dívida média de moradores com 65 anos ou mais com bancos chega a R$ 41 mil em Ribeirão Preto, segundo levantamento da plataforma Acordo Certo. O valor é cerca de 12 vezes maior que a média registrada entre jovens de 18 a 24 anos, de aproximadamente R$ 3,4 mil.
A pesquisa analisou o perfil financeiro dos moradores da cidade entre janeiro e agosto de 2026 e mostra que o valor médio das dívidas aumenta conforme a faixa etária.
Entre pessoas de 55 a 64 anos, a dívida média chega a R$ 31 mil. Já na faixa de 45 a 54 anos, o valor fica em R$ 25 mil.
Veja a média das dívidas por faixa etária:
| Faixa etária | Dívida média |
|---|---|
| 18 a 24 anos | R$ 3,4 mil |
| 25 a 34 anos | R$ 9,2 mil |
| 35 a 44 anos | R$ 16 mil |
| 45 a 54 anos | R$ 25 mil |
| 55 a 64 anos | R$ 31 mil |
| 65 anos ou mais | R$ 41 mil |
Crédito para ajudar a família
Segundo Eduardo Cavalheiro, coordenador de marketing da Acordo Certo, um dos fatores que ajudam a explicar o endividamento entre idosos é o uso do crédito para ajudar familiares.
De acordo com o especialista, pessoas mais velhas que recebem aposentadoria e conseguem acesso a empréstimos acabam, em alguns casos, contratando crédito para outros integrantes da família. Quando o familiar não consegue pagar, o débito fica com o aposentado.
“Os mais velhos, muitas vezes, estão assumindo as dívidas da família toda. É aquela pessoa que já tem um consignado, um dinheiro da aposentadoria garantido, faz empréstimo para pessoas diferentes da família, alguém não paga e, por conta disso, ela acaba se endividando”, afirmou.
A aposentada Maria de Fátima, de 68 anos, vive uma situação semelhante. Segundo ela, a contratação de novos empréstimos para quitar dívidas anteriores fez os débitos aumentarem.
“Eu fui fazendo empréstimos, pegava um empréstimo para pagar outro e foi virando uma bola de neve, até que eu não consegui pagar mais nada”, contou.
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Jovens têm menos acesso ao crédito
A diferença entre as faixas etárias também pode estar relacionada ao acesso ao crédito.
Segundo Cavalheiro, muitos jovens entram no mercado de trabalho pela informalidade e encontram dificuldades para comprovar renda. Com isso, conseguem menos acesso a empréstimos e outras modalidades de crédito.
“O que a gente observa é que os mais jovens estão entrando no mercado de trabalho pela informalidade. Por isso, eles não conseguem comprovar renda e não têm acesso a crédito. Logo, essas dívidas não aparecem, eles não conseguem nem contrair a dívida”, explicou.
Dessa forma, a menor média entre os jovens não significa necessariamente menor dificuldade financeira. Parte deles pode não ter acesso às mesmas modalidades de crédito disponíveis para pessoas com renda comprovada.

Como evitar o endividamento?
O especialista orienta que familiares tenham cuidado ao utilizar o crédito de pessoas idosas, principalmente quando a aposentadoria representa a principal fonte de renda.
Segundo Cavalheiro, preservar esse dinheiro é importante para garantir o pagamento de despesas básicas, tratamentos médicos e eventuais emergências.
Outra orientação é priorizar a renegociação das dívidas que podem levar à negativação do nome, especialmente aquelas relacionadas a bancos e cartões de crédito.
“É necessário priorizar primeiro as dívidas que mais impactam nessa negativação. Banco, cartão de crédito, que tem um juro altíssimo, essas dívidas devem ser as primeiras a serem renegociadas”, afirmou.

Com informações da EPTV
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