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Mulheres têm mais dívidas com bets

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Faixa de renda familiar entre dois e quatro salários mínimos concentra 32,9% dos participantes; um terço está negativado e 43,9% estimam ter mais de R$ 5 mil em dívidas

Na região de Ribeirão Preto, as mulheres são maioria entre os consumidores endividados ouvidos pela Acordo Certo que apostam em bets: representam 50,6% da amostra, índice oito pontos percentuais acima da média nacional, de 42,6%, divulgada pelo relatório “Mulheres e Bets”.

O levantamento também aponta uma presença expressiva de pessoas com 55 anos ou mais, que correspondem a 35,4% dos entrevistados que afirmaram ter utilizado esse tipo de serviço recentemente. As plataformas também passaram a disputar espaço com outras prioridades do orçamento.

Para 14% dos entrevistados, o jogo é uma forma de obter recursos, enquanto 63,6% afirmam que, caso tivessem ganhos, usariam o valor para pagar dívidas. A faixa de renda familiar entre dois e quatro salários mínimos concentra 32,9% dos participantes. Um terço está negativado e 43,9% estimam ter mais de R$ 5 mil em dívidas.

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“Quando a aposta aparece como uma saída para pagar uma dívida ou fechar as contas do mês, ela deixa de ser apenas uma decisão de consumo e passa a concorrer diretamente com o dinheiro destinado às necessidades da família”, afirma Eduardo Cavalheiro, gerente de Comunicação da Acordo Certo.

“O problema é que a promessa de ganho rápido pode fazer com que a pessoa coloque ainda mais recursos em uma situação financeira que já está fragilizada”, afirma Eduardo Cavalheiro. O impacto aparece de forma concreta.

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Nos últimos doze meses, 9,7% dos entrevistados afirmaram ter deixado de pagar uma conta ou recorrido a empréstimo, cheque especial ou cartão para colocar dinheiro nas plataformas. Em um mês ruim, 37% disseram que atrasam dívidas ou contas básicas. Entre os que tentaram reduzir ou parar de apostar, 22,6% afirmam que não conseguiram.

Segundo Cavalheiro, a presença de mulheres e pessoas com mais de 55 anos amplia o debate sobre os diferentes públicos que passaram a acessar as plataformas. “Talvez o dado mais importante seja justamente mostrar que não existe um único perfil”, diz.

“São pessoas que podem chegar às apostas por razões diferentes, mas que estão sujeitas ao mesmo risco de transformar uma expectativa de ganho em mais uma fonte de pressão sobre o orçamento. Quando o jogo passa a disputar espaço com despesas básicas ou com o pagamento de dívidas, os reflexos podem alcançar toda a família”, explica.

O que jogam os apostadores da região – Os cassinos online são a modalidade mais citada entre os entrevistados. Jogos como Tigrinho, Dragão e similares foram mencionados por 58,1% dos participantes, enquanto as apostas em resultados esportivos representam menos de 1%.

A entrada nesse universo também é recente para boa parte do público. Entre os participantes, 61,3% afirmam apostar há menos de seis meses, 54,8% jogam algumas vezes por mês e 67,7% gastam até R$ 50 mensais.

A experiência com as plataformas também envolve outros tipos de problemas. Quase metade (48,1%) dos entrevistados que já apostaram afirma ter se sentido enganada por uma plataforma ou influenciador. Entre as situações relatadas estão não receber o ganho, ter a conta bloqueada ou cair em golpes.

A pesquisa ouviu 237 pessoas entre 31 de julho e 28 de setembro de 2026, em 21 municípios da região de Ribeirão Preto: Ribeirão Preto, Franca, Sertãozinho, Araraquara, Barretos, Bebedouro, Jaboticabal, Batatais, Pontal, São Joaquim da Barra, Taquaritinga, Monte Alto, Jardinópolis, Serrana, Orlândia, Ituverava, Guaíra, Guariba, Pitangueiras, Cravinhos e Barrinha.

Joédson Alves/Ag .Br. 
Os sites e aplicativos de apostas esportivas e jogos online, conhecidos como bets, começaram a sair do ar em todo o país nesta terça-feira, 6 de outubro

Proibição – Os sites e aplicativos de apostas esportivas e jogos online, conhecidos como bets, começaram a sair do ar em todo o país nesta terça-feira (6). A medida cumpre o previsto na MP 1.394/2026, que proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade dessas atividades no Brasil.

O prazo para que os usuários retirassem voluntariamente os recursos mantidos nas plataformas terminou às 23h59 de anteontem (5). As empresas esta quarta (7) e quinta-feira, 8 de outubro, para informar às instituições financeiras os saldos remanescentes de seus clientes, vinculados aos respectivos CPFs. De 9 a 14 de outubro, os bancos deverão efetuar a devolução dos valores aos apostadores.

Nos casos em que houver impedimento para a restituição dos recursos pelas instituições financeiras, a Caixa Econômica Federal poderá intermediar os pagamentos a partir de 14 de outubro.

A medida provisória foi assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 25 de setembro. A proibição alcança as apostas esportivas e os jogos online e determina o encerramento das atividades das plataformas no país.

Entre os 188 sites que operavam com autorização até segunda-feira, apenas um ainda está em funcionamento. O bloqueio já foi solicitado e a fiscalização acompanha o cumprimento da determinação. Segundo o boletim da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda, R$ 1,325 bilhão ainda aguarda devolução, e cerca de 26,5 milhões de apostadores têm saldo nas plataformas.

Um dos aspectos que podem estar relacionados ao ritmo de retirada é a quantidade de contas com valores pequenos. Ao todo, 86,2 milhões de contas têm entre R$ 0,01 e R$ 0,99, somando R$ 15,5 milhões. Uma mesma pessoa pode ter contas em diferentes plataformas, por isso o número de contas é maior que o de apostadores.

Quem não conseguiu sacar os recursos dentro do prazo não perderá o dinheiro. As empresas deverão repassar aos bancos os dados dos saldos remanescentes para que a devolução seja feita aos apostadores.

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Texto original daqui