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A Operação Sevandija, que abalou a administração pública de Ribeirão Preto, completou dez anos em 2026. Para refletir sobre o impacto do caso, debater os avanços nos mecanismos de controle e apontar os desafios que continuam na política local, o Instituto Ribeirão 2030 e o FERP (Fórum das Entidades de Ribeirão Preto) promoveram um encontro no Auditório da ACIRP.
Uma da principais propostas do evento foi resgatar a memória do período para assegurar que a transparência e a participação ativa da sociedade sejam prioridades permanentes na gestão pública da cidade.
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A importância de não esquecer sobre a Operação Sevandija
Para André Ali Mere, Coordenador do FERP, a realização do evento cumpre o papel de manter viva a memória coletiva sobre a operação.
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“A Operação Sevandija foi o maior escândalo que aconteceu na cidade, e agora, completando dez anos, nós do Fórum das Entidades de Ribeirão Preto achávamos importante fazer um evento para que isso seja marcado. Para que essa mancha que aconteceu na política do munícipio não se repita, a gente não pode esquecer; o objetivo é esse”, destaca Ali Mere.
O coordenador ressalta que o grupo está estruturando um documento para entregar ao poder público, cobrando que a transparência se torne uma política contínua.
“Os governos têm que ser absolutamente transparentes. Então, nós estamos fazendo um documento para entregar para as autoridades municipais, para que realmente a transparência seja uma política estabelecida nesta prefeitura e nas que vêm pela frente, independentemente de qual seja o prefeito que esteja no cargo”, complementa.
O cenário nacional e os impactos institucionais
O Presidente do INAC (Instituto Não Aceito Corrupção), Roberto Livianu, avalia que a última década foi marcada por um processo de enfraquecimento das leis de combate à corrupção no país, gerando reflexos diretos na confiança da população em relação às instituições.
“Esse período coincide com uma época que nós temos vivido no Brasil de declínio no combate à corrupção. Em 2015, chegaram à Câmara dos Deputados as dez medidas contra a corrupção, e elas surgiram em meio ao processo da Lava Jato.
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O Presidente do INAC destaca como a reação do Legislativo marcou uma virada institucional no país.
Quando elas foram apresentadas à Câmara, foram apresentadas como uma proposição com 2.500.000 assinaturas para que nós avançássemos no combate à corrupção. Os deputados receberam como uma afronta, se sentiram emparedados”, pontua Livianu.
Segundo o especialista, a criação de estruturas de controle interno é um ponto positivo em Ribeirão Preto.
“De lá para cá, aqui em Ribeirão Preto especificamente, uma coisa positiva que nós tivemos foi, de certa maneira, a organização de uma infraestrutura em relação ao controle interno. Hoje existe ouvidoria, controladoria, corregedoria e auditoria. É uma estrutura modesta; existem apenas 11 servidores para cuidar de responsabilidades grandes, mas, pelo menos, se criou uma estrutura de controle interno”, analisa.
Para evitar novos casos, Livianu reforça que não existem soluções mágicas, defendendo planejamento, envolvimento social e investimentos estruturais.
“Não existe bala de prata na prevenção e no combate à corrupção. Não há super-herói com capa mágica. Para prevenir, existe planejamento, envolvimento da sociedade e o funcionamento das instituições”, conclui.

O papel da sociedade civil e o controle social
Autor do livro “Sevandija”, o jornalista Cristiano Pavini aponta que a sociedade precisa ter um encerramento claro das investigações judiciais e assumir um papel ativo de fiscalização do dinheiro público no dia a dia.
“A Sevandija, principalmente, precisa ter um fim, para que a sociedade saiba quem a Justiça considera culpado, quem foi inocentado e quais eram os ilícitos que comprovadamente ocorreram na cidade. Justamente para ela ter atenção, olhar para frente e ajudar a evitar que esses fatos voltem a ocorrer.
O autor enfatiza a relevância da participação ativa de cada cidadão na fiscalização do trabalho dos políticos eleitos
A sociedade precisa estar sempre mobilizada para, na medida do poder de cada pessoa — seja na fiscalização de uma obra que acontece na rua, seja acompanhando o trabalho do vereador que ela escolheu para representá-la, seja participando de conselhos municipais —, e exercer o seu papel de cidadania”, destaca Pavini.
O jornalista argumenta que a prefeitura ainda precisa caminhar muito na criação de mecanismos que estimulem a participação popular efetiva, como o orçamento participativo e conselhos empoderados.
“Eu entendo que, nesse quesito, muito pouco se avançou. Desde a Sevandija, a prefeitura criou algumas estruturas de controle interno, criou uma Controladoria Geral do Município, e a sociedade está mais atenta”.
Para o autor, embora existam avanços formais, a estrutura ainda é insuficiente,
“Porém, faltam, principalmente, mecanismos que a prefeitura crie para incentivar a participação social. Um governo que queira realmente prevenir a corrupção vai precisar avançar em transparência e em controle social”, reforça.


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