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Ribeirão Preto registrou 4.567 novas empresas no primeiro semestre de 2026, um aumento de 21,7% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram contabilizadas 3.754 aberturas.
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Os dados são da Junta Comercial do Estado de São Paulo (JUCESP) e mostram o movimento de abertura de empresas no município, que também registra novos negócios no setor gastronômico.
Um deles é o Margô, gastrobar inaugurado em julho deste ano pelos empresários Felipe Mira Dias e Camilla Assunção, na rua Altíno Arantes, 1804, no Jardim Sumare, zona Sul de Ribeirão Preto.
O projeto reúne referências de diferentes cozinhas, coquetelaria e música, mas sua criação também está ligada a uma trajetória de décadas no setor de bares e restaurantes.
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Da pizzaria da família a um novo negócio
A relação de Felipe com a gastronomia começou em 1995, quando sua família abriu o Ateliê da Pizza, em Barretos. Ao acidade on, ele contou que tinha 12 anos quando começou a ajudar nas tarefas do estabelecimento junto com as irmãs.
“Eu fazia um pouco de tudo, ajudava a carregar as coisas, tirava pratos das mesas, atendia telefone, ajudava nas entregas. Fui aprendendo na prática como funcionava o negócio”
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Com a expansão do negócio, a família inaugurou uma unidade da pizzaria em Ribeirão Preto, em 2004, e Felipe se mudou para o município em 2007 para acompanhar de perto a operação do restaurante.
Embora tenha cursado Educação Física, ele conta que continuou ligado à pizzaria e, com o tempo, ganhou experiência na gestão do empreendimento. Em 2016, após participar do Empretec, programa do Sebrae voltado ao desenvolvimento de empreendedores, começou a planejar um negócio próprio.
A ideia inicial era criar uma operação de delivery do Ateliê da Pizza, mas a oportunidade de assumir um antigo bar em Ribeirão Preto mudou os planos e deu origem ao Terraço, inaugurado em 2019.
“Eu comecei a conversar com a proprietária e ela viu que eu já trabalhava com restaurante. Ela falou ‘eu tinha um bar aqui em cima, parado há uns dez anos. Se você se interessar, quiser vir conhecer’. Aí eu subi lá e me apaixonei pelo lugar”.
Após isso, Felipe conta que decidiu apostar no conceito de pizza bar, que combina pizzas de longa fermentação, inspiradas na tradição italiana, música e um ambiente mais descontraído, diferente do modelo tradicional de pizzaria.
Já em 2025, Felipe também participou da transformação do Bendita Esquina, ampliando sua atuação para outros formatos de bar. Segundo o empresário, a experiência com esses empreendimentos influenciou o desenvolvimento do Margô.

Conceito definido ao longo do planejamento
Felipe contou que a ideia inicial para o Margô Gastrobar era criar outro “boteco”, mas o projeto mudou durante o planejamento.
Os proprietários passaram cerca de três a quatro meses definindo a proposta do estabelecimento, até chegar a um conceito de gastrobar com influências mediterrâneas, orientais e árabes, além de uma programação musical que inclui jazz, blues e DJs.
“Quando a gente entra num lugar, num ambiente, a gente vai ali alguns dias, vai olhando e vai pensando ‘o que combina’, ‘o que daria certo’, ‘com o que esse lugar tem a ver’”, explica Felipe, ao descrever o processo de criação. Para ele, a arquitetura precisa estar alinhada à comida, às bebidas, à identidade visual e ao atendimento.
A concepção do Margô também contou com profissionais que já haviam trabalhado com o empresário em outros projetos, como a designer Karina Restino e o chef Rodrigo Francelin. A decoração reúne elementos clássicos e contemporâneos, com pinturas e obras de arte incorporadas ao ambiente.


Parceria na vida e nos negócios
A criação do Margô também marca a continuidade da parceria profissional entre Felipe e Camilla Assunção. Antes de entrar no setor gastronômico, ela trabalhou durante 14 anos como comissária de bordo.
Depois de deixar a aviação e se mudar para Ribeirão Preto, começou a atuar com Felipe no Terraço, participando de atividades administrativas, compras e gestão de pessoas.
“Ela estava pensando no que ia fazer depois que saiu da aviação, porque não queria mais trabalhar nessa área e queria ter o próprio negócio. Aí eu falei para ela ‘vem trabalhar comigo, você vai tirando sua grana, vai me ajudando, eu também estou precisando de ajuda’. Nesse quebra-galho, ela começou a gostar bastante […] ela ia para o Terraço comigo todos os dias, me ajudava na parte administrativa, nas cotações de compras, em bastante coisa. Ela começou a trabalhar no dia a dia, aprender e gostou.”
Conforme o empresário, essa experiência contribuiu para que Camilla se aproximasse da operação de bares e restaurantes e passasse a considerar a possibilidade de ter um negócio próprio.
Os dois chegaram a planejar outro estabelecimento, mas enfrentaram dificuldades relacionadas à liberação do imóvel e desistiram do projeto. Meses depois, surgiu a oportunidade do ponto onde hoje funciona o Margô.

Os desafios de empreender no setor
Apesar de avaliar positivamente o momento de seus negócios, Felipe afirma que o setor de bares e restaurantes enfrenta dificuldades relacionadas ao endividamento, aos custos operacionais e às mudanças no comportamento dos consumidores.
Integrante do conselho da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), ele acompanha discussões sobre a redução do consumo de álcool por parte de determinados públicos e o crescimento da procura por bebidas sem álcool. Em sua avaliação, os estabelecimentos precisam acompanhar essas mudanças para manter a operação.
“O perfil de consumo mudou muito. As pessoas estão saindo menos durante a semana […] o consumo de cerveja sem glúten e drinks sem álcool aumentou demais. Então, a gente tem que entender esse perfil e se adaptar. […] se a pessoa vai sair, ela tem que escolher a gente, seja o Terraço, seja o Bendita, seja o Margô.”
Questionado sobre o futuro, Felipe conta que, por enquanto, a prioridade é consolidar os empreendimentos existentes, especialmente os mais recentes, mas não descarta novos projetos no futuro.
“A gente não pode cravar que não vamos abrir outro [negócio]. Às vezes, aparece a oportunidade, a gente vê alguma coisa e fala ‘cara, isso não tem em Ribeirão’, ‘esse lugar daria um lugar muito bacana’. Então, quem sabe daqui a uns anos o mosquitinho pica a gente de novo e criamos coragem. Nunca dá para falar nunca, mas, com as casas estabelecidas, organizadas, bem geridas e faturando legal, sempre há espaço para novos empreendimentos”.

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