‘Sentimento de vitória’, diz mãe de criança de 3 anos que morreu no acidente da Voepass

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Adriana Ibba, mãe de Liz, de 3 anos, a vítima mais jovem do acidente com o avião da Voepass em Vinhedo, no interior de São Paulo, afirmou que recebeu com “sentimento de vitória” a conclusão do inquérito da Polícia Federal, que indiciou 16 pessoas por supostas responsabilidades relacionadas à queda da aeronave.

Entenda

Segundo Adriana, as famílias aguardavam o resultado da investigação desde o acidente. Ela afirmou que a divulgação do relatório representa um marco na busca por Justiça, mas ressaltou que o processo ainda terá novos desdobramentos.

“Eu recebo com um sentimento de vitória. A expectativa era de dois anos por esse momento. E é o início de uma longa caminhada que nós teremos pela frente, porque nós vamos até o fim por Justiça por eles”, disse.

Adriana Ibba – Foto: Reprodução/EPTV

Investigação deve fortalecer segurança da aviação

Adriana também afirmou que o trabalho da Polícia Federal, em conjunto com as informações técnicas produzidas pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), pode contribuir para mudanças na cultura de segurança da aviação.

“Eu recebo essa notícia como mãe, como um marco. O trabalho que a Polícia Federal fez, muito alinhado com o Cenipa, é um marco para que a cultura organizacional das empresas não vá por esse caminho que a Voepass foi.”

A mãe de Liz destacou que as conclusões da investigação reforçam a necessidade de maior rigor na manutenção das aeronaves.

“Enquanto consumidor, ninguém fazia ideia que eles fingiam fazer a manutenção devida e colocar gente em voos lotados. Isso é algo muito grave.”

Famílias vão buscar responsabilização

Apesar de considerar o indiciamento um avanço, Adriana afirmou que uma eventual punição dos envolvidos não será capaz de reparar a perda das famílias.

“A prisão deles não traz os nossos de volta. O nosso buraco é eterno, é para sempre. Mas eles assumiram o risco. Assumiram não fazer as manutenções. Então que eles paguem pelos atos que assumiram.”

Após a conclusão do inquérito da Polícia Federal, familiares das vítimas pretendem ingressar com uma ação coletiva de responsabilidade civil por danos morais. A medida não substitui as ações individuais de indenização já em andamento e busca a responsabilização de empresas, pessoas físicas e eventuais instituições que possam ter contribuído para o acidente.

Indiciamento

A Polícia Federal indiciou 16 pessoas pela queda do voo 2283 da Voepass, acidente aéreo que matou 62 pessoas em 9 de agosto de 2024, em Vinhedo, no interior de São Paulo. Entre os investigados estão o proprietário da companhia aérea de Ribeirão Preto, José Luiz Felício Filhodiretorespilotostécnicos de manutenção e despachantes operacionais de voo.

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Coletiva Polícia Federal – Foto: Gabriella Ramos/G1

As investigações apontam que o acidente resultou de uma sequência de fatores meteorológicos, falhas técnicas e problemas operacionais. Segundo a Polícia Federal, a aeronave enfrentou acúmulo severo de gelo durante o voo e apresentava falhas no sistema de degelo registradas em operações anteriores, mas essas ocorrências não foram formalmente comunicadas nos registros de manutenção.

O que diz a Voepass?

A Voepass divulgou uma nota oficial nesta quinta-feira (6) após a Polícia Federal indiciar 16 pessoas no inquérito que investigou a queda do voo 2283, acidente que matou 62 pessoas em Vinhedo, no interior de São Paulo, em agosto de 2024.

No comunicado, a empresa afirmou que a segurança operacional sempre representou sua prioridade e declarou que, ao longo de mais de 30 anos de atuação, cumpriu os protocolos de segurança, manutenção e capacitação de tripulações previstos pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Leia na íntegra:

A Voepass informa que a segurança operacional sempre foi sua prioridade. Ao longo de mais de 30 anos de atuação na aviação brasileira, a companhia adotou rigorosamente todos os protocolos de segurança, manutenção e capacitação de tripulações previstos pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

A empresa reforça que sua atuação sempre esteve pautada pelos mais elevados padrões de segurança da aviação, contando, desde 2012, com a certificação IOSA (IATA Operational Safety Audit), concedida pela Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) às companhias aprovadas em rigorosa auditoria internacional de segurança operacional.

Os treinamentos de pilotos contemplavam os procedimentos previstos para o enfrentamento de condições de formação de gelo, incluindo medidas como alteração de altitude e velocidade, conforme as orientações do fabricante da aeronave e os protocolos operacionais aplicáveis. As tripulações eram permanentemente orientadas a cumprir rigorosamente esses procedimentos, de acordo com cada cenário operacional.

A tripulação do voo 2283 era composta por profissionais experientes, devidamente habilitados e certificados, que somavam mais de 5 mil horas de voo, com treinamentos técnicos, certificações e avaliações médicas regularmente atualizados, sem qualquer registro prévio que comprometesse sua aptidão para o exercício da função.

Desde o início das investigações, a Voepass colaborou integralmente com as autoridades, disponibilizando documentos, diários de bordo, registros operacionais e relatórios técnicos ao Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) e à Polícia Federal. A companhia compreende que o relatório da Polícia Federal integra a fase investigatória e aguardará os próximos desdobramentos processuais, e, se for o caso, exercerá plenamente seu direito de defesa, nos termos da legislação vigente.

A Voepass reitera sua solidariedade às famílias das vítimas e reafirma que permanece à disposição das autoridades, das instituições competentes e dos demais agentes envolvidos para prestar todos os esclarecimentos necessários.

Acidente com avião da Voepass aconteceu em Vinhedo, no interior de SP - Foto: reprodução/ EPTV
Acidente com avião da Voepass aconteceu em Vinhedo, no interior de SP – Foto: reprodução/ EPTV

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