As prisões em flagrante e apreensões de adolescentes por violência doméstica e familiar cresceram 25,7% no estado de São Paulo no primeiro semestre deste ano. Entre janeiro e junho, 10.924 autores foram detidos pelas forças de segurança. No mesmo período do ano passado, aconteceram 8.692 detenções.
A capital paulista concentrou o maior número de ocorrências, com 1.768 registros no período, alta de 28,6% em relação ao primeiro semestre do ano passado. Em seguida aparece a Grande São Paulo, com 1.552 casos. No interior, as regiões de Ribeirão Preto (1.203), Campinas (1.095) e Sorocaba (1.053) tiveram os maiores números.
Somente em junho, foram contabilizadas 1.741 detenções em todo o estado, contra 1.375 no mesmo mês de 2025, alta de 26,6%. Na comparação com 2024, o crescimento chega a 44,4%, quando foram registradas 952 prisões e apreensões.
“Esse aumento demonstra que mais vítimas estão conseguindo acessar os canais de proteção e denunciar as agressões. Ao mesmo tempo, o fortalecimento da atuação policial permite uma resposta mais rápida para interromper ciclos de violência e responsabilizar os autores”, disse a titular da 1ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), Cristine Nascimento.
Estado amplia rede de proteção e atendimento às vítimas
Para ampliar o combate a esse tipo de crime, o Governo de São Paulo tem reforçado a estrutura de atendimento às vítimas, com medidas para estimular as denúncias, facilitar o acesso à rede de proteção e ampliar os serviços especializados.
Entre as iniciativas está a Cabine Lilás, serviço da Polícia Militar que direciona as chamadas de violência doméstica feitas pelo 190 para policiais femininas. As agentes orientam as vítimas sobre como solicitar medidas protetivas e esclarecem dúvidas sobre direitos, como auxílio-aluguel e redes de abrigo. Até julho deste ano, foram realizados 34 mil atendimentos.
Outra ferramenta é o aplicativo SP Mulher Segura, que permite registrar boletins de ocorrência pela internet, consultar endereços de unidades policiais e acionar o botão do pânico, que comunica simultaneamente a polícia e um contato de emergência previamente cadastrado.
Entre as ações mais recentes está a criação da Patrulha SP Mulher Segura, primeira estrutura de ronda da Polícia Militar voltada exclusivamente à proteção das mulheres no estado. O policiamento atua de forma preventiva e ostensiva no acompanhamento de ocorrências de violência doméstica, especialmente as atendidas pela Cabine Lilás e pelos acionamentos via aplicativo.
“A Patrulha SP Mulher Segura amplia o acompanhamento das mulheres que já acionaram a rede de proteção. A partir dos atendimentos feitos pela Cabine Lilás, pelo aplicativo e pelas equipes de rua, conseguimos identificar situações de maior risco e direcionar o policiamento para prevenir novas agressões e responder com rapidez quando houver necessidade”, afirmou a comandante-geral da Polícia Militar, coronel Glauce Cavalli.
Em 21 de julho, os policiais da ronda prenderam um homem de 42 anos suspeito de manter a companheira grávida em cárcere privado e submetê-la a agressões, ameaças e violência sexual na Zona Norte da capital paulista. A mulher, de nacionalidade filipina, e o filho do casal foram retirados do imóvel e encaminhados para atendimento especializado.
Ainda foi criado o Espaço Lilás em batalhões, companhias e unidades da Polícia Militar. A iniciativa busca fortalecer o acolhimento de mulheres em situação de violência doméstica e familiar, com escuta ativa e orientação às vítimas.
”Nenhuma mulher pode ficar sem atendimento quando mais precisa. Nós trabalhamos todos os dias para garantir que ela encontre acolhimento, orientação e todo o apoio necessário para romper o ciclo da violência”, afirmou o secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves.
Operações policiais e fortalecimento das DDMs
Além das ações preventivas, as forças de segurança realizam operações para localizar e prender agressores. Em 2 de julho, a Operação Mulher Protegida resultou na prisão de 174 homens, sendo 98 em flagrante e 76 por cumprimento de mandados.
Atualmente, São Paulo conta com 144 Delegacias de Defesa da Mulher territoriais, sendo 19 com funcionamento 24 horas. A rede também possui 235 Salas DDM Online instaladas em plantões policiais, permitindo que vítimas sejam atendidas por videoconferência por equipes especializadas.

