| Por: Adalberto Luque |
A Polícia Civil aponta o guarda civil metropolitano Anderson Pavão Cardoso como principal autor dos furtos de peças de veículos apreendidos que estavam armazenadas no pátio da Prefeitura de Ribeirão Preto. As investigações identificaram, até o momento, dois motores e um escapamento retirados do local e encontrados no endereço do agente.
De acordo com um relatório, os elementos reunidos durante a investigação indicam que Anderson teria utilizado a condição de guarda civil metropolitano e uma viatura da corporação para retirar e transportar as peças. A Polícia Civil também aponta que ele teria admitido a autoria dos fatos e reconhecido ser o guarda que aparece nas imagens de uma câmera de segurança carregando um objeto envolvido em uma lona.
As imagens foram registradas na madrugada de 2 de setembro e mostram dois guardas nas proximidades de uma viatura dentro do pátio. Além de Anderson, aparece Carlos Maciel Silva Rocha, cuja participação, segundo a investigação, foi afastada até o momento.
Em depoimento, Carlos afirmou que, ao chegar ao pátio, foi orientado por Anderson a fazer uma ronda. Segundo ele, Anderson disse que iria buscar uma peça que seria dele e que tinha um documento para retirá-la. Carlos relatou que fez a ronda, parou para fazer uma refeição e não viu se o colega havia retirado ou colocado algum objeto na viatura.
Durante as buscas realizadas pela Polícia Civil, nada relacionado aos furtos foi encontrado na casa de Carlos. Em depoimento, ele também teria negado participação. Mesmo com a participação afastada, o celular do guarda permanece apreendido e será submetido a perícia.
Segundo o relatório, Anderson afirmou que Carlos não participou da ação. A Polícia Civil também encontrou no endereço de Anderson dois motores e um escapamento que, segundo a investigação, haviam sido retirados do pátio.
Ainda conforme o relatório, Anderson utilizava a própria estrutura da Guarda Civil Metropolitana para transportar as peças. Depois de chegar à base da corporação, estacionava a viatura ao lado de seu carro e fazia a transferência dos objetos de um veículo para o outro.
A investigação também afastou, até o momento, a participação de Paulo de Tarso Azevedo Aguena. O guarda trabalhava em uma guarita localizada distante do ponto onde a viatura foi estacionada no momento em que as peças teriam sido retiradas.
Segundo a Polícia Civil, isso praticamente elimina a possibilidade de Paulo ter visto ou testemunhado o que ocorreu. Apesar de não estar sendo apontado como participante dos furtos, o celular dele também foi apreendido e permanece em perícia.
Ao final do relatório, a Polícia Civil afirma que os elementos reunidos demonstram, de forma consistente, a prática de subtração de peças que estavam sob custódia do Estado. Segundo a investigação, o principal investigado teria se valido da condição de guarda, da confiança relacionada à função e da utilização de uma viatura da corporação para praticar e ocultar os furtos.
As investigações ainda buscam verificar se outros objetos de veículos foram retirados do pátio e se houve outros episódios além daqueles já identificados.
Prefeitura
Em nota, a Prefeitura de Ribeirão Preto informou que os servidores envolvidos foram afastados das funções, tiveram o armamento recolhido e foram colocados à disposição da Polícia Civil.
A administração municipal informou ainda que o caso também é apurado por meio de procedimento interno da Guarda Civil Metropolitana, destinado a verificar a conduta funcional dos envolvidos. O prazo para conclusão dessa apuração é de pelo menos 30 dias, podendo ser prorrogado. Os três permanecem afastados, sem farda e sem armamento.
A reportagem não conseguiu contato com os advogados dos três citados no inquérito. O espaço permanece aberto para manifestação das defesas.
Relembre o Caso
Três guardas civis metropolitanos foram afastados pela Prefeitura após a suspeita de furto de peças de motocicletas que estavam no pátio da Secretaria Municipal de Infraestrutura da Prefeitura de Ribeirão Preto. Os veículos haviam sido apreendidos pela Polícia Civil e estavam no espaço utilizado pelo Estado por meio de uma parceria com o município.
A investigação começou depois que foi constatado o desaparecimento de peças de veículos apreendidos. Imagens de uma câmera de segurança registraram dois guardas próximos a uma viatura durante a madrugada de 2 de setembro, quando as peças teriam sido retiradas do pátio.

Anderson Pavão Cardoso e Carlos Maciel Silva Rocha aparecem nas imagens. Durante as diligências, um dos motores foi localizado no endereço de Anderson. A partir das buscas e dos depoimentos, a Polícia Civil passou a apurar a participação dos três guardas.
GCM falou ao Tribuna
Em entrevista exclusiva ao Tribuna, Paulo de Tarso Azevedo Aguena negou qualquer participação no furto das peças. Ele afirmou que trabalhava na guarita do pátio e que não esteve na área onde a viatura foi estacionada no momento da retirada dos objetos.
O guarda também afirmou que Anderson Pavão Cardoso o isentou de participação no caso. Segundo Aguena, o colega declarou que ele não tinha conhecimento da ação e não havia participado do furto.
Aguena relatou ainda que sua residência e uma oficina foram alvo de buscas durante a investigação e que nenhum objeto relacionado ao caso foi encontrado. O celular dele foi apreendido e encaminhado para perícia.
Durante a entrevista, o guarda também afirmou ter se sentido prejudicado pela exposição de seu nome durante a investigação. Ele disse que passou a ser questionado por pessoas próximas e que aguardava a conclusão das perícias para esclarecer sua situação.
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