nfluenciadora prestou depoimento sobre ofensas proferidas a PMs que realizavam abordagem; processo entra na fase de considerações finais antes da sentença
| Por: Adalberto Luque |
A audiência de instrução do processo contra a influenciadora digital Aline Bardy Dutra, conhecida como “Esquerdogata”, foi realizada nesta terça-feira (11), na 2ª Vara Criminal de Ribeirão Preto. A audiência havia sido marcada para essa data pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP).
Aline foi ouvida pelo juiz Sylvio Ribeiro de Souza Neto durante a audiência. Também foram ouvidas testemunhas relacionadas ao processo, que apura acusações de injúria racial, desacato e resistência à prisão.
Com a conclusão da audiência de instrução, as partes envolvidas não poderão mais apresentar novas provas no processo. A próxima etapa será a apresentação das considerações finais, por escrito, pelo Ministério Público e pela defesa.
Durante a tramitação do processo, a defesa de Esquerdogata solicitou a realização de exame pericial para verificar se ela apresentava problemas psiquiátricos que pudessem interferir em sua capacidade de compreender ou controlar os próprios atos.
O laudo elaborado pela perícia apontou que, no momento da conduta investigada, Aline estava embriagada e que, associada à impulsividade considerada inerente a ela, essa condição fez com que não tivesse capacidade de se controlar.
O documento, porém, também concluiu que ela tinha conhecimento dos efeitos que o consumo de álcool poderia provocar.
Após o recebimento das considerações finais do Ministério Público e da defesa, caberá ao juiz analisar as provas e os argumentos apresentados no processo para decidir se Aline será ou não condenada.
Entenda o caso
Aline foi presa na madrugada de 25 de outubro de 2025, depois de intervir em uma abordagem realizada por policiais militares na região central de Ribeirão Preto. Segundo a acusação, ela passou a questionar a atuação dos agentes e a fazer ofensas durante a abordagem.
Entre as falas atribuídas à influenciadora está a afirmação de que tinha 1 milhão de seguidores nas redes sociais e que seria eleita deputada. Ela também teria ameaçado acabar com a carreira dos policiais.
Em outro momento, Aline teria dito que a sandália que usava valia mais do que o carro de um dos policiais. Ela também teria perguntado a um dos agentes se ele conhecia a Europa e, ao se referir ao policial e ao homem que estava sendo abordado, ambos negros, teria dito: “um preto fodendo outro preto”.
A influenciadora também teria feito uma referência ao bairro Quintino Facci, na zona Norte de Ribeirão Preto, ao perguntar a um dos policiais: “você nasceu onde? No Quintino, né?”. As declarações foram registradas em vídeo e o material foi anexado ao processo.
O Ministério Público acusa Aline de injúria racial, desacato e resistência. A defesa nega que tenha ocorrido injúria racial e busca a absolvição da influenciadora.
Após o episódio, Aline chegou a ser presa, mas passou a responder ao processo em liberdade. Durante a tramitação, sua defesa também pediu a realização de exame pericial para avaliar sua condição psiquiátrica no momento dos fatos.
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