O sistema de saúde foi o mais afetado pelo vendaval que atingiu Ribeirão Preto na madrugada desta sexta-feira (24). Segundo o secretário da Saúde, Maurício Godinho, parte do teto da sala de emergência do HC-UE (Hospital das Clínicas – Unidade de Saúde) desabou.
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“Está sem condições de receber qualquer paciente”, disse Maurício Godinho. O secretário ainda disse que a unidade Campus do Hospital das Clínicas suspendeu todas as cirurgias eletivas para que possa ser utilizado como retaguarda.
O superintendente do Hospital das Clínicas, Ricardo Cavalli, anunciou um plano de contingência para enfrentar a situação. “Estamos com todos geradores abastecidos e com a quantidade suficiente para mantê-los funcionando pelo tempo necessário”, disse.
De acordo com ele, a situação da Unidade de Emergência está em estabilidade e, por isso, as unidades do complexo, como Hospital Estadual de Ribeirão Preto, quanto o Hospital das Clínicas, então preparados para os atendimentos.
Cavalli afirma que nenhum paciente ou funcionário ficou ferido. “Não houve nenhum dano em qualquer pessoa”.
Situação da saúde
Durante coletiva de imprensa, o secretário Maurício Godinho relatou que a Santa Casa está “hiperlotada” e está funcionando por gerador. O Hospital Santa Lydia também suspendeu todas as cirurgias e, das 48 unidades de saúde da cidade, apenas sete estavam funcionando.
“Nas UPAs são treze leitos de emergência, nós fizemos a preservação desses leitos”, disse Godinho. Por conta da situação enfrentada pelo sistema de saúde em Ribeirão Preto, o secretário estadual de Saúde, Eleuses Paiva, está a caminho da cidade para tratar da situação.
O prefeito Ricardo Silva (PSD) assinou um decreto que declara a situação de emergência, que permite o acesso a recursos para recuperação dos danos, assim como, a contratação de leitos nos hospitais privados.
A campanha de vacinação que estava prevista para ocorrer neste sábado (25) também foi suspensa pela Prefeitura. O prefeito Ricardo Silva informou que a Cava do Bosque e escolas municipais serão preparadas para receber possíveis desabrigados, caso seja necessário.
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Vendaval em Ribeirão Preto é o mais intenso desde 1994, diz Defesa Civil
O temporal que atingiu Ribeirão Preto na manhã desta sexta-feira (24) provocou um cenário de destruição pela cidade, com queda de árvores, danos em estruturas, problemas na rede elétrica e no abastecimento de água e uma morte confirmada.
Durante a coletiva de imprensa em que o prefeito Ricardo Silva (PSD) anunciou a assinatura do decreto de situação de emergência, a Defesa Civil afirmou que, possivelmente, a intensidade do vendaval que atingiu a cidade não era registrada desde 1994.
“É um grande volume pluviométrico e com uma intensidade de vento que provavelmente nós não acompanhamos em Ribeirão desde o último episódio de 1994”, explicou o coronel Augusto de Lima Seminate.
Segundo ele, apesar da previsão de chuva para a região entre quinta e sexta-feira, a força da tempestade dificultou a antecipação dos impactos causados pelo fenômeno, já que formações desse tipo têm baixa previsibilidade.
Uma estação meteorológica localizada em Pradópolis, a cerca de 36 quilômetros de Ribeirão, registrou rajadas de vento de 121 km/h durante a tempestade. Também foram registrados 21 milímetros de chuva em apenas 20 minutos.
Ainda segundo a Defesa Civil, o município iniciou um levantamento dos danos em diferentes regiões da cidade, com participação de diversas secretarias, além do apoio da Defesa Civil Estadual, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros.
“Agora é fazer o rescaldo, fazer a leitura desse cenário emergencial que afetou o nosso município e, a partir daí, fazer gestão de crise e direcionar todos os recursos que nós temos em mãos”, afirmou o coronel.

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Temporal de 1994 deixou três mortos e rastro de destruição
Um dos temporais mais fortes registrados em Ribeirão Preto aconteceu em 14 de maio de 1994.
A tempestade, acompanhada de granizo e ventos de até 100 km/h, deixou um cenário de destruição pela cidade e foi destaque na capa do jornal A Cidade na edição de segunda-feira (16) daquele ano.
Segundo o jornal, o vendaval durou cerca de 15 minutos, mas foi suficiente para derrubar árvores, postes e destruir imóveis em diferentes regiões.
Na época, três pessoas morreram após desabamentos: Conceição Paiva, de 87 anos, Luzia Censi da Silva, de 32 anos, e o filho dela, Alex Jesus Silva, de 11 anos.
Os estragos foram registrados em locais como as avenidas Presidente Vargas, Independência, Nove de Julho e do Café. Casas, lojas, oficinas e postos de gasolina foram atingidos. Diversos bairros também ficaram sem energia elétrica por causa da queda de árvores sobre a rede.
Após a tempestade, a Prefeitura e a Defesa Civil montaram um ponto de atendimento na Cava do Bosque para receber moradores afetados. O jornal A Cidade relatou que algumas ruas amanheceram com um cenário de destruição, com árvores e postes caídos sobre carros e imóveis.
De acordo com meteorologistas ouvidos na época pelo jornal, o fenômeno foi causado pelo encontro de uma massa de ar quente com uma massa de ar fria, formando uma inversão térmica.
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