MP pede arquivamento de acusação contra Elizabete

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Idosa ainda é ré em mais três casos: os feminicídios de sua nora e filha e a tentativa de homicídio contra uma amiga



| Por: Adalberto Luque |

O Ministério Público pediu o arquivamento da investigação que apurava a possível participação de Elizabete Eugênio Arrabaça na morte de Élede Guidi, ocorrida em dezembro de 2016, em Pontal. O pedido foi protocolado nesta quinta-feira (3) pelo promotor de Justiça Patrick Carvalho Silva.

Segundo o promotor, embora a investigação tenha reunido circunstâncias que levantaram suspeitas sobre Elizabete, não há provas suficientes para afirmar que Élede tenha sido vítima de homicídio por envenenamento. A morte, inicialmente registrada como natural, teve como causa apontada na necropsia insuficiência respiratória aguda grave, com edema pulmonar e pneumonite. Não foi realizado exame toxicológico na época.

As amostras que restaram do exame foram consideradas inadequadas para uma análise toxicológica. O médico responsável pela revisão da necropsia também informou que os sinais encontrados poderiam estar relacionados a processos infecciosos, inflamatórios ou outras condições e que, após tantos anos, uma exumação ou análise dos materiais preservados teria baixa possibilidade de produzir informações úteis.

O promotor reconheceu que havia elementos que justificaram a investigação, como a presença de Elizabete na casa da vítima no dia da morte, seu comportamento na cozinha e a existência de uma dívida entre as duas. A dívida, porém, era de aproximadamente R$ 3 mil, tinha mais de 20 anos, não possuía documentação e estava inserida em uma relação de amizade e parentesco.

Para o promotor, esses elementos são apenas circunstanciais e não comprovam que Élede tenha sido envenenada nem que Elizabete tenha provocado sua morte. O promotor também destacou que o fato de ela ser investigada ou acusada em outros episódios envolvendo suposto envenenamento não permite, por si só, atribuir a ela a morte de Élede.

Com as diligências complementares realizadas e sem novas medidas capazes de superar a falta de provas, o Ministério Público concluiu que não há elementos para apresentar denúncia. O arquivamento, segundo o promotor, não impede a reabertura da investigação caso surjam novas provas.

O advogado de Elizabete, Bruno Corrêa Ribeiro, disse que a defesa sempre defendeu que ela fosse impronunciada por não haver provas contra ela e, neste caso, nem sequer evidências de que tenha ocorrido envenenamento. Ribeiro destacou que Elizabete nega todos os crimes dos quais foi acusada e está trabalhando para provar isso também nos outros casos.

Entenda o caso

Elizabete Eugênio Arrabaça responde a outros dois processos relacionados a mortes e a uma tentativa de homicídio. Entre os casos estão os feminicídios de Larissa Talle Leôncio Rodrigues, sua nora, e Nathalia Garnica, sua filha, além da tentativa de homicídio contra Neusa Maria Costa de Andrade Ghioto, amiga de Elizabete.

Elizabete ainda responde pelos feminicídios de Larissa (esq) e Nathalia (dir), além da tentativa de homicídio de uma amiga (Fotos: Redes Sociais)

As investigações desses casos apontaram para a suspeita de uso de veneno nas três ocorrências. A apuração da morte de Élede Guidi também passou a ser analisada sob essa possibilidade depois que surgiram elementos relacionados às outras investigações envolvendo Elizabete.

No caso de Élede, porém, o Ministério Público concluiu que não foi possível comprovar sequer que a morte tenha sido provocada por envenenamento. A necropsia apontou insuficiência respiratória aguda grave, decorrente de edema pulmonar e pneumonite, e não houve exame toxicológico à época. As amostras que restaram foram consideradas inadequadas para uma análise posterior.

Com o pedido de arquivamento, Elizabete permanece respondendo aos outros três casos. No processo que apura a morte de Larissa, ela responde ao lado do filho, o médico ortopedista Luiz Antônio Garnica, que era casado com a vítima.

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Texto original daqui