Adalberto Luque
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo (MPSP), deflagrou nesta sexta-feira, 18 de setembro, a Operação Mimesis para investigar um grupo suspeito de manter 0estrutura organizada para a produção e comercialização de roupas falsificadas pela internet, sobretudo materiais esportivos e principalmente camisas de clubes e seleções de futebol.
Foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão em endereços do Jardim Aeroporto, na Zona Sul de Franca. A operação contou com apoio da Polícia Militar e da Receita Federal. A investigação identificou locais utilizados para a confecção, o armazenamento e a venda dos produtos falsificados. As vendas eram realizadas por meio de plataformas de comércio eletrônico. A investigação começou a partir de denúncias feitas pelas próprias plataformas e por empresas que tiveram produtos falsificados comercializados.
De acordo com as informações reunidas durante a investigação, a atividade seria realizada por meio de diferentes pessoas físicas e jurídicas, contas bancárias e perfis de vendedores utilizados nas plataformas. Embora formalmente distintas, essas estruturas apresentariam integração operacional e financeira.
A apuração também aponta indícios de divisão de tarefas entre os integrantes. Alguns seriam responsáveis pela confecção dos produtos, outros pelo armazenamento e outros pelas vendas realizadas pela internet. Durante a operação, foram localizados diversos produtos falsificados e apreendidos equipamentos eletrônicos que poderão conter informações relacionadas às atividades investigadas.
O material será analisado pelo Gaeco e poderá contribuir para o prosseguimento da apuração e para a identificação de outras pessoas envolvidas. A análise das contas vinculadas às pessoas físicas e jurídicas investigadas identificou 541.741 lançamentos bancários entre janeiro de 2021 e julho de 2024.
No período, foram registrados aproximadamente R$ 104,6 milhões em créditos e R$ 95,2 milhões em débitos. Somadas as entradas e saídas, a movimentação financeira chegou a quase R$ 200 milhões (R$ 199,8 milhões). O valor corresponde à movimentação das contas analisadas e não necessariamente ao lucro obtido pelo grupo.
Além das buscas, a Justiça determinou o sequestro e a indisponibilidade de bens dos principais investigados. A medida alcança imóveis utilizados para a confecção e o armazenamento dos produtos, veículos e ativos financeiros, com bloqueio de mais de R$ 3 milhões em contas bancárias ligadas aos investigados.
A operação contou com apoio da Polícia Militar e da Receita Federal. A análise dos equipamentos eletrônicos e dos demais materiais apreendidos poderá apontar a existência de outros produtos armazenados em imóveis de Franca e de outras cidades da região, além de fornecer novas informações sobre a atuação do grupo.
Em nota, o promotor Rafael Piola, do Gaeco de Franca, informou que um dos investigados foi preso em flagrante durante o cumprimento dos mandados. Em uma das empresas, foram encontradas mercadorias com sinais, marcas e logomarcas de organizações esportivas aparentemente falsificados e mantidas para fins comerciais.
Segundo Piola, também foram apreendidos telefones celulares, computadores, pendrives, HDs externos e outros equipamentos eletrônicos, que serão analisados pelo Gaeco. As investigações prosseguem a partir do conteúdo dos dispositivos e dos demais materiais recolhidos durante a Operação Mimesis.
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