Influenciadora Esquerdogata é condenada por injúria racial e desacato em Ribeirão Preto
A Justiça condenou a influenciadora Aline Bardy Dutra, conhecida nas redes sociais como Esquerdogata, por injúria racial e desacato após ofensas contra policiais militares durante uma fiscalização de trânsito em Ribeirão Preto. A sentença foi publicada na segunda-feira (21), pela 2ª Vara Criminal da cidade. Cabe recurso.
Aline foi condenada a 1 ano e 4 meses de reclusão e seis dias-multa por injúria racial, além de quatro meses de detenção por desacato. O regime inicial foi fixado como aberto.
As penas foram substituídas por prestação de serviços à comunidade e tratamento contra o alcoolismo, que deverá ser comprovado à Justiça a cada dois meses. A influenciadora pode recorrer em liberdade.
Aline foi absolvida da acusação de resistência por falta de provas.
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Por que a pena foi reduzida?
A juíza Carolina Moreira Gama reconheceu que Aline era semi-imputável no momento dos fatos. Segundo a sentença, um laudo pericial apontou dependência de álcool associada a transtorno de personalidade e concluiu que ela estava alcoolizada no dia da ocorrência, com a capacidade de autodeterminação prejudicada.
O documento também registra que Aline conhecia os efeitos do álcool sobre si e que o consumo não ocorreu de forma involuntária. Por isso, a semi-imputabilidade não afastou a responsabilidade pelos crimes, mas permitiu a redução das penas em um terço.

O Ministério Público havia pedido a condenação pelos três crimes e o cumprimento da pena em regime inicial semiaberto.
A Justiça não determinou indenização aos policiais. A sentença, no entanto, afirma que a decisão poderá ser utilizada pelos agentes para pedir reparação por danos em uma ação específica.
O que diz a sentença?
Segundo a denúncia, os policiais realizavam uma fiscalização de trânsito quando Aline passou a questionar os critérios da abordagem e a filmar a ação. Ela teria afirmado que os agentes abordavam apenas pessoas negras.
De acordo com os depoimentos dos policiais, Aline disse que aquilo era “um preto querendo f… outro preto”, em referência a um dos agentes, que é negro. A voz de prisão por injúria racial teria sido dada naquele momento.
Ainda segundo os policiais, depois da prisão, Aline passou a xingá-los.
Em depoimento à Justiça, a influenciadora afirmou que foi mal interpretada. Segundo a sentença, ela disse que pretendia afirmar que os policiais deveriam defender outras pessoas negras e atuar em favor dos mais necessitados.
Aline também declarou ser alcoolista em recuperação, reconheceu ter agido de forma impulsiva e disse ter vergonha de ter “tentado dar uma carteirada”.
O que diz a defesa?
Em nota, a defesa afirmou que recebeu a sentença “com equilíbrio” e que acredita que a decisão será reformada pelas instâncias superiores.
Segundo os advogados, Aline está indignada com o resultado e entende que a decisão “privilegiou o ambiente político local em detrimento da boa técnica do Direito”.

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