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Justiça condena Esquerdogata por injúria racial


Influenciadora teve pena revertida em prestação de serviços à comunidade, mas defesa deve recorrer



| Por: Adalberto Luque |

A influenciadora digital Aline Badi Dutra, conhecida como “Esquerdogata”, foi condenada nesta pela Justiça de Ribeirão Preto pelos crimes de injúria racial e desacato contra dois policiais militares. A decisão do uiz Sylvio Ribeiro de Souza Neto, da 2ª Vara Criminal de Ribeirão Preto foi publicada segunda-feira, 21 de setembro.

Esquerdogata foi condenada a um ano e quatro meses de prisão, seis meses de dias-multa e outros quatro meses de detenção, tudo em regime inicial aberto, substituídas por prestação de serviços à comunidade.

A Justiça reconheceu a semi-imputabilidade de Aline, considerando que, no momento dos fatos, ela tinha capacidade reduzida, mas não totalmente impedida, de compreender que a conduta era ilegal. A decisão também apontou que ela estava sob efeito de álcool e determinou que comprove, a cada dois meses, a realização de tratamento contra o alcoolismo.

Durante a prisão de Esquerdogata, ela teve gravados vários momentos em que agrediu verbalmente os policiais. Num deles, criticou a forma como os PMs trabalhavam. “Minha sandália vale o carro de vocês. [risos] Ganha aí R$ 2.500,00 de salário e tem a síndrome do pequeno poder. Acham que mandam alguma coisa. Não sabem nem como usar essa arma. Já foi para a Europa, meu amor? Vou te falar, vai para a Itália para você ver o que são os policiais. Vocês teriam vergonha”, disse Aline Badra.

O caso ocorreu durante uma fiscalização de trânsito no Centro de Ribeirão Preto, em 25 outubro de 2025. Segundo a sentença, Aline passou a filmar a ação e questionar os critérios adotados pelos policiais. Na sequência, teria ofendido um dos PMs, que também registrou a ocorrência em vídeo.

Aline foi presa na madrugada de 25 de outubro e passou por audiência de custódia. Depois, foi liberada mediante o cumprimento de medidas cautelares e passou a responder ao processo em liberdade.

Em março deste ano, a pedido da defesa, Aline foi submetida a exame de sanidade mental. O laudo do Instituto de Medicina Social e de Criminologia de São Paulo apontou síndrome de dependência de álcool e transtorno de personalidade emocionalmente instável. Segundo o documento, características de impulsividade e reação emocional associadas ao consumo de álcool prejudicaram sua capacidade de autodeterminação durante o episódio.

Em nota, a defesa informou que deve recorrer da decisão às instâncias superiores. Segundo os advogados, Aline está indignada e considera que o veredito “privilegiou o ambiente político local em detrimento da boa técnica do direito”.

Relembre o caso

Aline foi presa na madrugada de 25 de outubro de 2025, depois de intervir em uma abordagem realizada por policiais militares na região central de Ribeirão Preto. Segundo a acusação, ela passou a questionar a atuação dos agentes e a fazer ofensas durante a abordagem. O Ministério Público denunciou a influenciadora por injúria racial, desacato e resistência.

Em 11 de agosto deste ano, Aline participou da audiência de instrução na 2ª Vara Criminal de Ribeirão Preto. Também foram ouvidas testemunhas relacionadas ao processo. Na ocasião, a defesa já havia solicitado a realização de exame pericial para verificar se problemas psiquiátricos poderiam ter interferido na capacidade de compreender ou controlar os próprios atos. O juiz publicou sua decisão na segunda-feira.

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Texto original daqui