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Separados na infância, irmãos se reencontram em Franca e voltam a viver juntos após 56 anos

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Todas as manhãs, Benedito Albino de Paula e Maria do Carmo de Paula se encontram pelos corredores do Lar de Idosos Eurípedes Barsanulfo, em Franca. Conversam sobre o café, lembram histórias da infância, discutem como irmãos costumam discutir e, quando um deles não aparece no horário de sempre, o outro pergunta onde está.

A rotina parece comum para dois irmãos que envelhecem lado a lado. Mas ela só existe porque a vida decidiu interromper uma separação que durou 56 anos.

A história dos irmãos começou em uma fazenda na região de Pedregulho. Quando Maria nasceu, a mãe morreu durante o parto. Benedito tinha apenas três anos. Após a morte da mãe, o pai constituiu uma nova família. Anos mais tarde, com a morte da madrasta, foram separados.

Maria foi acolhida por outra família em Franca, onde permaneceu por décadas cuidando da mulher que a recebeu. Benedito seguiu outro caminho. Trabalhou como lavrador em fazendas da região de Ribeirão Corrente, construiu sua vida no campo e, aos poucos, perdeu contato com os irmãos.

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Durante décadas, os reencontros com Maria aconteceram apenas de forma esporádica. Depois, vieram os anos sem qualquer notícia um do outro. Enquanto um imaginava onde o outro estaria, a infância compartilhada sobrevivia apenas na memória.

O reencontro

Durante uma visita ao Lar de Idosos Eurípedes Barsanulfo, uma voluntária ouviu a história de Benedito e percebeu que conhecia a família de Maria. A informação chegou à assistente social da época, Bruna Thaiana, que localizou a irmã, promoveu o primeiro contato por telefone e organizou o reencontro em 2018.

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“Primeiro eles voltaram a conversar por telefone. Depois organizamos o encontro. Foi um momento de muita emoção. Hoje eles vivem a relação típica de irmãos. Conversam, discordam um do outro, mas existe muito cuidado. Quando o Benedito não está bem, a Maria logo procura a equipe. E ele também se preocupa muito com ela”, conta Bruna.

Três anos depois daquele abraço, uma coincidência mudaria a história da família. Após a morte da mulher que a criou, Maria precisou de um novo lugar para viver. Passou um tempo na casa dos filhos da família que a criou e depois escolheu o mesmo lar onde Benedito morava desde 2010. Desde 2021, os dois voltaram a dividir a mesma casa pela primeira vez desde a infância.

“Amei. Fiquei feliz de ver ele. Achei que ele tinha falecido. Jesus abriu uma porta e a gente voltou a ficar juntos”, afirma Maria.

Benedito também não imaginava que voltaria a compartilhar a vida com a irmã. “Ela me dá conselhos para eu não ficar irritado. Estou animado. Achei que nunca mais iríamos encontrar”.

Para a coordenadora técnica do Lar, Melissa Bachur, a instituição passou a representar mais do que um local de acolhimento. “O Lar se tornou um local de proteção para o Benedito, que ficou em situação de vulnerabilidade após o comprometimento da saúde. A Maria reconhece a importância do cuidado recebido e demonstra satisfação com cuidados e assistência recebidos na instituição. Quando precisou de um novo lugar para viver, escolheu estar perto do único irmão vivo por parte de pai e mãe, com quem podia conviver diariamente”, afirma.

Benedito tem 76 anos. Maria, 72. Eles nunca se casaram e não tiveram filhos. Depois de uma vida marcada por perdas, mudanças e longos períodos de silêncio, encontraram no mesmo lar a oportunidade de reconstruir uma convivência interrompida ainda na infância.

Mais de cinco décadas depois, o tempo devolveu aos dois aquilo que parecia impossível recuperar. A presença um do outro.

Sobre o Lar

O Lar de Idosos Eurípedes Barsanulfo é uma instituição de acolhimento de Franca voltada a pessoas idosas em situação de vulnerabilidade social ou violação de direitos. Com atendimento multidisciplinar, a entidade oferece proteção, cuidados permanentes e atividades voltadas à saúde, convivência, autonomia e qualidade de vida de seus residentes.

Para fortalecer a sustentabilidade de suas ações, desenvolve o projeto Cuidar de quem Cuidou, iniciativa que busca ampliar a rede de doadores e voluntários para garantir a continuidade do atendimento oferecido. Pessoas e empresas interessadas em apoiar a instituição podem obter mais informações pelo telefone (16) 3703-4354.

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Texto original daqui