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“Um dos GCMs assumiu e me isentou, mas fiquei marcado”


| Por: Adalberto Luque |

Um dos três guardas civis metropolitanos investigados por suspeita de furto de peças no pátio da Secretaria Municipal de Infraestrutura de Ribeirão Preto, Paulo de Tarso Azevedo Aguena, procurou a reportagem do Tribuna Ribeirão para negar qualquer participação no caso. Ele afirmou que trabalhava fixo na guarita do local e que a rotina incluía a passagem de outras equipes, que paravam as viaturas para fazer refeições e descansar durante o patrulhamento.

Segundo Aguena, o pátio se estende por cerca de dois quarteirões e ele permanecia na parte superior, enquanto as equipes que chegavam ao local tinham acesso à área inferior, onde havia um micro-ondas. De acordo com o guarda, o portão permanecia apenas encostado, com o cadeado sem tranca, permitindo a entrada dos agentes. Ele afirmou que não acompanhava a movimentação das viaturas e que não esteve na área onde teriam ocorrido as irregularidades.

Aguena também declarou que o guarda apontado por ele como responsável pelo furto o isentou de participação, tanto perante o comando da Guarda Civil Municipal quanto em depoimento à Polícia Civil. Segundo o entrevistado, o colega teria afirmado que Aguena não sabia da ação e não tinha envolvimento com o caso. “Eu não tenho participação, nunca me envolvi”, afirmou.

Aguena relatou ainda que sua casa e uma oficina onde trabalha com compra e revenda de carros foram alvo de buscas durante a investigação. Segundo ele, nada relacionado ao furto foi encontrado. O telefone celular dele também foi apreendido para perícia. Aguena disse que permitiu as buscas sem exigir a apresentação de mandado ou o acompanhamento de advogado, por entender que não tinha qualquer relação com o caso.

Ele afirmou que não aparece nas imagens de monitoramento acessadas durante a investigação na área onde teria ocorrido o furto. Segundo Aguena, a única ocasião em que desceu até aquele setor foi em outra oportunidade, por determinação de uma superior, para verificar uma movimentação suspeita que havia sido registrada e comunicada à equipe.

Em relação ao dia em que o furto teria ocorrido, Aguena afirmou que estava escalado na guarita, mas permaneceu no ponto onde trabalhava enquanto a equipe que chegou ao local seguiu para a parte inferior. Ele disse que não há imagens que mostrem sua presença naquele setor.

Aguano garante que ficou apenas na guarita e teria sido inocentado pelo agente que foi flagrado com o motor em sua residência (Foto: Alfredo Risk)

Aguena também relatou o impacto da divulgação de seu nome durante a investigação. Segundo ele, familiares e pessoas de seu convívio passaram a questioná-lo sobre o caso, inclusive uma filha, que foi abordada na escola. O guarda afirmou que se sentiu constrangido com a situação e que considera que a divulgação ocorreu antes da conclusão da perícia no celular e do inquérito.

“Se chegar daqui a 20 dias alguém conseguir provar que eu estava participando, aí pode soltar meu nome”, disse. Aguena afirmou ter confiança de que a perícia do telefone não encontrará mensagens ou negociações relacionadas ao furto e reiterou que espera que a investigação esclareça sua situação.

Início das investigações

O inquérito foi instaurado após o dono de uma motocicleta furtada em Franca, cidade distante 80 km de Ribeirão Preto, receber uma notificação de que o veículo desmanchado estaria à disposição. Ao chegar ao pátio, ele encontrou a moto, o motor e outras peças, mas constatou que um documento não correspondia ao veículo.

Ele foi até a Delegacia de Investigações Gerais da Divisão Especializada de Investigações Criminais (DIG/DEIC) e regularizou o documento. Ao retornar ao pátio, no dia seguinte, não encontrou mais o motor.

Investigadores da DIG/DEIC iniciaram então a apuração e constataram o furto de dois motores. Os agentes da GCM que estavam na viatura filmada e o agente que seria responsável pela guarita da área passaram a ser investigados.

Na madrugada desta quarta-feira (16), durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão, o motor foi encontrado na casa de um dos investigados. Ele teria, então, isentado Aguena de participação.

As investigações prosseguem. O advogado dos agentes que estavam na viatura e são investigados afirmou que não houve furto. A Prefeitura e a GCM informaram que seguem colaborando com as investigações, e a corporação municipal também instaurou um procedimento interno.

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Texto original daqui