Eletropostos crescem 24% em Ribeirão Preto com avanço dos carros elétricos

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Uma pesquisa da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) mostra que o número de eletropostos em Ribeirão Preto cresceu 24% entre fevereiro e junho deste ano. Atualmente, a cidade conta com 209 pontos de recarga, entre públicos e semipúblicos.

O crescimento da infraestrutura acompanha o aumento da frota de veículos eletrificados. Entre janeiro e maio deste ano, Ribeirão Preto registrou 1.011 emplacamentos de veículos elétricos e híbridos plug-in, segundo a ABVE.

Esse crescimento também é percebido na rotina de quem depende do carro para trabalhar, como o motorista de aplicativo Rafael Ferrari que decidiu trocar o veículo com motor a combustão por um elétrico e afirma que a mudança trouxe uma redução significativa nos gastos mensais.

“Devido à mudança energética que está tendo, do combustível para a energia, o custo do combustível está cada vez mais alto. A alternativa foi migrar para o carro elétrico. Para mim, está sendo muito melhor, muito econômico trabalhar com o carro elétrico do que com o carro a combustão.”

Segundo o homem, antes da compra ele pesquisou bastante para entender se o investimento realmente compensaria. Hoje, ele acredita que a mudança valeu a pena.

“Eu já vinha pesquisando, olhando realmente se valia a pena. E, de fato, hoje, é claro que depende da condição de cada um, mas, para nós, motoristas de aplicativo, o melhor cenário é trabalhar com carro elétrico”, diz o motorista.

Eletropostos crescem 24% em Ribeirão Preto com avanço dos carros elétricos – Foto: Vítor Neves/ acidade on.

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Novo eletroposto amplia a infraestrutura em Ribeirão Preto

O aumento da frota também impulsiona a instalação de novos pontos de recarga em Ribeirão Preto. Um deles é o EV CHARGING, inaugurado em julho na rua Dr. Hortêncio Mendonça Ribeiro, no bairro Alto da Boa Vista.

Inicialmente, o eletroposto conta com sete carregadores, com potências entre 22 kW e 60 kW, que podem operar ao mesmo tempo.

A estrutura do eletroposto ainda pode ser ampliada para até 15 equipamentos, incluindo opções com capacidades que variam de 7,4 kW a 180 kW para atender diferentes modelos de veículos.

À frente do projeto está o empresário Ricardo Guggisberg, presidente do Instituto Brasileiro de Mobilidade Sustentável (IBMS). Para ele, Ribeirão Preto já reúne condições para acompanhar a expansão da mobilidade elétrica.

“Acho que Ribeirão tem uma capacidade de absorção desses veículos e está atendendo bem. O usuário do carro elétrico já tem dois hubs de carregamento em Ribeirão Preto, fora outros carregadores que estão instalados nas frentes das concessionárias de veículos. Então, acho que Ribeirão está bem atendida e a tendência é crescer mais.”

Em entrevista ao acidade on, o empresário conta que acompanha o mercado há mais de 15 anos e que escolheu Ribeirão para receber o empreendimento também pela importância da cidade na região.

“Eu moro aqui, né? Eu trabalho no setor desde 2009. Fui presidente da Associação Brasileira do Veículo Elétrico durante seis anos, de 2014 a 2020. Depois eu criei o Instituto Brasileiro de Mobilidade Sustentável, que eu presido ainda”, explica.

Ricardo Guggisberg, presidente do Instituto Brasileiro de Mobilidade Sustentável (IBMS) - Foto: Vítor Neves/ acidade on.
Ricardo Guggisberg, presidente do Instituto Brasileiro de Mobilidade Sustentável (IBMS) – Foto: Vítor Neves/ acidade on.

Tempo de recarga depende do modelo do veículo

Embora muitas pessoas acreditem que exista um tempo padrão para carregar um carro elétrico, a duração da recarga varia de acordo com o modelo do veículo, a capacidade da bateria e a potência do carregador utilizado.

Segundo Ricardo, a lógica é parecida com a capacidade do tanque de combustível de um carro convencional. Ele explica que veículos menores possuem baterias menores e, por isso, costumam ser carregados em menos tempo.

“Cada carro vem com uma capacidade de armazenamento de carga. Como um veículo a combustão vem com seu tanque de gasolina, o veículo elétrico vem com uma bateria com capacidade de armazenamento de carga”.

Ele ainda continua dizendo que “se você for carregar um Dolphin Mini no mesmo carregador que você carrega um Seal, você vai carregar em menos tempo. Mas tem algumas variáveis também. O Mini carrega no máximo a 40 kW, enquanto o Seal, se entrar em um carregador de 150 kW, vai carregar a 150 kW.”

De acordo com o empresário, dependendo da capacidade da bateria e da potência do carregador, uma recarga completa pode levar entre aproximadamente 15 minutos e uma hora e meia.

O custo também varia conforme a energia consumida: o preço inicial é de R$ 1,90 por kWh, o que faz com que uma bateria de 40 kWh possa ser carregada por cerca de R$ 80.

Apesar do avanço da infraestrutura e do aumento da frota de veículos eletrificados, Ricardo acredita que a transição para a mobilidade elétrica ainda deve levar alguns anos para acontecer de fato.

“Acho que [5 ou 10 anos] é um espaço muito pequeno de tempo para eliminar o veículo a combustão. Veículo a combustão ainda sobrevive bastante tempo no Brasil”.

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