar outros integrantes da organização criminosa e esclarecer a participação de cada investigado.

Segunda em dois dias

A Operação Covo de Arenque foi a segunda ação de grande porte contra o PCC realizada na região de Ribeirão Preto em menos de 24 horas.

Na terça-feira (16), o Ministério Público, por meio do Gaeco das cidades de Araçatuba e Campinas, com apoio das polícias Militar e Civil, deflagrou a Operação Torneira, que teve alvos em Ribeirão Preto, Orlândia e outras dez cidades paulistas. A investigação apura um esquema de tráfico interestadual de drogas e lavagem de dinheiro atribuído a integrantes da facção criminosa.

Segundo o Ministério Público, a organização teria movimentado cerca de R$ 230 milhões por meio de empresas de fachada e pessoas utilizadas para ocultar a origem dos recursos. Ao todo, foram cumpridos 43 mandados de busca e apreensão. Durante a operação, um homem foi preso em flagrante por porte ilegal de arma de fogo em Valinhos e foram apreendidos dinheiro, drogas, armamentos e outros materiais de interesse da investigação.

As duas operações demonstram a ofensiva constante do MPSP e das polícias Civil e Militar contra a atuação do PCC no interior paulista, especialmente em Ribeirão Preto, apontada em diferentes investigações como uma das bases estratégicas da facção para atividades de logística, coordenação e movimentação financeira.

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Texto original daqui