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O debate da EPTV entre candidatos ao Senado por São Paulo teve discussões sobre apostas (bets), violência contra a mulher, segurança pública, emprego e renda, meio ambiente, Bolsa Família e reforma política na noite desta quarta-feira (30), em Campinas.
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Participaram do debate Geraldo Ruffino (Podemos), Marina Silva (Rede), Simone Tebet (PSB) e Soninha Francine (Cidadania). André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP) também foram convidados, mas não participaram. Os dois haviam confirmado presença anteriormente, mas informaram que não poderiam comparecer por compromissos de campanha.
Ao longo do debate, os candidatos apresentaram posições e propostas sobre diferentes temas de interesse do eleitorado. Entre os assuntos discutidos estiveram segurança pública, emprego e renda, meio ambiente, programas sociais, apostas esportivas e violência contra a mulher.
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Como foi o debate na EPTV?
O debate foi dividido em quatro blocos. Nos três primeiros, os candidatos tiveram 30 segundos para fazer a pergunta, um minuto e meio para responder, um minuto para a réplica e mais um minuto para a tréplica.
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chamado para entrevistas.
Nos dois primeiros blocos, os temas foram livres. No primeiro, houve um sorteio para definir o candidato que faria a pergunta. Em seguida, o sorteado escolheu quem responderia. Cada participante teve a oportunidade de responder uma vez.
No segundo bloco, foram sorteados os candidatos que fariam as perguntas e os que responderiam.
Já o terceiro bloco teve temas definidos previamente. Foram sorteados tanto o candidato responsável pela pergunta quanto o tema a ser abordado. O candidato sorteado para perguntar escolheu quem responderia.
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No último bloco, cada participante teve um minuto e meio para fazer as considerações finais.
Veja abaixo alguns dos principais assuntos discutidos.
Apostas
As apostas estiveram entre os temas discutidos no debate. Simone Tebet defendeu o combate aos jogos de azar e afirmou que o problema também deve ser tratado como uma questão de saúde pública.
Simone Tebet (PSB):
“É um caso de epidemia, de doença. Está atingindo as crianças, os jovens e está na palma das mãos. É um vício que está, além de tudo, levando a suicídio, a desespero, à perda total da economia. Tirando dinheiro, inclusive, do atacado, do varejo, gerando desemprego, endividamento. Nunca se teve famílias paulistas e brasileiras tão endividadas. Mas, para isso, é preciso ter coragem. Eu tenho coragem. Eu não vou aceitar esse jogo. Porque ele é violento, ele vai ser violento, oferecendo todo tipo de favores para que parlamentares não derrubem essa ilegalidade. E eu vou estar lá para derrubar os jogos de azar. Pelas famílias, pelas crianças, pelos adolescentes, mas principalmente, e também, porque é caso hoje de saúde pública.”

Soninha Francine defendeu a manutenção de um mercado legalizado de apostas, mas com regras mais rígidas, incluindo restrições à publicidade e ferramentas para reduzir comportamentos compulsivos.
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Soninha Francine (Cidadania):
“Tem atividades que eu entendo que a proibição não é capaz de evitar e que têm, sim, um problema para parte da sociedade humana. E, se não houver a alternativa legalizada, as pessoas vão procurar o mercado ilegal. A Lei Seca é um mundo em que o álcool faz mal demais para as pessoas, para as famílias, para as sociedades, quando é usado indevidamente e quando tem um quadro de dependência. Mas proibir o comércio de álcool fez a festa da máfia somente. Então, eu preferiria manter um comércio legalizado no setor de apostas, mas com regras muito mais rígidas do que as que tinham sido estabelecidas na lei aprovada em 2023. Com mais restrições, ou 100% de restrição à publicidade, com obrigação de instalar mecanismos de retardo, de atraso, porque o celular em si já induz à compulsão. Então, formas de impedir que, por enquanto, a pessoa continue jogando indefinidamente. Tem uma série de ferramentas que é possível utilizar nesses casos. Talvez agora já não seja mesmo o caso, se a MP for votada.”

Violência contra a mulher
Marina Silva falou sobre o combate à violência contra a mulher e defendeu a criação e o fortalecimento de uma rede de proteção, com delegacias funcionando 24 horas e atendimento médico e psicológico às vítimas.
Marina Silva (Rede):
“Ajustar a segurança pública no combate à violência nos três níveis está no programa de governo do nosso candidato, Fernando Haddad. Um dos eixos fundamentais é o combate à violência dentro dos lares. Só que a violência dentro dos lares requer políticas públicas que levem as mulheres a ter uma rede de proteção. Uma rede de proteção, que são delegacias funcionando 24 horas, com pessoas bem treinadas. Uma rede de proteção pressupõe que essa mulher vai ser acolhida por médicos, por psicólogos, quando ela vai fazer uma denúncia de violência. Uma rede de proteção pressupõe que essa mulher será acolhida na Casa da Mulher Brasileira, quando assim se fizer necessário. É dessa forma que nós vamos combater a violência, não só contra as mulheres, mas inclusive contra os vulneráveis.”

A candidata também citou dados sobre estupro de crianças e feminicídios em São Paulo e criticou a ausência de um dos candidatos convidados para o debate.
Marina Silva (Rede):
“O estupro de criança aumentou 6% aqui em São Paulo no primeiro semestre, enquanto no Brasil caiu 2%. O feminicídio, aqui em São Paulo, cresceu 10%. Eu vejo que o nosso adversário, que faltou a esse debate, em desrespeito à população do interior, disse que está tudo resolvido. Não está resolvido.”
Segurança pública
Ao falar sobre segurança, Geraldo Ruffino defendeu políticas voltadas à geração de oportunidades para jovens como forma de reduzir o recrutamento pelo crime.
Geraldo Ruffino (Podemos):
“Olha, toda vez que eu falo de segurança, eu vejo as pessoas falarem de ação ostensiva, de ir para cima com controle, com arma, com câmera, com tecnologia. Do meu ponto de vista, a segurança vai se resolver se nós formos na base, levar solução, ou seja, levar oportunidade para onde se recrutam os nossos jovens. Os homens são recrutados das periferias, vindo da favela, da comunidade. A oportunidade precisa chegar primeiro. Se a oportunidade chegar primeiro, quando o crime chegar, não dá mais tempo, ele já achou o caminho. E essa oportunidade acontece quando nós mudarmos essa lei. É o que eu vou fazer no Senado de imediato: fazer com que abaixe a maioridade profissional. Maioridade criminal não é maioridade profissional. Deixa o jovem trabalhar como eu consegui trabalhar com 14, 15 anos. E, quando chegar aos 16, ele já achou o caminho, ele não vai ser recrutado pelo crime.”

Emprego e renda
Ruffino também falou sobre as regras trabalhistas e defendeu mudanças no modelo de contratação.
Geraldo Ruffino (Podemos):
“Eu gero emprego há 40 anos. Os empreendedores têm o problema da lei trabalhista ultrapassada, que sufoca a folha, onera o trabalhador. Na realidade, precisa fazer uma reforma no modelo de contratação. Tem tanto PJ porque a CLT está ficando insuportável. Eu cresci na CLT e fiquei 15 anos na CLT, tempo suficiente para entender que precisa mudar o modelo, reformar.
Bolsa Família
Marina Silva defendeu o Bolsa Família como política de transferência de renda e afirmou que o programa deve funcionar como uma ponte para que os beneficiários consigam novas oportunidades de trabalho.
Marina Silva (Rede):
“É um dos programas que mais ajudam e mais efetivos que nós temos, porque ele assegura uma renda de dignidade para as pessoas. E agora, com o período de transição, se a pessoa consegue um trabalho, de início, ela não perde o benefício, ela vai seguindo no trabalho. Tanto é que aqui no estado de São Paulo mais de 700 mil famílias saíram do Bolsa Família após conseguir um trabalho, uma oportunidade de vida livre. Esse programa tem uma característica que o presidente Lula agora ajudou a resolver, que foi reajustar o Bolsa Família para corrigir a inflação, coisa que não vinha sendo feita desde 2023.”
A candidata também mencionou uma ação judicial contra o reajuste e defendeu a chamada inclusão produtiva.
Marina Silva (Rede):
“Nós tivemos um candidato chamado Zé Trovão, um dos candidatos que aqui não estão presentes, talvez em função desses problemas que não sabem explicar, que entrou na Justiça para derrubar o reajuste. Nós defendemos que o Bolsa Família seja uma porta de entrada, uma ponte para novas oportunidades. Com o Bolsa Família, as pessoas conseguem ter um trabalho melhor e, quando conseguem esse trabalho, elas saem do Bolsa Família. É isso que nós chamamos de inclusão produtiva.”
Reforma política
Simone Tebet classificou a reforma política como a “mãe de todas as reformas” e defendeu que temas como o fim da reeleição possam ser discutidos com participação direta da população.
Simone Tebet (PSB):
“Boa pergunta, porque a reforma política, como eu disse, hoje é a mãe de todas as reformas, é a origem de todas as crises que nós estamos vivendo. É uma crise institucional, é uma crise moral, é uma crise ética, ou melhor, é uma crise por conta da imoralidade, da corrupção que hoje está em todos os lugares. Além do voto distrital, você tocou em duas questões muito importantes. Eu acho que cabe, sim, numa próxima eleição, nas urnas, fazer a pergunta à população: ‘Eu quero ou não o fim da reeleição?’, com mandatos consecutivos para prefeitos, governadores ou presidentes da República. Mas acho que essa é uma questão que talvez a sociedade possa, de forma soberana, decidir. Então, eu acho que é louvável esse debate.”

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