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Serial killer agindo em SP? Veja o que a polícia diz sobre mortes com traços de execução

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A Polícia Civil de São Paulo descartou a atuação de um serial killer (assassino em série) na capital paulista. A informação foi confirmada pela diretora do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), delegada Ivalda Aleixo, após publicações na internet relacionarem diferentes mortes recentes na cidade.

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Delegada descarta serial killer

Segundo a delegada, não há indícios de que os crimes tenham ligação direta entre si. “Não existe nenhuma evidência de que um serial killer está agindo em São Paulo”, disse a delegada em vídeo publicado nas redes sociais.

A circulação do boato começou porque algumas vítimas foram encontradas enroladas em sacos plásticos, cobertores ou tecidos. A polícia explica que essa forma de esconder e transportar corpos é comum na criminalidade e não representa a marca de uma única pessoa.

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“Esse tipo de acondicionamento infelizmente é recorrente para transportar e ocultar cadáveres. Mas, isoladamente, não constitui a assinatura de um criminoso”, disse a delegada.

Crimes em diferentes regiões

Outro fator que afasta a tese de um criminoso único é a distância entre os locais onde os corpos foram localizados:

  • 4 casos na Zona Leste
  • 3 casos na Zona Sul
  • 1 caso na Zona Norte
  • 1 caso na Zona Oeste

Entre os registros estão um corpo amarrado achado em 5 de setembro no Jabaquara, na Zona Sul, e outro esquartejado no dia 19 de setembro no Jaçanã, na Zona Norte. Não há registros na região central.

Ligação com facção criminosa

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Embora tenha descartado um serial killer, o DHPP investiga a relação das mortes com o chamado “tribunal do crime”, ligado à facção Primeiro Comando da Capital (PCC).

Ao todo, o departamento abriu inquéritos individuais para apurar ao menos oito ocorrências. Das vítimas atendidas pelo DHPP, sete já tiveram a identidade confirmada e uma segue sem identificação.

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública, o foco das apurações agora é identificar os autores dos assassinatos e confirmar o motivo dos crimes, que têm entre as principais hipóteses vingança e ordens internas da facção.

O que é um serial killer? Entenda a origem do termo

Embora a expressão serial killer dê a impressão de se tratar de um fenômeno moderno, o termo surgiu apenas na década de 1970 para descrever comportamentos criminosos antigos. A origem do conceito e as controvérsias sobre o que realmente caracteriza um assassino em série foram detalhadas em artigo assinado pelo pesquisador Rafael Pereira Gabardo Guimarães e divulgado pela Polícia Civil do Paraná (PCPR).

Segundo o levantamento publicado pela corporação, a denominação ganhou força a partir de Robert Ressler, agente especial do Federal Bureau of Investigation (FBI) e um dos membros fundadores da Unidade de Ciência Comportamental da agência norte-americana. 

Ressler começou a utilizar o termo após acompanhar uma palestra que descrevia sequências de roubos, estupros e assassinatos como “crimes em série”. Há registros de que o crítico alemão Siegfried Kracauer já havia empregado a expressão “homicida em série” (serial murderer) uma década antes, mas foi o agente norte-americano quem consolidou o vocábulo na cultura mundial.

A regra dos três critérios

De acordo com o texto da PCPR, a classificação adotada oficialmente pelo FBI apoia-se em três elementos objetivos:

  • Quantidade: o indivíduo deve assassinar três ou mais pessoas.
  • Lugar: os crimes ocorrem em locais diferentes.
  • Tempo: há um período de intervalo (ou resfriamento emocional) entre as mortes.

Divergências e limites da classificação

Apesar de ser amplamente difundida, a fórmula do FBI enfrenta divergências na criminologia. A avaliação apontada no artigo destaca que a definição oficial é vista por parte dos especialistas ora como excessivamente ampla, ora como restrita.

O principal ponto de discordância gira em torno da motivação. Especialistas no assunto sustentam que o assassino em série age impulsionado por componentes psicológicos específicos, frequentemente associados a conotações sexuais ou satisfação pessoal mórbida. Se forem considerados apenas critérios frios de tempo, local e contagem de mortos, criminosos como matadores de aluguel ou sequestradores poderiam entrar na mesma categoria, ainda que sua conduta responda a interesses financeiros ou funcionais completamente distintos.

Com informações Ítalo Lo Re/Estadão Conteúdo

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