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Como funcionavam os esquemas de advogados investigados por fraude no interior de SP

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Dois grupos de advogados investigados por suspeita de fraude em Ribeirão Preto, Franca e Altinópolis, no interior de São Paulo, teriam usado idosos e aposentados como autores de milhares de ações judiciais contra bancos para obter dinheiro dos processos.

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As informações constam em documentos da investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), obtidos pelo g1.

Conforme as informações, os esquemas funcionavam de formas diferentes, mas envolviam a captação de clientes, o ajuizamento de ações e a destinação de parte dos valores recebidos a pessoas ligadas aos grupos – saiba mais logo abaixo.

Em Altinópolis e Ribeirão Preto, segundo a apuração, clientes eram atendidos na Desenrola, empresa que pertence ao pai do advogado Guilherme Menna Barreto Gentil, preso em flagrante durante uma operação nesta terça-feira (20).

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No local, eram recolhidos documentos e assinadas procurações para que os advogados os representassem na Justiça. Após o ajuizamento de ações contra instituições financeiras e eventuais condenações, os valores dos processos eram sacados em uma conta de Guilherme.

Com isso, os clientes vendiam o direito de receber esse dinheiro por quantias inferiores ao valor dos créditos judiciais, inicialmente à Desenrola e, depois, à empresa Finalize, de Campo Grande (MS).

O advogado Guilherme Menna Barreto Gentil – Foto: Reprodução/ OAB
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Entenda as operações Libelo e Garatéia

A investigação da Operação Libelo identificou mais de duas mil ações relacionadas a Guilherme apenas em Altinópolis.

De acordo com os documentos obtidos pelo g1, alguns idosos ouvidos pela Justiça disseram desconhecer os valores liberados nos processos ou afirmaram não saber que haviam vendido o direito de receber o dinheiro.

O Ministério Público (MP) também apura a participação de outros advogados e pessoas ligadas às empresas envolvidas.

Já em Franca, a Operação Garatéia investiga outro grupo, que, segundo o Gaeco, utilizava planilhas com dados de beneficiários do INSS para captar clientes. O contato ocorria por meio de ligações telefônicas, WhatsApp e transmissões ao vivo com influenciadores digitais.

Após a adesão, os clientes pagavam uma taxa inicial e assinavam procurações que, conforme a investigação, eram reutilizadas em diferentes ações contra bancos, inclusive muito tempo depois da assinatura original.

Os investigadores também identificaram indícios de que o grupo distribuía processos entre advogados para evitar a concentração das ações em Franca.

Segundo os documentos, contas ligadas aos investigados receberam R$ 10,9 milhões provenientes de processos judiciais, mas apenas R$ 2,7 milhões foram destinados a pessoas de fora do grupo.

Para o MP, parte dos recursos pode ter sido convertida em dinheiro em espécie para dificultar o rastreamento e ocultar patrimônio.

As duas operações cumpriram 11 mandados de busca nesta terça-feira (20), e a Justiça determinou o bloqueio de até R$ 6,1 milhões em bens, somados os dois casos.

Os investigados são suspeitos de crimes como estelionato, inclusive contra idosos, fraude eletrônica, falsidade ideológica, falsificação de documentos e participação em organizações criminosas.

Prisão de advogado em Ribeirão Preto

O advogado Guilherme Menna Barreto Gentil, um dos alvos da Operação Libelo, foi preso em flagrante nesta terça-feira (20), em Ribeirão Preto, suspeito de obstrução de investigação envolvendo organização criminosa.

Segundo a Polícia Militar (PM), ele teria jogado um notebook pela janela do apartamento onde estava com a família durante a chegada dos agentes. O equipamento caiu sobre a cobertura de vidro da piscina do condomínio, na zona Sul da cidade – veja vídeo abaixo.

Além do apartamento do advogado, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao pai dele, a uma funcionária e ao local onde eram realizados atendimentos em Ribeirão Preto.

O advogado Júlio Mossin, que faz a defesa de Guilherme Menna Barreto Gentil, afirmou que seu cliente exerce legalmente a advocacia e não cometeu fraudes. A respeito do notebook arremessado pela janela, Mossin declarou que ninguém é obrigado a produzir prova contra si, caso seja constatado que o próprio cliente arremessou o aparelho.

*Com informações do g1 Ribeirão Preto e Franca e da EPTV

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