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Quem era o juiz encontrado morto em carro em chamas a 170 km de Ribeirão Preto

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A morte do juiz Gustavo de Castro Campos, aos 51 anos, mobilizou a comunidade jurídica do interior de São Paulo. O corpo do magistrado foi localizado na noite de quarta-feira (7), dentro de um veículo em chamas na área rural de São João da Boa Vista, cidade a 170 quilômetros de Ribeirão Preto.

Com atuação em casos criminais na região, ele reunia passagens por diferentes frentes do sistema de Justiça, tendo atuado como advogado particular e delegado de polícia antes de assumir varas judiciais nos estados do Espírito Santo e de São Paulo.

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Origem na Grande São Paulo e primeiros passos no Direito

Natural de Mogi das Cruzes, cidade da Grande São Paulo, Gustavo de Castro Campos concluiu a graduação em Direito no Centro Universitário Braz Cubas. Logo após a faculdade, deu início à carreira jurídica atuando diretamente na advocacia privada.

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Durante uma década, trabalhou na representação de clientes em fóruns do interior paulista. Essa vivência inicial de dez anos como advogado marcou sua postura na condução das audiências ao longo de toda a vida profissional, segundo relatos de colegas que acompanharam sua trajetória nos tribunais.

Passagem pela polícia e chegada à magistratura

Em 2014, Gustavo de Castro Campos iniciou uma sequência de aprovações em concursos públicos na área de segurança e Justiça:

  • Delegado de polícia: Tomou posse e atuou na Polícia Civil do Estado do Espírito Santo após aprovação em concurso público.
  • Magistratura no Espírito Santo: No mesmo ano de 2014, foi aprovado para o cargo de juiz substituto do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJ-ES), onde assumiu funções após deixar a corporação policial.
  • Retorno a São Paulo: Ainda em 2014, prestou concurso para o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) e ingressou na magistratura paulista como juiz substituto da 14ª Circunscrição Judiciária, com sede em Barretos.
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Nos anos seguintes no Judiciário paulista, trabalhou em Tambaú antes de se fixar como titular da 2ª Vara da Comarca de Mococa. 

Atuação nas comarcas do interior

Em Mococa, Castro Campos concentrava sua rotina na condução de processos da área criminal, embora também despachasse ações de outras naturezas jurídicas. O magistrado residia com a família na cidade vizinha de São João da Boa Vista e se deslocava até o fórum de Mococa para cumprir as atividades de rotina, além de realizar sessões judiciais de forma remota.

Durante a pandemia, quando exercia atividades em Tambaú, o magistrado foi um dos nomes que participaram de campanhas de orientação pública organizadas pela Apamagis (Associação Paulista de Magistrados). Na gravação, divulgada para detalhar o funcionamento do trabalho digital aos cidadãos, ele declarou: “Nós do Poder Judiciário somos a última porta de socorro à população”.

Rotina profissional e manifestações

Na própria quarta-feira em que ocorreu a morte, o juiz manteve sua agenda formal de trabalho. O advogado criminalista Rogério Mega relatou ter participado de uma audiência encerrada por volta das 15h30 sob o comando do magistrado. Em declaração ao jornal Estadão, o advogado pontuou a necessidade de rigor na apuração policial.

“Precisa ser muito bem investigado, pois seria uma afronta à justiça. Fazia o trabalho dele. Vamos esperar as investigações”, afirmou Rogério Mega.

A advogada criminalista Janaina Rotta publicou texto nas redes sociais apontando o reflexo da carreira prévia do magistrado na sua postura em audiência:

“Dr. Gustavo foi advogado por dez anos antes de ingressar na magistratura, e isso sempre fez diferença. Costumo dizer que quem conhece o ‘chão de fábrica’ enxerga de outra forma aquele que está do outro lado. Ele conhecia a realidade da advocacia, o peso dos prazos, das responsabilidades, das angústias e da luta diária de quem exerce essa profissão. Por isso respeitava, escutava e compreendia.”

O Tribunal de Justiça de São Paulo emitiu nota oficial de pesar. “O Tribunal registra, com gratidão, sua dedicação e contribuições prestadas ao longo da carreira. As circunstâncias do ocorrido são investigadas pelas autoridades competentes”.

Localização do carro e apuração policial

O veículo ocupado pelo juiz foi visto em chamas por volta das 19h15 de quarta-feira, em uma estrada no interior de uma fazenda na zona rural de São João da Boa Vista. Trabalhadores que passavam pelo trecho operando uma máquina retroescavadeira lançaram terra para apagar o fogo e viram o corpo no interior do automóvel.

Equipes do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar foram acionadas ao ponto da ocorrência. Durante a vistoria no interior do carro, agentes recolheram a carteira nacional de habilitação expedida em nome do magistrado, o que possibilitou o reconhecimento inicial da vítima.

A Delegacia Seccional de São João da Boa Vista e o setor de investigações criminais da Polícia Civil mantêm as diligências abertas para apurar o trajeto feito pelo carro, o local de origem do fogo e a causa da morte, sem descartar linhas de trabalho.

Com informações  José Maria Tomazela/Estadão Conteúdo

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