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Pirataria no agro: encontro em Ribeirão Preto discute riscos de produtos falsificados na cadeia produtiva


A pirataria no agro foi tema de encontro do WTC (World Trade Center) Ribeirão Preto Business Club na última terça-feira (22). A discussão sobre o avanço da oferta e da compra de produtos falsificados na cadeia produtiva do agronegócio reuniu empresários e lideranças regionais.

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Participaram do painel “Pirataria – O risco invisível na cadeia de valor” o promotor de Justiça Adriano Mellega, especialista na repressão a fraudes com agrotóxicos, e o diretor de Vendas e Operações da Totvs S.A., Felipe Póvoa.

Mercado ilegal

Em 2025, o mercado ilegal movimentou mais de R$ 473 bilhões no Brasil, considerando 15 setores da economia, segundo levantamento do Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade. Além disso, pesquisa do Idesf (Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras) aponta que o mercado ilegal representa cerca de 24% do total de defensivos agrícolas utilizados no Brasil.  

A falsificação está cada mais difícil de identificar

Mellega destacou que a evolução do crime tornou mais complexa a diferenciação entre determinados produtos irregulares e os originais. No caso dos agrotóxicos, embalagem, rótulo e outros elementos visuais podem apresentar alto grau de semelhança, exigindo atenção a outros pontos da cadeia. Em sua avaliação, o interior de São Paulo é hoje o principal polo de falsificação de agrotóxicos, com itens que podem ser distribuídos para outras regiões e até para o exterior.

“A pirataria não está apenas naquela mercadoria falsificada facilmente reconhecida. Ela pode chegar à empresa por diferentes caminhos, como insumos, equipamentos, notas fiscais ou fornecedores. Quando não existe um acompanhamento estruturado desses riscos, o problema pode crescer silenciosamente e ser percebido apenas quando já trouxe consequências”, afirma.

Segundo o promotor, uma empresa pode adquirir um produto falsificado sem saber e enfrentar impactos financeiros, jurídicos e reputacionais até conseguir comprovar que desconhecia a irregularidade. 

Mellega cita como exemplo a reutilização de estruturas gráficas empregadas nos rótulos, bulas e lacres de agrotóxicos por parte de criminosos para a produção de materiais falsos destinados a outros setores, fenômeno que ele define como “convergência criminal”. Na prática, eles utilizam os mesmos hubs de falsificação para a prática ilícita em diversos segmentos. 

Inteligência artificial e automação ampliam capacidade de prevenção 

Se a sofisticação das falsificações dificulta a identificação visual, dados e tecnologia podem ampliar o controle sobre outras etapas da cadeia. Segundo Póvoa, rastreabilidade, inteligência artificial e automação permitem cruzar informações e apontar comportamentos fora do padrão antes que uma inconsistência avance pela operação.

“A pirataria opera nas brechas do controle e da falta de rastreabilidade. Não estamos falando apenas de um problema jurídico ou policial, mas de uma falha crítica de governança. O risco só é invisível até afetar o balanço financeiro, parar a operação ou destruir a reputação do negócio”, afirma Póvoa.

A partir de casos envolvendo a comercialização de agrotóxicos falsificados, Mellega também citou o agente de inteligência artificial capaz de analisar a fotografia de uma nota fiscal, consultar diferentes bases de dados e apontar possíveis indícios de irregularidades. Segundo ele, uma triagem que poderia levar cerca de três horas manualmente pode ser feita em aproximadamente um minuto.

Para Rodolfo D’Elboux Guimarães Neto, CEO do WTC Ribeirão Preto Business Club, reunir diferentes perspectivas contribui para ampliar a discussão entre as lideranças empresariais. 

“Trazer a experiência de quem atua diretamente com investigação e, ao mesmo tempo, as possibilidades oferecidas pela tecnologia como solução permitem ampliar esse olhar e discutir formas de prevenção”, afirma.

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