Veja quem são os indiciados pelo acidente da Voepass que deixou 62 mortos

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A Polícia Federal indiciou 16 pessoas pela queda do voo 2283 da Voepass, acidente aéreo que matou 62 pessoas em 9 de agosto de 2024, em Vinhedo, no interior de São Paulo. Entre os investigados estão o proprietário da companhia aérea de Ribeirão Preto, José Luiz Felício Filho, diretores, pilotos, técnicos de manutenção e despachantes operacionais de voo.

Indiciados

As investigações apontam que o acidente resultou de uma sequência de fatores meteorológicos, falhas técnicas e problemas operacionais. Segundo a Polícia Federal, a aeronave enfrentou acúmulo severo de gelo durante o voo e apresentava falhas no sistema de degelo registradas em operações anteriores, mas essas ocorrências não foram formalmente comunicadas nos registros de manutenção.

Coletiva Polícia Federal – Foto: Gabriella Ramos/G1

De acordo com a investigação, os indiciados contribuíram para o acidente por ação ou omissão e responderão, conforme o caso, pelos crimes de atentado contra a segurança do transporte aéreo, atentado contra a segurança do transporte aéreo qualificado pela queda da aeronave com resultado morte e falsidade ideológica.

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Quem são os indiciados no caso Voepass?

José Luiz Felício Filho

Proprietário da Voepass, responde por atentado contra a segurança do transporte aéreo e pelo crime qualificado pela queda da aeronave com resultado morte.

Piloto comercial e empresário, assumiu o comando da então Passaredo Transportes Aéreos nos anos 2000. Durante sua gestão, conduziu o processo de recuperação judicial da empresa entre 2012 e 2017 e liderou a aquisição da MAP Linhas Aéreas, em 2019, quando a companhia passou a operar com a marca Voepass.

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José Luiz Felício Filho – Foto: Reprodução/Voepass

Após o acidente, retomou a gestão direta da empresa e promoveu mudanças na diretoria. Com o encerramento das atividades da companhia, passou a atuar como gerente comercial da RP Aviation, empresa instalada no antigo hangar da Voepass no Aeroporto de Ribeirão Preto.

Defesa ainda não se pronunciou, espaço segue em aberto.

Marcel Sarquis Moura

Responde pelos mesmos crimes atribuídos ao proprietário da empresa.

Piloto comercial e instrutor, ocupava o cargo de diretor de Operações da Voepass. Com cerca de 30 anos de experiência na aviação, era responsável por garantir o cumprimento dos procedimentos operacionais e das normas nacionais e internacionais aplicáveis às operações da companhia.

Indiciados
Marcel Moura é um dos indiciados – Foto: Acervo/ EPTV

Defesa ainda não se pronunciou.

Raphael Limongi de Figueiredo

Também responde por atentado contra a segurança do transporte aéreo e pelo crime qualificado pela queda da aeronave.

Com mais de 15 anos de atuação na aviação civil, exerceu a função de chefe dos pilotos da Voepass até julho de 2024. Depois do acidente, assumiu a diretoria de Operações da empresa.

Defesa ainda não se pronunciou, espaço segue em aberto.

Rafael Gimenez Rodrigues

Indiciado pelos mesmos crimes.

Nomeado chefe dos pilotos dias antes do acidente, tinha a responsabilidade de acompanhar a padronização operacional e a escala das tripulações. Formado em Ciências Aeronáuticas, desenvolveu trabalho acadêmico sobre fatores de risco relacionados à jornada de trabalho de tripulantes e prevenção de acidentes.

A defesa informou que irá se pronunciar na sexta-feira (7).

Eric Cônsoli

Ex-diretor de Manutenção da Voepass, responde por atentado contra a segurança do transporte aéreo e pelo crime qualificado.

Engenheiro aeronáutico, trabalhou durante 15 anos na companhia e ocupou diferentes cargos ligados à frota, logística e manutenção. Ex-funcionários apontavam Eric como uma das principais lideranças técnicas da empresa.

Após deixar a Voepass, fundou a RP Aviation, empresa voltada a serviços auxiliares do transporte aéreo que opera no antigo hangar utilizado pela companhia em Ribeirão Preto.

Defesa ainda não se pronunciou, espaço segue em aberto.

David da Costa Faria Neto

Responde pelos mesmos crimes.

Com mais de cinco décadas de atuação na aviação, trabalhou na Força Aérea Brasileira (FAB) e na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Na Voepass, ocupava a diretoria de Segurança Operacional até setembro de 2024.

Defesa ainda não se pronunciou, espaço segue em aberto.

Tiago Passucci Morani

Responde por atentado contra a segurança do transporte aéreo e pelo crime qualificado.

Atuava como inspetor-chefe da companhia e possuía credenciamento da Anac para liberar aeronaves ATR 72 após inspeções de manutenção.

Defesa ainda não se pronunciou, espaço segue em aberto.

Pilotos e despachantes também foram indiciados

Edson Serra Martins

Único indiciado por falsidade ideológica.

Conhecido como comandante Serra, pilotou o voo PTB2293, realizado horas antes do acidente. Segundo a investigação, o sistema registrou falhas relacionadas ao degelo durante a operação, mas o piloto informou “nothing to report” (“nada a declarar”) no relatório técnico da aeronave.

Defesa ainda não se pronunciou, espaço segue em aberto.

Luciano Alves de Macedo

Responde por atentado contra a segurança do transporte aéreo qualificado pela queda da aeronave com resultado morte.

Comandou outro voo realizado pela mesma aeronave no dia do acidente. A investigação afirma que o sistema apresentou alertas de falha no degelo, mas o problema não foi registrado oficialmente para análise da manutenção.

Defesa ainda não se pronunciou, espaço segue em aberto.

Oderlindo de Campos Figueiredo

Responde por atentado contra a segurança do transporte aéreo.

Atuava como despachante operacional de voo (DOV) responsável pelo despacho de voos da aeronave no dia do acidente.

Defesa ainda não se pronunciou, espaço segue em aberto.

Jon Major Viana

Também responde por atentado contra a segurança do transporte aéreo.

Exercia a função de despachante operacional responsável pelo voo PTB2282, realizado no mesmo dia da tragédia.

Defesa ainda não se pronunciou, espaço segue em aberto.

Marcos Hiroyuki Sato

Responde por atentado contra a segurança do transporte aéreo qualificado pela queda da aeronave.

Era o despachante operacional responsável pelo voo PTB2206.

Defesa ainda não se pronunciou, espaço segue em aberto.

Técnico de manutenção também integra a lista

Alex de Souza Leandro

Responde por atentado contra a segurança do transporte aéreo e pelo crime qualificado.

Técnico de manutenção, assinou a inspeção diária e o fechamento da lista de ações corretivas da aeronave no dia do acidente. Segundo a Polícia Federal, os documentos não registravam as falhas no sistema de degelo identificadas em voos anteriores porque os pilotos não lançaram essas ocorrências nos registros técnicos.

Defesa ainda não se pronunciou, espaço segue em aberto.

Outros indiciados

Também integram a lista da Polícia Federal:

  • William Schmidt Agatz
  • Juliano Flores Pacheco
  • Carlos Alberto Costa

Os três respondem por atentado contra a segurança do transporte aéreo e pelo crime qualificado pela destruição da aeronave com resultado morte. A defesa de nenhum deles se pronunciou até o momento.

Com informações do G1

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