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Fim da escala 6×1: especialista explica como empresas podem se adaptar à mudança

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O Congresso Nacional promulgou nesta sexta-feira (16) a Emenda Constitucional 141, que acaba com a escala 6×1 e garante dois dias de repouso semana sem redução salarial.

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Segundo levantamento do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), dos 44,7 milhões de trabalhadores com jornada identificada, cerca de 14,9 milhões, o equivalente a um terço, cumprem atualmente a escala 6×1 e serão beneficiados pela mudança.

Em entrevista ao acidade on, a empresária e executiva de recursos humanos Jaciani Rizziolli avalia que a adaptação exigirá uma mudança de mentalidade por parte dos gestores.

Segundo ela, em vez de concentrar esforços na discussão sobre concordar ou não com as novas regras, as empresas precisam buscar soluções para reorganizar as jornadas de trabalho.

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“Eu imagino que a gente deva investir mais tempo planejando como fazer. Porque o concordar ou discordar parece não estar mais nas nossas mãos, né? Isso vai virar uma legislação e a gente vai precisar se adequar, independente da nossa concordância ou não.”

A especialista ainda destacou que essa transição não será simples, especialmente para empresas que dependem de funcionamento aos fins de semana e feriados. No entanto, ela acredita que a revisão dos processos, o uso de tecnologia e a análise do comportamento dos consumidores podem ajudar a reduzir dificuldades e melhorar a eficiência das operações.

Abaixo, confira os principais pontos destacados pela especialista sobre os impactos do fim da escala 6×1 para trabalhadores e empresas. Clique no tópico desejado ou navegue pela reportagem completa.

Congresso promulga o fim da escala 6×1 – Foto: reprodução.
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O que muda com o fim da escala 6×1?

Com o fim da escala 6×1 e a publicação da emenda, trabalhadores terão direito a dois dias de descanso semanal remunerado, com jornada máxima de 42 horas, em 60 dias. Um ano depois desse prazo, ou seja, 14 meses após a publicação, o limite cairá para 40 horas semanais.

Na prática, essa alteração exige que as empresas reorganizem horários, equipes e períodos de descanso para manter suas atividades em funcionamento. Conforme Jaciani, a mudança não significa necessariamente que todos os trabalhadores terão folgas aos sábados e domingos. A distribuição dos dias de descanso dependerá das necessidades de cada operação e das regras aplicáveis.

“As escalas vão continuar acontecendo, shopping vai continuar aberto, supermercado vai estar aberto, a farmácia está aberta, só que as escalas precisam ser alinhadas de uma maneira mais inteligente.”

A especialista ressalta ainda que os estabelecimentos que funcionam diariamente precisarão encontrar formas de conciliar o descanso dos funcionários com a demanda dos clientes.

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Empresas precisam mudar a forma de planejar as escalas de trabalho

Para Jaciani Rizziolli, um dos principais desafios do fim da escala 6×1 está na maneira como as empresas organizam suas equipes. Segundo ela, muitas operações ainda trabalham com modelos tradicionais de distribuição de horários, sem utilizar plenamente ferramentas tecnológicas e análises estatísticas, o que revela oportunidades de melhora na produtividade sem que a única alternativa seja aumentar o número de funcionários.

“Durante esses anos todos que eu trabalho com estudando eficiência, produtividade e escala de trabalho, fica muito evidente que as escalas, elas são feitas de uma maneira muito ainda tradicional e caseira dentro das empresas […] eu já vi caso de empresas que só de fazer um ajuste mais inteligente em escalas, ganhou 3% de produtividade e já vi empresa que ganhou 10% de produtividade de tão incorreta que a escala estava sendo feita.”

No entanto, a especialista pondera que os resultados variam conforme a realidade de cada negócio. O objetivo, segundo ela, não é afirmar que todas as empresas organizam suas escalas de maneira inadequada, mas mostrar que o planejamento pode contribuir para operações mais eficientes.

“Eu não estou aqui afirmando que todas as empresas fazem escalas erradas, não é sobre isso. Eu estou dizendo que na maioria dos casos há um GAP (uma lacuna), há um passo para ganhar eficiência quando a gente coloca inteligência na formatação dessas escalas.”

Nesse contexto, a adoção de sistemas especializados, a análise de dados e o acompanhamento da demanda podem ajudar os gestores a distribuir melhor os profissionais ao longo da semana.

Comércio de rua em Ribeirão Preto - Foto: arquivo acidade on.
Comércio de rua em Ribeirão Preto – Foto: arquivo acidade on.

Comportamento do consumidor pode orientar a distribuição das folgas

Outro ponto destacado por Jaciani é a necessidade de considerar o comportamento dos consumidores na elaboração das escalas. Para ela, a organização das equipes deve acompanhar os horários de maior movimento e as mudanças na demanda de cada estabelecimento.

A executiva observa que algumas empresas mantêm os mesmos modelos de jornada durante anos, mesmo quando o perfil do público e as características das regiões atendidas se transformam.

“Quem deveria fazer as escalas das empresas são os consumidores, principalmente no varejo. Quem dita a regra do horário, quem escolhe a hora de ir na tua loja, de ir no teu comércio, é o cliente, não é você.”

A partir dessa análise, as empresas podem identificar os períodos em que precisam de mais funcionários e aqueles em que é possível trabalhar com equipes menores, respeitando as regras de jornada e descanso.

“Eu costumo dizer que a pessoa certa para fazer escala é o cliente. Se baseia no comportamento do cliente, se baseia nas preferências do cliente e depois você faz a tua escala para atender o seu cliente.”

A estratégia pode ser especialmente relevante para supermercados, lojas, farmácias, restaurantes e outros estabelecimentos que precisam manter o atendimento em diferentes dias e horários.

Contratação de diaristas e outros modelos de trabalho pode ganhar espaço

A redução da jornada também pode levar empresas a reavaliar a composição de suas equipes e os formatos de contratação utilizados para atender às necessidades da operação.

Na avaliação de Jaciani, o debate sobre a jornada precisa ser acompanhado por uma reflexão sobre a flexibilidade dos contratos de trabalho, especialmente para negócios menores, que podem ter mais dificuldade para absorver mudanças nos custos.

“Eu defendo, inclusive, que nós tenhamos aí uma evolução na nossa legislação, que a gente possa contratar os horistas dentro do CLT. Que a gente também tenha uma flexibilidade para as empresas, porque vamos lá, se é uma empresa menor, eu vou ter uma redução ali da minha carga semanal por funcionário de 4 horas. De repente, eu não preciso contratar outro funcionário com 44 horas, eu posso contratar um horista.”

A executiva menciona alternativas que já existem, como contratos intermitentes, temporários, modelos de trabalho em tempo parcial e a contratação de profissionais por meio de plataformas de prestação de serviços.

Essas possibilidades, porém, não são equivalentes entre si e precisam ser avaliadas conforme a legislação aplicável, as características do trabalho e as necessidades de cada empresa.

Supermercados e a escala 6x1 - Foto: Freepik
Escala 6×1 deixa de existir no Brasil – Foto: Freepik.

Repercussão após o fim da escala 6×1

A aprovação da proposta que encerra a escala 6×1 foi comemorada pelos trabalhadores do comércio em Ribeirão Preto. Após a aprovação, o Sincomerciários, entidade que representa a categoria na cidade, se manifestou a favor da mudança nas regras de trabalho.

Segundo a presidente do sindicato, Regina Pessoti, a rotina com apenas uma folga semanal reduz as horas destinadas à convivência familiar, ao descanso e aos cuidados com a saúde. A entidade defende que a mudança traz mais equilíbrio entre a atividade profissional e o tempo pessoal.

Já o Sincovarp, que representa os lojistas, afirma que o fim da escala 6X1 pode desorganizar as escalas de trabalho de diversos setores e elevar os preços de produtos e serviços, encarecendo a cesta de consumo das famílias e aumentando a informalidade.

Na avaliação das entidades, a redução da jornada laboral é uma discussão legítima, mas seus reflexos no mercado de trabalho, na atividade econômica e na segurança jurídica não foram analisados com a profundidade que o tema exige, muito em razão do período eleitoral no qual tramitou.

A aprovação do novo modelo de trabalho também preocupa representantes dos setores de supermercados e construção civil. A Associação Paulista de Supermercados (APAS), por exemplo, manifestou preocupação com a mudança, especialmente diante da escassez de mão de obra no estado de São Paulo.

Segundo a entidade, uma alteração na jornada sem mecanismos adequados de transição e implementação pode elevar em cerca de 15% as despesas operacionais dos supermercados.

Já o SindusCon-SP alertou para os efeitos de uma possível redução da jornada de trabalho sobre a construção civil. A entidade afirmou respeitar a decisão do Congresso e reconheceu a importância do debate sobre a qualidade de vida dos trabalhadores.

De acordo com estudos citados pelo sindicato, uma redução de 10% na jornada exigiria a contratação de aproximadamente 300 mil novos trabalhadores no setor. A entidade afirma que a necessidade de ampliar as equipes ocorre em um cenário de escassez de profissionais qualificados.

Por fim, a Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (Acirp) emitiu uma nota informando que avalia que o fim da escala 6×1 exigirá planejamento, diálogo e segurança jurídica para que as empresas consigam reorganizar suas equipes sem comprometer as operações e a manutenção dos empregos.

A entidade aponta que setores como varejo e atendimento médico-hospitalar podem enfrentar maiores dificuldades, especialmente devido à necessidade de reorganizar turnos e absorver possíveis aumentos de custos.

Embora reconheça a legitimidade da modernização da jornada de trabalho e seus possíveis benefícios para os trabalhadores, a entidade alerta para riscos de informalidade e fechamento de negócios. A associação afirma que pretende oferecer suporte técnico e orientações aos empresários durante a transição, com o objetivo de preservar a competitividade, os empregos formais e a sustentabilidade dos negócios.

A mudança trará desafios em logística, com reorganização de turnos para não reduzir dias e horários de funcionamento ao mesmo tempo em que se garante os direitos dos colaboradores.

Palácio da Indústria e Comércio, sede da Acirp - Foto: divulgação/Facesp.
Palácio da Indústria e Comércio, sede da Acirp – Foto: divulgação/Facesp.

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