Quatro em cada dez brasileiros (39%) nunca ouviram falar sobre o conceito de economia circular, modelo de produção que tem como foco a reutilização, a renovação e a reciclagem de materiais e produtos, como plásticos, entre outros. Os dados constam de uma pesquisa do Movimento Plástico Transforma e mostram que, embora o tema já tenha chegado a 57% da população, isso ocorreu de forma superficial.
Segundo o levantamento, 57% dos entrevistados afirmaram já ter ouvido falar no conceito, mas apenas 12% declararam conhecê-lo bem. Outros 45% afirmaram já ter ouvido falar em economia circular, mas não conhecer detalhes. A pesquisa “Reciclagem no Brasil: Hábitos, Desafios e Percepções da População” ouviu 834 pessoas a partir de 18 anos, nos meses de abril e maio deste ano.
De forma geral, os pesquisados consideraram a reciclagem de produtos uma responsabilidade compartilhada, atribuída principalmente à população (78%), ao governo (63%) e às empresas (55%).
Na comparação com a pesquisa feita em 2025, a responsabilização da população cresceu três pontos percentuais. Já as cobranças pela atuação do governo e das empresas cresceram, respectivamente, quatro e seis pontos percentuais.
As escolas também foram responsabilizadas por 35% dos entrevistados. Outros 30% consideraram a reciclagem responsabilidade de organizações não governamentais (ONGs), e 3% atribuíram essa responsabilidade a outros setores.
“Isso é um ponto que ainda precisa ser trabalhado, porque não adianta nada você conhecer se você não tem um aprofundamento do tema, e é isso que a gente precisa tentar trabalhar”, afirma Beatriz Geraldes, integrante do grupo técnico do Movimento Plástico Transforma.
Para Beatriz, iniciativas para a ampliação do conhecimento sobre temas mais desafiadores, como a economia circular, devem partir de escolas, governos, empresas e organizações sociais, em um esforço focado em crianças e adolescentes.
“A gente entende que eles são os nossos principais vetores de comunicação com suas famílias, com a comunidade do entorno. Então isso é superimportante para poder fazê-los entender e para levarem esse exemplo para casa”.
A pesquisa indicou que 55% das pessoas têm acesso à coleta seletiva e 11% separam os resíduos, mas não os levam aos pontos de coleta. Desse grupo, 63% entregam resíduos recicláveis e orgânicos juntos ao caminhão da coleta de lixo orgânico, e 36% entregam o material separado aos catadores.
A confiança da população brasileira na reciclagem dos resíduos separados é alta, segundo a pesquisa. Mais da metade (54%) declarou acreditar que os resíduos separados são efetivamente reciclados. Apenas 6% não confiam no processo. Na avaliação dos pesquisadores, os dados do levantamento mostram, de forma geral, que, embora o conhecimento precise ser aprofundado, já há uma transformação na prática.
Coleta seletiva recolhe 9,7 toneladas por dia em Ribeirão
Dados da Secretaria de Infraestrutura e Zeladoria de Ribeirão Preto revelam que, entre janeiro e junho deste ano, foram recolhidas pela coleta seletiva 9,7 toneladas por dia de material reciclável. A coleta é realizada pela Estre Ambiental em dias específicos em muitos bairros.
Segundo os dados disponibilizados no portal da Prefeitura, a cidade está dividida em 71 setores que têm os recicláveis recolhidos uma vez por semana, de segunda-feira a sábado, nos períodos da manhã, tarde e noite. Os oito ecopontos da cidade também recebem esse tipo de material.
Atualmente, o material coletado é enviado para a Cooperativa Mãos Dadas, localizada no bairro Branca Sales, na zona Oeste, que separa o material por tipo de origem e faz a classificação, o armazenamento e a comercialização dos resíduos para empresas do setor de reciclagem. Outras duas cooperativas foram selecionadas pela Prefeitura em chamamento público e devem começar a receber parte do material recolhido após a finalização dos trâmites legais.

São elas: a Cooperativa de Trabalho de Catadores, Coleta, Triagem e Beneficiamento de Materiais Recicláveis de Ribeirão Preto (Cooperagir) e a Cooperativa de Reciclagem Ribeirão Preto, Cooperativa de Trabalho.
As cooperativas também farão a reciclagem, a triagem, a classificação, o armazenamento e a comercialização dos resíduos sólidos recicláveis recolhidos pela coleta seletiva da Prefeitura. O material será dividido entre as três entidades de acordo com a capacidade de reciclagem de cada uma.
A chamada pública para a reciclagem teve valor estimado de R$ 1.152.000,00 para a triagem de 2.880 toneladas de materiais recolhidos pela Estre Ambiental, empresa responsável pela coleta seletiva na cidade. A previsão é que sejam recicladas 1.080 toneladas de plástico, 1.080 toneladas de papel, 360 toneladas de vidro e outras 360 toneladas de metal. O prazo de vigência da contratação é de 12 meses, contados da data determinada na ordem de serviço.
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