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Um casarão construído há quase um século na rua General Osório, no Centro de Ribeirão Preto, abre as portas neste sábado (17), para receber a Central Contemporânea, espaço independente dedicado à produção, à experimentação e à circulação da arte contemporânea.
A inauguração acontece às 17h e será marcada pela abertura da exposição “Arde Outra Vez”, que propõe reflexões sobre censura, autocensura e liberdade de expressão na arte.
Idealizada como uma ocupação coletiva de ateliês e ambiente expositivo, a Central Contemporânea reúne diferentes práticas artísticas e busca estimular a convivência entre artistas, a produção autoral e o intercâmbio de ideias.
O casarão é gerido pela arquiteta, urbanista, artista visual e curadora Yolanda Cipriano, pelo artista visual e arte-educador Felipe Pitt e pelo artista plástico e poeta Thiago Klumb.
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A iniciativa também propõe uma nova forma de ocupação cultural do Centro, ao transformar uma antiga residência em espaço de criação e debate artístico.
“Abrir um espaço de arte contemporânea em um casarão da década de 1930 no centro de Ribeirão Preto é um encontro poderoso entre memória urbana e criação atual. Essa fusão valoriza o patrimônio histórico ao mesmo tempo em que oxigena a região central da cidade com novas experiências culturais e debates artísticos”, diz Yolanda.
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Exposição inaugural
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A mostra “Arde Outra Vez” foi idealizada pelo artista visual Élcio Miazaki, e reúne trabalhos de Andréa Eichenberger, Guta Galli, Marcelo Amorim, Patrícia Paixão, Renan Marcondes, Tales Frey e Wagner Schwartz.
As obras disponíveis no casarão abordam experiências de censura, autocensura e outras formas de silenciamento no campo artístico, colocando em discussão os limites da liberdade de expressão.
A proposta busca estabelecer diálogos entre artistas, instituições e públicos de diferentes cidades, ampliando as possibilidades de circulação e discussão da produção artística.
A trajetória recente do projeto também é marcada por um episódio de censura em Ouro Preto (MG), onde a exposição Habeas Corpus, de Élcio, teve sua abertura impedida no início deste ano.
A experiência passou a integrar o próprio processo criativo do artista, que transformou o episódio em ponto de partida para novas reflexões sobre os limites impostos à produção cultural e as possibilidades de resistência pela arte.
“Ao reunir uma exposição dedicada à liberdade de expressão e uma casa que preserva marcas de outras épocas, a Central Contemporânea começa sua trajetória colocando em diálogo diferentes formas de memória. De um lado, a história inscrita na arquitetura, de outro, a arte como instrumento para questionar o presente e imaginar novos caminhos”, diz a curadora Yolanda Cipriano.


Casarão preserva elementos da arquitetura original
Construído entre 1925 e 1930, o casarão que abriga a Central Contemporânea mantém características da arquitetura residencial do período.
Após uma reforma realizada em 2019, o imóvel preservou elementos originais, como pisos de ladrilho hidráulico com desenhos geométricos, tacos de madeira nos quartos e portas e janelas de cedro e peroba-rosa.
Outros detalhes do casarão também fazem parte do conjunto arquitetônico, entre eles os guarda-roupas revestidos com lâmina de imbuia, a iluminação natural de um dos banheiros por blocos de vidro decorado e a escada de granilite com madrepérola.
A preservação desses elementos do casarão fazem parte da experiência proposta pelo espaço, em que a arquitetura histórica convive com a produção contemporânea.
“Ao receber a produção artística contemporânea sem apagar as características originais da construção, a Central estabelece uma relação entre memória e criação, reforçando o potencial de imóveis históricos como espaços vivos de cultura”, afirma Thiago Klumb.


Serviço
Inauguração da Central Contemporânea e abertura da exposição Arde Outra Vez
Quando: 17 de outubro, sábado
Horário: das 17h às 22h
Visitação: de 21/10 a 07/11 – às quartas, das 18h às 21h, sextas, das 14h às 18h e sábados, das 9h às 15h.
Local: Central Contemporânea — rua General Osório, 983 – Centro
Informações: (16) 99616-1983
Classificação indicativa: 14 anos
Entrada Gratuita
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