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Família acredita que pecuarista planejou morte de jovem no interior de SP

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A família de Priscila Lacerda Custódio, de 24 anos, morta com um tiro durante um encontro com o ex-namorado, o pecuarista João Roberto Bolelli, de 62 anos, acredita que o crime tenha sido premeditado.

  • LEIA MAIS: Justiça decreta prisão de pecuarista suspeito de matar ex-companheira de 24 anos

O caso aconteceu na noite da última terça-feira (27) em Rifaina, cidade a cerca de 155 quilômetros de Ribeirão Preto, no momento em que a jovem foi até a propriedade do pecuarista para devolver uma caminhonete.

Em entrevista à EPTV, o irmão da vítima, Giovane Santana, afirmou que a rapidez da ação e as circunstâncias em que tudo aconteceu levantaram a suspeita de que João Roberto já estivesse disposto a cometer o crime.

Apesar disso, ele ressaltou que não pode afirmar que houve planejamento, mas disse que a família desconfia da possibilidade.

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“Pela forma como tudo aconteceu, acredito que o crime possa ter sido premeditado. Não posso afirmar isso com certeza, mas, diante das circunstâncias, fiquei com a impressão de que ele já tinha a intenção de fazer alguma coisa”, disse Giovane.

João Roberto Bolelli – Foto: reprodução/ EPTV

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Discussão com pecuarista sobre celular antecedeu disparo

Segundo Giovane, antes do disparo houve uma discussão envolvendo um celular. João Roberto estava acompanhado de outros dois homens, e a situação aconteceu rapidamente.

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O irmão também contou que Priscila se sentiu intimidada com a presença do grupo, embora ele também estivesse próximo, a cerca de dois metros dela.

“Ele estava com mais duas pessoas. Pelo que entendi, uma delas era o neto dele, que chegou a perguntar: ‘O que meu avô fez?’. Ela se sentiu intimidada, porque eram três homens no local. Eu também estava ali, próximo dela, conversando com eles”, relatou.

Giovane afirmou que não sabia de possíveis conflitos entre a irmã e o ex-namorado antes de acompanhá-la até a propriedade. Segundo ele, se tivesse conhecimento da situação, teria procurado outra maneira de devolver a caminhonete.

Giovane Santana, irmão da vítima - Foto: reprodução/ EPTV.
Giovane Santana, irmão de Priscila, morta pelo pecuarista – Foto: reprodução/ EPTV.

Amiga relatou agressão na semana anterior ao crime

À polícia, uma amiga de Priscila contou que a jovem teria sido agredida por João Roberto na semana anterior à morte. Ela também relatou que a vítima estaria sendo monitorada pelo ex-namorado.

A suspeita é de que o pecuarista não aceitava o fim do relacionamento. A Polícia Civil investiga o caso como feminicídio. João Roberto Bolelli continua foragido. Ele foi visto pela última vez no dia do crime, em uma propriedade às margens da rodovia Cândido Portinari.

As duas pessoas que acompanhavam o suspeito no momento do crime constam como testemunhas no processo. A investigação segue em segredo de Justiça.

Priscila Lacerda Custodio - Foto: reprodução/ redes sociais.
Priscila Lacerda Custodio – Foto: reprodução/ redes sociais.

Relembre o caso

Priscila Lacerda Custódio, de 24 anos, foi morta a tiros na noite de terça-feira (27), na entrada de uma fazenda às margens da rodovia Cândido Portinari, em Rifaina (SP). O principal suspeito é o pecuarista com quem ela mantinha um relacionamento havia quase quatro meses.

Segundo o boletim de ocorrência, Priscila foi ao local para devolver uma caminhonete de Bolelli. Ela estava acompanhada do irmão e de uma amiga porque, conforme relataram à Polícia Civil, estava com medo do pecuarista e havia contado que sofrera agressões e ameaças dias antes.

No encontro, houve uma discussão envolvendo aparelhos celulares. De acordo com os depoimentos, Priscila disse que queria ir embora e não pretendia continuar o relacionamento. Durante o desentendimento, Bolelli teria sacado uma arma e atirado contra a jovem. O irmão também relatou que o pecuarista apontou a arma em sua direção antes de fugir.

“Houve uma discussão entre eles, né, e no momento ele sacou de uma arma e desferiu tiro contra a vítima e a partir disso ele se evadiu”, disse o delegado responsável pelo caso.

Priscila foi socorrida e levada ao hospital de Rifaina, mas não resistiu ao ferimento. Após o crime, Bolelli fugiu na caminhonete, que foi encontrada na noite desta quarta-feira (28) em uma área da zona rural do município.

O corpo de Priscila foi enterrado no fim da tarde. Até a publicação desse texto, a polícia continuava as buscas por Bolelli. A defesa do pecuarista informou que ainda não havia conseguido contato com ele.

Jovem foi morta após discussão ao devolver a caminhonete do suspeito - Foto: reprodução/ redes sociais.
Jovem foi morta após discussão ao devolver a caminhonete do suspeito – Foto: reprodução/ redes sociais.

Histórico na Justiça

Além da atuação no agronegócio, Bolelli tem histórico de condenação por violência doméstica. Em 2018, ele foi indiciado após desobedecer a uma medida protetiva concedida a uma ex-companheira.

De acordo com informações da EPTV, a mulher relatou no processo que era perseguida por Bolelli em Franca e em outras cidades e que precisou se mudar diversas vezes para tentar escapar das ameaças.

Ainda segundo o relato apresentado no caso, ele teria dito que ela deveria ter paciência e esperar o momento certo, pois, quando estivesse tranquila, ele acabaria com a vida dela.

O caso resultou em condenação em 2021 e o pecuarista recebeu pena de três meses e 15 dias de prisão em regime aberto, com base na Lei Maria da Penha.

“O autor, ele já tem antecedentes inclusive com relação a crime de violência doméstica. Ele já foi inclusive preso com relação a esse fato. Então, já tem uma certa tendência ao à agressividade com relação à mulher”, disse o delegado Fábio Branquinho, responsável pelo caso.

Outro processo citado na documentação judicial diz respeito a fatos ocorridos em dezembro de 2017, em um caso envolvendo ameaça e vias de fato (expressão jurídica usada para descrever uma agressão física que não configura lesão corporal).

Segundo a certidão judicial mencionada no material, Bolelli foi condenado em outubro de 2020 a 15 dias de prisão simples pela contravenção de vias de fato. A pena teve suspensão condicional, conforme a decisão. O Tribunal de Justiça de São Paulo confirmou a condenação em janeiro de 2021.

*Com informações da EPTV

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